Portugal tem a maior subida do preço das casas na União Europeia no segundo trimestre do ano

Os preços das casas em Portugal subiram a ritmo três vezes superior à média da União Europeia.

No segundo trimestre deste ano, o país registou o maior aumento homólogo dos 27 Estados-membros, com 16,5%, enquanto a média da UE fixou-se em 4,7%, segundo dados do Eurostat divulgados nesta quinta-feira (01).

A subida dos preços tem diminuído na União Europeia desde meados de 2025.

Em Portugal, apesar de os preços continuarem a escalar a dois dígitos, houve um ligeiro abrandamento nos primeiros dois trimestres deste ano.

Apesar deste abrandamento, Portugal foi o país com o maior aumento dos 27 Estados-membros. Segue-se a Bulgária (15,5%), Lituânia (14,3%) e Eslováquia (13,6%). Mas três países registaram uma queda nos preços: França, Luxemburgo e Finlândia.

Desde o início de 2025, o Portugal registou três vezes a subida mais acentuada da UE.

Também ao retirar o peso da inflação, Portugal está no topo da lista do aumento dos preços das casas em 2025. Os valores subiram 14,7%, o que significa que os preços estão a valorizar e não apenas a acompanhar uma subida da taxa de inflação. Apenas a Hungria (12%) teve também um crescimento a dois dígitos.

Aumento da oferta têm sido uma das palavras de ordem de todos os setores envolvidos na habitação. “A nossa agenda resume-se a uma frase muito simples: mais oferta, mais casas”, afirmava o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, conferência anual da Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios em 2025.

Apesar de o Governo liderado por Luís Montenegro garantir que o seu pacote para a habitação “Construir Portugal” está praticamente concluído, as medidas postas em prática não estão, para já, a conseguir travar a escalada dos preços. “As medidas do lado da oferta ainda não tiveram tempo para surtir efeito”, explicava ao Expresso o economista Pedro Brinca.

Uma das medidas que o setor acredita que pode incentivar a construção de habitação acessível e contribuir para uma estabilização dos preços das casas é a redução do IVA na construção de 23% para 6%.

Ainda assim, com um défice de 300 mil habitações, “não é possível resolver em um ou dois anos um défice desta magnitude”, afirma em entrevista ao Expresso Manuel Maria Gonçalves, diretor executivo da Associação de Promotores e Investidores Imobiliários.

Recentemente, o Governo levou ao Parlamento uma revisão da lei do arrendamento para trazer mais casas para o mercado. Em concreto, as 250 mil habitações vazias, que não precisam de obras, identificadas nos Censos de 2021.

Fonte: www.expresso.pt

Crédito da imagem: www.cmjornal.pt