Após um primeiro momento em que a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, denunciou a captura de Nicolás Maduro como um “sequestro” e a prevista apropriação de petróleo venezuelano como um ato de “colonização”, o discurso de Caracas parece ter mudado, seguindo no sentido do apaziguamento – o que, aliás, encaixa nas palavras do presidente Donald Trump na conferência de imprensa a seguir à prisão de Maduro.
Nessa ocasião, Trump disse que Delcy Rodriguez era uma das opções em cima da mesa do lado norte-americano, dando assim a entender que podia contar com essa alternativa, se se desse o caso de a nova presidente mostrar ser colaborativa.
“Convidamos o governo dos Estados Unidos a trabalhar juntos numa agenda de cooperação voltada para o desenvolvimento partilhado dentro do âmbito do direito internacional, para fortalecer a convivência duradoura com a comunidade”, disse Delcy Rodriguez.
“Presidente Donald Trump, os nossos povos e a nossa região merecem paz e diálogo, não guerra”, disse
A presidente interina, de 56 anos, tem sido membro firme e de voz inflamada do ‘chavismo’, mas é também conhecida como uma mulher pragmática – circunstância que não terá escapado a Trump quando a colocou no grupo dos que eventualmente podem ajudar os Estados Unidos.
De qualquer modo, ainda não é clara a forma como a administração Trump quer trabalhar com um governo pós-Maduro, que previsivelmente estará cheio de inimigos ideológicos.
Tudo indica que, perante a derrocada do ‘chavismo’, Trump está exatamente à espera desse pragmatismo, que levará a que os interesses dos dois países possam convergir.
Entretanto, o Conselho de Segurança da ONU está prestes a debater a legalidade e implicações da ação dos Estados Unidos, num quadro em que Rússia e China, aliados de Maduro, afirmaram que os Estados Unidos violaram o direito internacional.
De qualquer modo, nada sairá do encontro que possa molestar os Estados Unidos – que, como os outros quatro membros permanentes, tem direito de veto sobre qualquer declaração.
Na Venezuela, opositores de Maduro suspenderam as celebrações enquanto os seus leais seguidores permanecem no poder e não há sinais de que os militares estejam a mudar de posição, embora haja muitos suspeitas de que alguns deles ajudaram à operação de sábado passado.
Segundo várias reportagens, os venezuelanos têm corrido aos bens de primeira necessidade e aos medicamentos.
Fonte e crédito da imagem: O Jornal Económico / Portugal