São João no Porto: a alegria saiu à rua na maior festa da cidade

O povo saiu à rua, na festa mais democrática da cidade, em sã convivência e total segurança.

Este ano, e pela primeira vez nas funções de Presidente da República, António José Seguro, que aceitou o convite do presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, sentiu o pulsar da alegria dos portuenses e dos muitos visitantes – nacionais e estrangeiros – num dia e noite que ficam sempre na memória de todos, nesta terça-feira (23).

E, como habitual e manda a tradição (que é sempre ainda o que era), a noite foi longa.

O chefe de Estado estreou-se no “espírito de São João”. Tirou fotografias, recebeu marteladas, comeu sardinhas, bebeu vinho e torceu pela vitória da seleção nacional no mundial de futebol.

Começou nas Fontainhas (Bonfim), seguiu até aos Guindais e terminou na Ribeira (Centro Histórico), num percurso de cerca de duas horas, sempre acompanhado do presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, também ele estreante nesta festa, na qualidade de autarca.

António Salema não deverá esquecer este São João, quando, nas Fontainhas, se abeirou de António José Seguro e lhe pediu, sem hesitação: “posso dar uma martelada?”. O Presidente da República não só acedeu, como lhe disse: “É o primeiro a fazê-lo e, por isso, tem direito a uma fotografia”. E lá foi o folião com uma “selfie” no seu telemóvel.

JPR_Sao_Joao_23_06_2026-0010.jpg

A partir daí, foi uma constante. A cada passo, um pedido, um desejo – “continue o bom trabalho” – e “parabéns pelo evento”, este mais dirigido a Pedro Duarte, que também cumprimentava todos aqueles que se abeiravam da comitiva. “Bem-vindo ao Porto”, dizia alguém, enquanto pedia mais uma fotografia com António José Seguro e o presidente da Câmara.

Este ano, a festa teve o tónico de um jogo especial para a seleção nacional, presente no mundial de futebol. Incentivos não faltaram, a partir do Porto. Ainda antes do jogo, nas Fontainhas, António José Seguro expressava a ideia de que “o dia seja de muita alegria e de muita festa” não só pelos festejos de São João, mas também pela vitória da seleção nacional que jogou com o Uzbequistão. Os dois desejos foram concretizados.

Aos jornalistas, o chefe de Estado explicou a sua presença na Invicta: “Aceitei o convite do presidente da Câmara. Estive no Santo António, em Lisboa, estou no São João, no Porto. O dever de um Presidente da República é também estar onde há manifestações e expressões da nossa cultura popular”.

Entre convites para comer uma bifana ou beber uma cerveja, sempre ao som de música popular portuguesa, António José Seguro cruzou-se com uma senhora que lhe agradeceu por ser Presidente da República, mas, logo de seguida, este agradeceu-lhe a confiança.

“Adorei vê-lo ao vivo. Tudo de bom para si”, atirou uma vendedora de balões e de martelos à passagem o chefe de Estado, enquanto uns jovens, que preparavam os pimentos para assar para o jantar, puseram a tocar o hino nacional. E todos cantaram “A Portuguesa”.

Já na Ribeira, o Presidente da República foi abordado por turistas de várias nacionalidades – venezuelanos, italianos, mexicanos, entre outras – que, entre o espanto de ver a maior figura do Estado e o desconhecimento de quem era, iam pedindo fotografias para assinalar o momento.

JPR_Sao_Joao_23_06_2026-0013.jpg

António José Seguro e Pedro Duarte jantaram e viram o fogo-de-artifício sobre o rio Douro, a partir da Alfândega do Porto. Doze minutos de cor, brilho nos céus da Invicta, com sonoplastia a cargo dos Karetus.

“Tem sido uma experiência excecional”, assegura Pedro Duarte

Estreante nas funções, relativamente ao São João, o presidente da Câmara não poderia estar mais orgulhoso. “Este é, de facto, especial porque tenho a responsabilidade de liderar esta cidade fantástica. Tem sido uma experiência excecional”, disse.

A festa começou, para Pedro Duarte, bem antes das Fontainhas. Logo ao início da tarde deslocou-se ao Mercado do Bolhão, para conviver com os comerciantes e sentir os primeiros impulsos da alegria que já invadia a cidade.

“Sentimos a cidade a ser ainda mais vivida por toda a gente. Um sentido de comunidade. As pessoas saem à rua, querem viver a cidade, relacionar-se umas com as outras. Isso é excecional”, sublinhou, mais tarde, fazendo um paralelismo com a atividade política: “O fim último da política é também isto: que as pessoas possam ser mais felizes e o São João é isso mesmo”.

Citando o escritor Francisco José Viegas – “não temos uma rivalidade com Lisboa porque como o Porto não há igual” -, o autarca portuense reconheceu: “Somos únicos. O Porto vive por si próprio. Não precisamos de nos comparar, competir com outros. O São João é único. É muito especial, é uma noite que, provavelmente, não existe em alguma parte do mundo. É, talvez, um São João mais intenso que no passado”.

 

Pedro Duarte deixou ainda um elogio ao civismo e acolhimento demonstrado por todos em relação ao Presidente da República: “A partir do momento em que pisou as calçadas e ruas da cidade sentiu tudo o que tinha para sentir. A forma acolhedora, afetiva como toda a cidade se dirigiu a ele demonstra muito aquilo que é este sentir a cidade”, acrescentou.

Cidade em festa

Pela cidade, em cada freguesia e união de freguesia, milhares deram azo ao que de mais genuíno existe nas festas sanjoaninas: alegria a rodos, no evento mais democrático que existe. Muita música, animação e muita alegria expandiram-se por toda a cidade. Palcos, bailaricos e muita diversão, para todas as idades, mantiveram a tradição.

JPR_Sao_Joao_23_06_2026-0020.jpg

Durante toda a noite, a cidade contou com milhares de balões no ar e vários artistas nos palcos situados na Avenida dos Aliados, Largo do Amor de Perdição, Ribeira e Casa da Música.

Destaque para os Quinta do Bill e Tony Carreira nos Aliados, para o concerto de Os Últimos Românticos e D.A.M.A na Cordoaria, para a atuação dos Karetus na Ribeira e ainda para o espetáculo-arraial do grupo Nunca Mates do Mandarim na Casa da Música.

Crédito da imagem: João Pedro Rocha