A Rússia poderá suspender imediatamente o fornecimento de gás à Europa, no contexto de um aumento dos preços da energia desencadeado pela guerra com o Irão.
O aviso foi dado na quarta-feira (4) pelo Presidente russo, Vladimir Putin, e pode ter sido motivado pelo facto de a União Europeia querer proibir a compra de gás russo e de gás natural liquefeito (GNL), apesar da oposição da Hungria e da Eslováquia.
Os preços do petróleo e do gás dispararam após o ataque dos Estados Unidos da América (EUA) e de Israel ao Irão e os ataques de Teerão contra vizinhos árabes do Golfo.
O conflito paralisou o transporte marítimo através do Estreito de Ormuz e obrigou ao encerramento da produção de GNL do Qatar e da maior refinaria de petróleo da Arábia Saudita.
Putin afirmou que os preços do petróleo estão a subir devido à “agressão contra o Irão” e às restrições ocidentais ao petróleo russo, enquanto os preços do gás na Europa estão a aumentar porque os compradores estão dispostos a adquirir volumes de gás a preços mais elevados devido aos acontecimentos no Médio Oriente e ao encerramento do Estreito de Ormuz.
Questionado pelo correspondente principal do Kremlin da televisão estatal russa, Pavel Zarubin, sobre os planos europeus de impor uma proibição total às importações de gás russo por gasoduto até ao final de 2027 e de proibir novos contratos de curto prazo de GNL russo a partir do final de abril de 2026, Putin afirmou que talvez fosse mais vantajoso para a Rússia deixar de vender gás à Europa já agora.
“Estão a abrir-se outros mercados. E talvez fosse mais rentável para nós deixar de abastecer o mercado europeu neste momento. Passar para esses mercados que estão a abrir-se e estabelecer-nos lá”, disse Putin, segundo uma transcrição divulgada pelo Kremlin.
“Isto não é uma decisão; é, neste caso, aquilo a que se chama pensar em voz alta. Vou certamente instruir o governo a trabalhar nesta questão em conjunto com as nossas empresas”, afirmou Putin, ligando diretamente essa eventual decisão às “políticas erradas” da Europa.
A Rússia detém as maiores reservas de gás natural do mundo e é o segundo maior exportador mundial de petróleo.
Moscovo perdeu grande parte do seu lucrativo mercado europeu depois de a Europa ter procurado reduzir a sua dependência da energia russa na sequência da invasão da Ucrânia em 2022.
O lugar da Rússia no mercado europeu foi ocupado pela Noruega, pelos Estados Unidos e pela Argélia.
Com a Europa a afastar-se do gás russo, Moscovo tem voltado cada vez mais a sua atenção para a China, o maior consumidor e importador de energia do mundo, para vender petróleo, gás por gasoduto e GNL.
“A Rússia sempre foi e continua a ser um fornecedor de energia fiável para todos os nossos parceiros, incluindo, aliás, os europeus”, disse Putin. “E continuaremos a trabalhar desta forma com os parceiros que também são fiáveis — por exemplo, os da Europa de Leste, como a Eslováquia e a Hungria.”
Fonte: www.rr.pt
Crédito da imagem: Kristina Solovyova/sputnik/kremlin Pool/ EPA