Turismo de cruzeiros em Portugal com impacto económico de 940 milhões em 2024

A indústria de turismo de cruzeiros em Portugal teve um impacto económico de 940 milhões de euros em 2024 e um contributo para o Produto Interno Bruto (PIB) de 410 milhões de euros no mesmo período, de acordo com o estudo de impacto económico apresentados pela Cruise Lines International Association (CLIA) na sua cimeira europeia que se realiza na Madeira.

O estudo revela também que as compras das companhias de cruzeiros em Portugal constituíram a maior parte da contribuição do setor para o PIB em 2024, com um valor de 174 milhões de euros de euros e representando 42% do impacto total do PIB da indústria.

Os gastos de passageiros e tripulações deram um contributo de 150 milhões de euros através de compras em negócios locais, assinala o estudo. As atividades de construção naval e expansão de capacidade portuária tiveram um contributo de 78 milhões de euros, e os salários das equipas de cruzeiros representaram oito milhões para o PIB português. A contribuição económica global aumentou quase 16%, face a 2023, salienta o estudo da CLIA.

A indústria dos cruzeiros contribui ainda com 9.800 empregos sendo que foram pagos salários e ordenados de 225 milhões de euros.

Em 2024, Lisboa manteve a sua posição de principal porto de cruzeiros de Portugal, enquanto que a Madeira “consolidou a sua posição como maior porto de escala” do país. “Ambos os portos beneficiaram de um fluxo sustentado de cruzeiros, reforçando o papel de Portugal como uma porta de entrada chave nos mercados de cruzeiros do Atlântico e Mediterrâneo”.

Ao nível do mercado da Região Autónoma da Madeira 2025 foi um melhor ano de sempre para os cruzeiros, de acordo com os dados da Administração dos Portos da Região Autónoma da Madeira. Em 2025 foram contabilizados 1.024.442 pessoas que chegaram à Região através de navios de cruzeiros. Verificou-se um movimento recorde de 746.257 passageiros, mais 2,4% face ao ano anterior, e mais 19,5% face a 2023.

Existiu uma subida de 4,7% nas escalas de navios de cruzeiros. Em 2025 foram 331 escalas face às 316 do período homólogo.

O número de tripulantes subiu 2,3% para os 278.185. A APRAM tendo por base um estudo da ACIF, tendo em conta um gasto médio de 61,40 euros de cada passageiro/tripulante, fez com que o setor de cruzeiros tenha um contributo de 62,9 milhões de euros para a economia local.

O número de pernoitas subiu 17%, em 2025, de 104 noites para 122 noites. Em comparação com 2023 o crescimento é ainda maior e cifra-se em 48,7%.

Os passageiros que pernoitaram no Funchal passaram de 131.707 em 2024, para os 172.396 em 2025, o que equivale a uma subida de 30,8%.

O número de turnarounds (início/fim de uma viagem de cruzeiro) subiu de 22 escalas para 31 escalas, em 2025, mais 40,9%. E durante 2025 entraram no Porto do Funchal 22.758 viaturas de turismo, sendo que a maioria foram táxis (9.276 em escala e 905 com credencial, 6.833 autocarros e 5.744 carrinhas).

Turismo de cruzeiros tem impacto de 64 mil milhões de euros ao nível europeu
Ao nível europeu o impacto económico do turismo de cruzeiros é de 64,1 mil milhões de euros, em 2024, a que se juntam 445 mil empregos. 28 mil milhões de euros contribuíram diretamente para o PIB europeu, assinala o estudo da CLIA.

“Estes números demonstram que o turismo de cruzeiros é uma parte integral da economia marítima europeia, entregando valor significativo em todo o continente – apoiando empregos, negócios e comunidades costeiras através de uma cadeia de valor ampla e interligada”.

“Os benefícios estendem-se muito além dos portos – apoiando fornecedores e economias locais em todas as regiões , incluindo áreas costeiras, insulares e remotas, enquanto também contribuem para fluxos turísticos mais equilibrados. Como resultado, os cruzeiros contribuem para a competitividade europeia e simultaneamente contribuem com benefícios concretos ao nível das comunidades locais”, disse o presidente e CEO da CLIA, Bud Darr.

Já o diretor executivo da CLIA Europa, Nikos Mertzanidis, disse que os “cruzeiros representam cerca de 3% do turismo global, ao mesmo tempo que entregam benefícios económicos significativos aos destinos e comunidades”.

“O impacto dos cruzeiros está distribuído geograficamente. A atividade de cruzeiros canaliza receitas diretamente para os destinos onde os navios operam, criando benefícios económicos tangíveis para as comunidades locais. Para regiões insulares e marítimas, em particular, os cruzeiros podem representar uma fonte estável e recorrente de rendimento. Além disso, os cruzeiros promovem e apoiam destinos periféricos, viagens fora da época alta e turismo responsável”.

Fonte e crédito da imagem: O Jornal Económico / Portugal