Durante a onda de calor, houve mais 445 mortes do que seria esperado para esta época do ano em Portugal.
Uma atualização dos números provisórios do Sistema de Informação dos Certificados de Óbito (SICO), do Ministério da Saúde, mostram que a onda de mortalidade começou na passada quinta-feira, a 2 de julho, e que Portugal está já há sete dias consecutivos com mortes acima do esperado para esta época do ano.
Isso significa que os últimos sete dias foram considerados dias com mortes acima do esperado — ou seja, foram declarados mais óbitos do que em anos anteriores, em média, para esta altura do ano.
Segunda e terça-feira foram os dias 6 e 7 de julho com mais mortes desde que há registo, pelo menos desde 2014, e a onda de mortalidade deve continuar durante os próximos dias.
Em entrevista à Renascençae jornal Público no programa Hora da Verdade, a diretora-geral da Saúde, Rita Sá Machado, assumiu que Portugal não teria um “aumento muito significativo” da mortalidade em julho, com base em previsões do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).
Ainda assim, alertou a diretora-geral da Saúde, as ondas de calor “têm um impacto que não é imediato” e que só pode ser medido com maior exatidão após aproximadamente 15 dias.
Na entrevista, Rita Sá Machado avançou um excesso de 63 óbitosassociado a esta segunda onda de calor de verão, mas os números do SICO mostram um cenário pior.
Na última semana de junho, a Organização Mundial da Saúde (OMS) registou mais de 1.300 mortes adicionais relacionadas com altas temperaturas na Europa. A onda de calor não afetou o número de mortes em Portugal, já que não foi registado nenhum dia com excesso de mortalidade até ao final de junho.
Para o cálculo dos óbitos em excesso é considerado o número de óbitos esperados através de registos históricos, que excluem os períodos de pandemia e temperaturas extremas. É por isso que quando as temperaturas sobem, e as mortes também, se associa o aumento de mortalidade ao calor.
Para que um dia seja considerado de excesso de mortalidade, é necessário que ultrapasse o valor máximo estatisticamente esperado para essa mesma época, ou que a mortalidade se mantenha acima do limite de confiança a 95% durante dois dias consecutivos.
Até ao início de julho, Portugal atravessou seis ondas de calor— uma em fevereiro, duas em março, uma em abril, uma em maio e uma em junho —, com 59 dias no total, mas nenhuma foi associada a mortes em excesso. Com os dias de onda de calor em julho, 2026 prepara-se para ultrapassar o ano de 2025 em dias com onda de calor.
Fonte: www.rr.pt
Crédito da imagem: Fabio Frustaci / EPA