Reitor da ULO defende reforço no apoio para evitar abandono académico

O reitor da Universidade de Leiria e Oeste defendeu o reforço dos apoios aos estudantes para evitar que dificuldades económicas, pessoais ou de saúde interrompam os seus percursos académicos.

Na sessão de abertura do primeiro ano letivo da nova Universidade, realizada nesta quarta-feira (30/09), Carlos Rabadão destacou o alojamento, a alimentação, a acessibilidade, o apoio social e a saúde mental como condições essenciais à qualidade da experiência académica.

“Devemos continuar a reforçar os mecanismos de acompanhamento e apoio, para que dificuldades económicas, pessoais ou de saúde não interrompam um percurso de formação”, afirmou, deixando uma mensagem aos estudantes: “A quem atravesse uma dificuldade, quero dizer ‘procure apoio, fale connosco. Pedir ajuda é um passo importante para poder continuar’”.

Dirigindo-se à primeira geração de estudantes da Universidade de Leiria e Oeste, o reitor começou por desejar que encontrem na universidade “uma formação sólida e exigente, mas também oportunidades para experimentar, investigar, criar e desenvolver novas ideias” e sublinhou que a mudança de designação ganha sentido nas oportunidades criadas e na qualidade da experiência académica de cada um.

Nesse percurso, destacou a participação em projetos de investigação, inovação e empreendedorismo, a mobilidade internacional e o contacto com empresas e instituições.

“Contarão com o acompanhamento dos nossos docentes e com a dedicação dos nossos técnicos e dos nossos serviços”, afirmou, considerando que o percurso universitário “não deve ser visto apenas como uma preparação para uma profissão”, mas antes “um período de formação intelectual, humana e cívica, de descoberta e de crescimento”.
Para que as oportunidades “sejam reais”, o reitor considerou ser necessário olhar para “as condições em que cada estudante aprende e vive”.

“O alojamento, a alimentação, a acessibilidade, o apoio social e a saúde mental são parte da qualidade da experiência académica”, defendeu Carlos Rabadão, salientando que a ULO deve “continuar a reforçar os mecanismos de acompanhamento e apoio, para que dificuldades económicas, pessoais ou de saúde não interrompam um percurso de formação”.

Carlos Rabadão defendeu também que a transformação da instituição deve preservar a sua matriz de ciências aplicadas e a proximidade à região, reforçando, simultaneamente, a investigação, a formação avançada e os doutoramentos. A ambição passa por trabalhar com todos os municípios de Leiria e Oeste, incluindo aqueles onde a Universidade não dispõe de instalações.

Os próximos passos serão definidos no roteiro de instalação da Universidade para 2027–2030, cuja apresentação está prevista para o início do próximo ano. O documento resultará da Agenda de Transformação ULO 2035, num processo que prevê envolver mais de 1.200 participantes, através de 22 grupos multidisciplinares. Mais de mil pessoas já aceitaram participar, adiantou o reitor.

“Quando chegarmos a 2035, não será suficiente podermos afirmar que criámos uma Universidade. Teremos de ser capazes de demonstrar aquilo que fizemos com essa Universidade e o impacto que conseguimos gerar”, afirmou.

Para Carlos Rabadão, esse sucesso deverá ser avaliado pela qualidade do ensino e da investigação, pelo talento formado e atraído e pelo contributo para melhorar a vida das pessoas, mas também pela capacidade de reduzir o abandono e criar oportunidades em todo o território.

“Há desafios que não desapareceram”

As preocupações com a habitação, as condições económicas das famílias e a saúde mental marcaram também a intervenção de André, presidente da Associação Académica, que lembrou que “há desafios que não desapareceram com a criação da Universidade”.

“A habitação continua a ser uma preocupação para muitos estudantes, o acesso e a permanência no ensino superior continuam, em muitos casos, dependentes das condições económicas das famílias, a saúde mental continua a exigir respostas e a participação dos estudantes nas decisões da instituição continuará a depender não apenas da existência de lugares previstos nos regulamentos, mas da capacidade desses lugares terem voz”, alertou.

O dirigente defendeu que a mudança de estatuto traz uma responsabilidade acrescida perante os estudantes.
“Esperamos que a ambição que nos trouxe até aqui continue a existir agora que chegámos. Porque chegar a Universidade não pode ser o fim de um caminho. Tem de ser o início de uma nova exigência”, afirmou.

Perante as reformas no ensino superior, André Pereira sustentou que os estudantes devem participar na discussão e avaliar os efeitos das alterações no seu quotidiano.

“Podemos atualizar regulamentos, alterar regimes e criar novos modelos. Mas, no final, há uma pergunta que não pode deixar de ser feita: está mais fácil ou mais difícil ser estudante?”, questionou.

No balanço do primeiro ano de atividade, destacou a abertura de núcleos académicos em Pombal e Torres Vedras e o envolvimento de mais de 600 estudantes nas estruturas da Associação. O objetivo, explicou, é aproximar os diferentes polos e garantir que a distância não determina o sentimento de pertença à Universidade.

Fonte: www.diarioleiria.pt

Crédito da imagem: Luís Filipe Coito