“TAP pode ter lugar central na Air France-KLM: depende do preço e da estrutura de governança”

A Air France-KLM é uma das três interessadas na TAP. A companhia franco-neerlandesa tem até 2 de abril para entregar a proposta para comprar 44,9% da empresa portuguesa, a par da IAG e da Lufthansa.

“Estamos a trabalhar na proposta não-vinculativa. Tivemos uma boa conversa com a equipa de gestão sobre o que querem, onde estão confortáveis e onde estamos confortáveis”, começou por dizer hoje o administrador financeiro da AFK sobre a reunião que mantiveram recentemente com a liderança da TAP.

“Temos um grupo muito próximo das operações. [A TAP] pode ter um lugar central no nosso grupo em termos de organização: depende do preço a pagar e de como vai ser a estrutura de governança”, afirmou Steven Zaat em conferência de imprensa, referindo-se à coabitação entre Estado português e o comprador no seio da companhia aérea.

Questionado se a compra da companhia aérea iria colocar a meta de margem operacional de 8% em risco, o responsável atirou: “não vamos investir numa companhia que não pode atingir os 8%”.

“São um bom ator na América do Sul. Vão ficar mais fortes, se fizerem parte do grupo”, segundo o gestor neerlandês.

Em 2024, a margem operacional da TAP situou-se nos 20,6%, abaixo da registada pela IAG (21,2%), mas acima da registada pela Lufthansa (10,6%) e da AFK (13,5%).

Já o presidente-executivo do grupo disse que a “rede da TAP acrescenta ao nosso grupo”, destacando que, com a TAP, o grupo fica com uma rede “mais abrangente na América do Sul” e “mais diversificada na Europa”.

“Estrategicamente seria excelente para nós termos um ponto de entrada na América Latina a partir da Península Ibérica”, acrescentou Benjamin Smith.

Air France-KLM com lucros recorde em 2025

A Air France-KLM (AFK) anunciou esta quinta-feira que obteve lucros operacionais recorde em 2025: 2 mil milhões de euros.

O disparo nos resultados aconteceu à boleia do aumento da procura nos serviços premium e da queda nos preços dos combustíveis, apesar de ter havido um recuo no número de passageiros europeus a viajar para os EUA.

O aumento de custos no aeroporto Amesterdão Schiphol também está a pressionar as margens da companhia.

Já as rotas transatlânticas continuam a crescer, com o serviço premium da Air France em destaque.

As ações da cotada dispararam mais de 30% no espaço de um ano com o grupo a mitigar custos laborais.

No entanto, a desaceleração das viagens de norte-americanos para a Europa é um dos riscos para este ano, a par da desaceleração económica com impacto nas compras de viagens na Europa, destaca a “Reuters”.

As ações dispararam 10% esta manhã após os lucros terem disparado em mais 400 milhões em 2025.

“As nossas companhias transportaram mais de 100 milhões de passageiros e geraram um resultado operacional de mais de 2 mil milhões de euros, a primeira vez na nossa história”, disse o presidente-executivo Ben Smith em comunicado.

Para este ano, é esperado um aumento da capacidade até 5% com novos aviões a chegarem.

Já a margem operacional deverá subir de 6,1% para 8%.

Fonte e crédito da imagem: O Jornal Económico / Portugal