O “Dia da Libertação” norte-americana trouxe tarifas “recíprocas” de 20% para a UE, parceiro comercial que o presidente Trump acusou novamente de “defraudar” os EUA.
No anúncio prometido há um mês ficaram ainda confirmadas as tarifas de 25% sobre todos os automóveis estrangeiros, uma decisão que, garantiu o presidente, “tornará a América rica novamente”.
“Promessa feita, promessa cumprida”, afirmou Trump após anunciar tarifas “recíprocas” a uma série de parceiros comerciais norte-americanos, que o presidente acusa de se terem aproveitado “durante décadas” da maior economia do mundo.
Ainda assim, e numa postura “simpática”, os EUA retribuirão as barreiras à entrada (que incluem impostos como o IVA, na perspetiva norte-americana) em apenas metade, explicou o presidente.
Trump anunciou que para “os países que nos tratam mal, vamos calcular o equivalente monetário de todas as formas de tarifa e batota que nos impõem e, porque estamos a ser simpáticos, […] iremos cobrar apenas aproximadamente metade do que eles nos cobram”.
No caso da UE, Washington acusa os europeus de imporem barreiras equivalentes a 39%, pelo que as exportações oriundas do bloco europeu passam a pagar 20% de tarifa a entrada dos EUA.
“Em muitos casos, os amigos são piores do que os inimigos”, tinha afirmado minutos antes, aquando da confirmação das tarifas de 25% sobre os veículos produzidos fora do país. Também aqui Trump apontou baterias à Europa, mas também à Tailândia, Índia e Vietname.
As tarifas recíprocas incluem 46% ao Vietname, 32% a Taiwan e 24% ao Japão, explicou Trump, além de 26% para a Índia e 25% para a Coreia do Sul. Para as importações oriundas da China, a tarifa associada será de 34%.
Brasil
O Brasil, e também o Reino Unido, que Washington acusa de cobrarem, cada um, 10% em barreiras à entrada das exportações norte-americanas, pagarão igual valor. De resto, este ser o valor da tarifa mínima que passará a vigorar, de 10%.
As tarifas mínimas passarão a vigorar dia 5 de abril, enquanto as recíprocas direcionadas entram em vigor dia 9.
De notar também a ausência dos parceiros do Acordo EUA-México-Canadá (USMCA, em inglês) da tabela de valores mostrada por Trump na conferência de imprensa.
Segundo a Casa Branca, citada pela ‘Bloomberg’, a isenção destes países foi novamente prolongada (isto após a sua suspensão de um mês ter terminado esta quarta-feira).
Trump vinha há meses falando num momento de “libertação” para os EUA, alegando que o país há anos que é prejudicado pelos seus parceiros comerciais.
Na relação com a UE, que o presidente alega ter sido criada “para lixar” os EUA, há um número que tem sido usado repetidamente: o saldo comercial negativo, na perspetiva norte-americana, de 150 mil milhões de dólares entre as duas economias – mais concretamente, 157 mil milhões de euros em 2023.
No entanto, os responsáveis europeus têm contraposto que este valor ignora as trocas de serviços, onde a UE enfrenta um défice crónico que atingiu 109 mil milhões de euros naquele ano.
Contas feitas, o défice comercial norte-americano na relação com o bloco europeu foi de 48 mil milhões de euros em 2023, menos de um terço do valor mencionado por Trump e, mais relevante ainda, uma fração das trocas que totais, que ascenderam a 1,6 biliões de euros no mesmo ano.
Ao mesmo tempo, os dados da Organização Mundial do Comércio (OMC) mostram que os EUA têm, de facto, uma tarifa média mais baixa do que a da UE – uma diferença de 0,5 pontos percentuais (p.p.).
Nos EUA, as importações pagam, em média, 2,2% de tarifa à chegada ao país, enquanto no bloco europeu esta barreira à entrada é de 2,7%. A título comparativo, a China cobra 3% e o Japão 1,9%.
Fonte e crédito da imagem: O Jornal Económico / Portugal