Primeiro-ministro anuncia 275 novas viaturas para o INEM e segura ministra da Saúde

Luís Montenegro anunciou 275 novas viaturas para o INEM, no arranque do debate quinzenal, o primeiro do ano de 2026.

Num investimento de 16,8 milhões, haverá no país novas 63 ambulâncias, 34 VMER e 78 outros veículos, naquilo que o primeiro-ministro apelida de “maior investimento na última década”.

No últimos dez anos, segundo contas do governo, foram adquiridos apenas 100 veículos nos últimos, num investimento total de 4,8 milhões.

O discurso de abertura do primeiro-ministro no debate quinzenal foi dedicado aos casos que aconteceram nos últimos dois dias em que três pessoas morreram enquanto esperavam pela ambulância do INEM: Uma na Quinta do Conde, em Sesimbra, outra em Tavira e outra no Seixal.

O primeiro deputado a confrontar Luís Montenegro foi Pedro Pinto, do Chega, que atirou ao Governo e à ministra da Saúde, que estava sentada na bancada do Governo a tirar notas.

“Estas mortes significam que o estado social falhou, que o seu governo falhou e que estamos perante o colpapso total do SNS em Portugal. As suas politicas para a saúde são um desastre”, afirmou.

Pedro Pinto questionou Montenegro sobre o timing do anúncio: “Foi preciso morrerem três pessoas para arranjar mais camas? Foi preciso isto?” O deputado do Chega recordou as declarações da ministra da Saúde que disse que este iria ser um inverno duro. “Sabiam o que ia acontecer. Então isto só tem um nome, é incompetência da sua ministra e do seu governo.”

MINISTRA DA SAÚDE MANTÉM-SE NO GOVERNO

Luís Montenegro, em resposta ao deputado do Chega, garante que a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, continuará no governo, apesar de admitir que as três pessoas que nos últimos dias morreram à espera de uma ambulância “não tiveram o atendimento desejável, em termos de rapidez”.

O primeiro-ministro acusou ainda Pedro Pinto de ter um “discurso oportunista, que tira conclusões precipitadas”, numa altura em que “ninguém, em bom rigor e verdade, pode neste momento determinar” as causas das três mortes.

Luís Montenegro confirmou que foram adicionados, desde 2024, mais oito meios do INEM para a região de Lisboa e mais seis para a Península de Setúbal – meios esses que “integram a totalidade da disponibilidade das ambulâncias na região de LVT e Setúbal”. Já para a região Norte e Centro “não foi identificada uma necessidade acrescida”.

JOSÉ LUÍS CARNEIRO ACUSA GOVERNO DE “INSENSIBILIDADE” E “INCOMPETÊNCIA” NA SAÚDE

José Luís Carneiro foi o segundo deputado a interpelar o primeiro-ministro, acusando o governo de “insensibilidade” e “incompetência” na resposta aos problemas que o país enfrenta na área da Saúde.

Em resposta, Luís Montenegro acusou o secretário-geral do Partido Socialista de ter uma “retórica estudada”. “Para lhe responder basta apenas uma palavra: descaramento”, disse o primeiro-ministro.

Sobre o dispositivo especial de emergência pré-hospitalar, acrescentou ainda que, “com o decorrer do ano e com o avanço deste pico de necessidade por altura do final do ano de 2025 e do início de 2026, foi concluído que essa capacidade adicional era necessária em Lisboa e na Margem Sul e nesses locais a capacidade está esgotada”.

Montenegro acrescentou, em resposta a José Luís Carneiro, que o governo vai “investir o quádruplo” em veículos e dispositivos do INEM do que o PS investiu em oito anos, quando foi governo.

SITUAÇÃO DO INEM É UMA “EMERGÊNCIA DENTRO DA EMERGÊNCIA”, DIZ IL

Seguindo a mesma linha de confrontação, Mariana Leitão, presidente da Iniciativa Liberal, classificou a situação vivida no INEM como uma “emergência dentro da emergência”, acusando o Governo de manter um “sistema de emergência que expõe as pessoas ao risco”. Para a líder liberal, “o Estado falha na sua missão mais básica” e “o sistema está em colapso”.

Mariana Leitão criticou ainda o momento escolhido para o anúncio do reforço de meios, sublinhando que o primeiro-ministro “vem aqui anunciar ambulâncias que nós sabemos que já poderiam ter sido contratualizadas”.

Além da presidente da IL, Luís Montenegro foi também confrontado por Rui Tavares, porta-voz do Livre, e por Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, ambos centrando as suas intervenções nas fragilidades do sistema de saúde.

Rui Tavares afirmou que “estes cidadãos têm de ter uma resposta” e questionou diretamente o primeiro-ministro sobre a responsabilidade política pelas falhas registadas.

“Quem dá a cara? Se não é a ministra da Saúde, a responsabilidade política é sua?”, perguntou, acusando Montenegro de viver num “estado de negação” face à gravidade da situação.

Paulo Raimundo alertou para a falta de recursos humanos no INEM, lembrando que “as ambulâncias não andam sozinhas, é preciso técnicos para as operar”.

O secretário-geral do PCP questionou ainda o rumo da política de saúde do Governo: “O que é preciso acontecer mais acontecer para compreender que o seu caminho de desmantelamento do SNS é um erro para o país?”

Em resposta às críticas da oposição, Luís Montenegro reiterou a defesa da atuação do Governo e rejeitou a ideia de colapso generalizado do SNS. Em resposta direta a Mariana Leitão, disse que “ninguém diz que está tudo bem, mas é incorreto dizer que o SNS está em colapso, tal como é incorreto dizer que ele está a colapsar um pouco por todo o país”.

O primeiro-ministro voltou também a afastar qualquer cenário de saída da ministra da Saúde, garantindo que, na sua leitura, “a demissão não é a solução”.

Fonte e crédito da imagem: www.expresso.pt