Representação do Brasil no Parlasul analisa acordo Mercosul-UE nesta terça

A Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul) analisa, nesta terça-feira (10) o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, assinado em janeiro deste ano em Assunção, no Paraguai, após mais de 20 anos de negociações.

O grupo é formado por dez senadores e 27 deputados federais. Eles devem votar o relatório do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), presidente da representação, que recomendou a aprovação do acordo assinado em 17 de janeiro.

Se o texto for aprovado, o acordo tomará a forma de um projeto de decreto legislativo e será enviado para a análise da Câmara e do Senado.

O acordo entre o Mercosul e a União Europeia prevê que ambos os blocos devem implementar um amplo compromisso de liberalização tarifária em setores industriais e agrícolas, eliminando ou reduzindo gradualmente tarifas de importação e exportação de diversos produtos e serviços.

Tramitação

As informações são do senador Nelsinho Trad (PSD-MS), que articulou um grupo de trabalho para acompanhar o acordo. Ele é presidente da CRE e vice-presidente da Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul.

Mercosul

Algumas tarifas serão zeradas imediatamente. É o caso das carnes bovinas brasileiras de alta qualidade vendidas para a Europa (dentro da Cota Hilton, limitada em 10 mil toneladas para o Brasil). Atualmente, a tarifa europeia é de 20%.

As informações são do documento do governo federal “Factsheet: Acordo de Parceria Mercosul-União Europeia”.

União Europeia

Essa transição, no que se refere ao setor automotivo, será de: 18 anos para carros elétricos; 25 anos para carros movidos a hidrogênio; e 30 anos para novas tecnologias.

Exceções e salvaguardas

Além disso, os parlamentares do bloco europeu criaram salvaguardas que podem proteger seus agricultores da competição sul-americana.

O texto prevê que, caso um dos blocos adote medidas que prejudiquem o acordo, a outra parte poderá buscar soluções amigáveis e até suspender obrigações. Segundo o governo, isso protegerá os exportadores brasileiros.

Impostos

No Brasil, o governo federal deixaria de arrecadar os seguintes valores em impostos sobre produtos e serviços europeus: R$ 683 milhões em 2026, R$ 2,5 bilhões em 2027 e R$ 3,7 bilhões em 2028.

Conforme o Executivo brasileiro, as economias dos países do Mercosul e da União Europeia somam US$ 22,4 trilhões de dólares em produto interno bruno (PIB).

“É um dos maiores acordos bilaterais de livre comércio do mundo. É uma sinalização em favor do comércio internacional. Juntos, Mercosul e União reúnem cerca de 718 milhões de pessoas”, ressalta o governo.

A expectativa do governo é que a parceria desenvolva outras áreas, como:

  • geração de empregos;
  • desenvolvimento sustentável;
  • proteção trabalhista;
  • transparência pública;
  • solução de controvérsias;
  • regulação sanitária e fitossanitária,
  • subsídios, compras governamentais e propriedade intelectual.
Crédito da imagem: Agência Brasil