Tal como o treinador que chega a um novo clube e quer reunir a sua equipa técnica e escolher os seus jogadores, também o diretor artístico da Casa da Música, no Porto, quer formar o seu grupo de confiança.
A metáfora futebolística é do próprio François Bou, que apresentou à imprensa os novos maestros para a Orquestra Sinfónica do Porto, Coro da Casa da Música e Remix Ensemble.
Uma visão holística
Serão pontas-de-lança na estratégia de François Bou: “Quero criar coesão entre os agrupamentos da casa, para que deixem de ser entidades separadas. Isso deverá refletir-se na programação, seja de cariz popular, eletrónico ou contemporâneo, deverá obedecer a uma visão integrada e holística. Acredito nessa unidade e na partilha temática entre os agrupamentos.”
Questionado sobre a escolha destes três maestros, que já atuaram todos nos palcos da Casa da Música e iniciam funções em janeiro de 2027, o diretor falou em “ar fresco”:
“Vão trazer uma nova energia à Casa. Acredito que o Morlot vá levar a Sinfónica para outro patamar artístico. O Warynski traz novas ideias e novos formatos de concerto. O Oscar tem a missão de fazer um “rebranding” no Remix Ensemble, respeitando o seu legado, mas acrescentando possibilidades. Este é um equipamento único, que deverá ser um embaixador da cidade no Mundo e, ao mesmo tempo, abrir-se mais ao público local.”
Manter o fogo aceso
Do lado dos maestros, não falta entusiasmo: Oscar Jockel promete tornar o Remix Ensemble o agrupamento mais sofisticado e inovador do Mundo, e cita Mahler para explicitar a sua visão sobre mudança e tradição: “Não devemos adorar as cinzas, mas sim manter o fogo aceso.”
Também Ludovic Morlot acredita na ideia de “construir a partir do passado”, mas coloca, como prioridade, a “excelência artística”. E volta ao futebol: “Um treinador não diz aos jogadores como chutar, assim como um maestro não diz aos músicos como tocar. Deve criar o ambiente propício para os músicos darem o melhor de si.” Já Warynski coloca a tónica na renovação de repertórios e em novos formatos de concertos, que convidem a maior participação do público.
Oscar Jockel atua no Semibreve em Braga
O novo maestro do Remix Ensemble, Oscar Jockel, é também compositor e intérprete, navegando por repertório sinfónico, operático e contemporâneo.
Antes de revolucionar o Remix Ensemble, a partir de janeiro de 2027, irá partilhar com Fennesz e a Sinfonieta de Braga, no Theatro Circo, o concerto de encerramento do Semibreve 2026. O festival de música eletrónica e arte digital realiza-se em Braga entre 22 e 25 de outubro.
Fonte: www.jn.pt
Crédito da imagem: Fábio Poço / Casa da Música