Proteção Civil mantém alerta máximo em Coimbra apesar de cenário mais estável no Mondego

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANPC) admite que a situação hidrológica na bacia do Mondego está, neste momento, “um pouco mais estável e menos gravosa” do que o inicialmente previsto, mas alerta que o risco de inundação e de eventual evacuação da zona baixa de Coimbra se mantém até ao final do dia.

Em conferência de imprensa na sede da ANEPC realizada nesta sexta-feira (13), o comandante nacional de Emergência e Proteção Civil, Mário Silvestre, explicou que a gestão das descargas da Barragem da Aguieira tem sido feita com o objetivo de reduzir ao máximo o impacto da precipitação que continua a verificar-se naquela bacia hidrográfica.

“Estamos a tentar minimizar ao máximo o impacto da precipitação que continuou a ocorrer na bacia do Mondego, diminuindo assim a probabilidade de termos problemas na região da cidade de Coimbra”, afirmou.

Apesar da melhoria registada durante a noite, o responsável foi claro ao sublinhar que o risco não está afastado.

“Não estamos a dizer que não vamos ter problemas. Estamos a dizer que, neste momento, e com base naquilo que aconteceu durante a noite, temos uma situação um pouco mais estável, menos gravosa, mas o risco de termos de evacuar a zona baixa de Coimbra mantém-se”, avisou.

Risco significativo de inundação no rio Mondego

Mário Silvestre apelou ainda à população para manter comportamentos seguros e antecipar situações de risco, deixando um agradecimento público pela forma como os avisos têm sido cumpridos.

“Quero deixar um agradecimento especial a toda a população pela forma como tem interpretado os avisos que temos dado e pela forma responsável como tem reagido”, sublinhou.

Para esta sexta-feira, a Proteção Civil mantém risco significativo de inundação no rio Mondego. Também na bacia do rio Tejo, apesar de um decréscimo nas descargas das barragens espanholas, os caudais vão manter-se elevados ao longo do dia.

“É uma bacia muito maior e toda a água que cai chega mais tarde aos pontos de armazenamento, pelo que vamos manter uma vigilância muito apertada”, explicou o comandante nacional.

Segundo o comandante nacional, mantêm-se riscos significativos de inundação nos rios Sorraia e Sado, enquanto outros cursos de água — como o Minho, Lima, Cávado, Ave, Douro, Vouga, Lis, Nabão e Guadiana — continuam sob vigilância, embora com risco menos elevado.

A nível nacional, continuam ativados 12 planos distritais, 124 planos municipais e 15 declarações de situação de alerta, mantendo-se o Plano Especial de Emergência do Risco de Cheias da Bacia do Tejo no nível vermelho. Até ao momento, foram empenhados 58.964 operacionais, em 17.355 ocorrências, com o envolvimento de 24.100 meios.

A Proteção Civil indica ainda que as ocorrências mais frequentes continuam a ser quedas de árvores, inundações e movimentos de massa, com evacuações pontuais devido a derrocadas, nomeadamente em Sobral de Monte Agraço e em Ponte de Lima.

No setor energético, a ANEPC confirmou que cerca de 45 mil clientes continuam sem eletricidade, sendo 36 mil diretamente afetados pelo impacto da depressão Kristin na zona centro.

Apesar da previsão de melhoria do estado do tempo a partir de sábado, Mário Silvestre alerta que os efeitos hidrológicos vão prolongar-se.

“A água da precipitação não chega às barragens no momento em que chove, chega mais tarde. Só a partir do final de sábado ou domingo poderemos começar a aliviar as medidas”, concluiu.

Recomendações da Proteção Civil
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil reforça os apelos à população para a adoção de comportamentos de autoproteção, em especial nas zonas com risco de inundação:

– Não atravesse estradas ou zonas inundadas, mesmo que a água pareça pouco profunda;
– Evite a proximidade de rios, ribeiras e linhas de água;
– Não caminhe em áreas inundadas nem se aproxime para filmar ou tirar fotografias;
– Se estiver a conduzir, pare em local seguro, longe de linhas de água, e evite túneis e passagens inferiores;
– Em casa, feche portas e janelas e desligue o gás e a eletricidade;
– Mantenha-se nos andares superiores ou em pontos elevados, nas zonas com potencial de inundação;
–Se tiver de abandonar a habitação, leve apenas o essencial, nomeadamente medicamentos;
– Alerte as autoridades para fissuras no solo, quedas de árvores ou deslizamentos de terra;
– Não toque em cabos elétricos caídos e mantenha-se afastado, devido ao risco de eletrocussão.
– A Proteção Civil reforça que a situação ainda não está ultrapassada e que o cumprimento destas recomendações é fundamental para reduzir riscos para pessoas e bens.

Fonte: www.rr.pt

Crédito da imagem: António Cotrim / Lusa