Há situações que “não podem acontecer” em Portugal. Por isso, o Presidente da República promete que no seu mandato será exigente sobre a forma como se tomam decisões.
Na primeira deslocação oficial do novo Presidente da República, à aldeia de Mourísia, em Arganil, António José Seguro pediu “menos palavras e mais atos” ao Governo, dizendo que há promessas de apoios pós-incêndios que ainda não chegaram às populações.
“As pessoas têm de ter a certeza de que quando o poder político fala é para valer.”
Respondendo a perguntas dos jornalistas, Seguro garantiu que, por isso mesmo, haverá, da sua parte, “grau de exigência quanto aos resultados e quanto à maneira como como se tomam decisões”.
Em seguida, deu um exemplo concreto daquilo que não é aceitável. “Em agosto houve incêndios. O Parlamento aprovou uma lei para criar uma comissão técnica independente. Essa lei entrou em vigor em janeiro. Estamos em março e essa comissão ainda não tem todos os membros, que são 12, para poder começar a funcionar. E dentro de poucos meses temos novamente o verão e uma época potencial de incêndios.”
E é este um exemplo real “do que não pode acontecer no nosso país”, defendeu o Presidente da República. “Quando se toma uma decisão tem de ser no momento certo”, mas é preciso que o seu funcionamento arranque também “no momento certo”.
E, em jeito de crítica à forma de atuar na política portuguesa — depois de lembrar que “não tem poder executivo, mas tem o poder da palavra” — reforçou a necessidade de fazer mudanças. “Isto não precisa de dinheiro”, acrescentou. “É preciso de mudar a maneira como se faz política em Portugal.”
PR tem esperança em acordo laboral
Sobre a reforma laboral, e sobre as negociações falhadas, Seguro disse ser um homem de esperança, apelando a que patrões, sindicatos e Governo cheguem a um acordo equilibrado, escusando-se a responder se dará luz verde, ou não, a uma reforma que não tenha acordo dos parceiros sociais.
“Fiz um apelo e renovo. O país precisa de um acordo equilibrado em matéria de legislação laboral”, disse, concluindo que “nada está fechado”. Assim, é desejo do Presidente da República que todos “voltem rapidamente a sentar-se para encontrarem um acordo equilibrado entre as partes”.
Fonte: www.rr.pt
Crédito da imagem: Rodrigo Antunes / Lusa