O Estudo de Análise de Sentimento dos Visitantes a Portugal, uma iniciativa do Turismo de Portugal, desenvolvido em parceria com a MINDHAUS, uma agência internacional especializada em estratégia e marketing de turismo, sediada na Grécia, que desenvolve investigação de mercado e inteligência turística, visa acompanhar, de forma sistemática e continuada, as intenções dos turistas internacionais em relação ao destino Portugal.
Os dados desta terceira vaga apontam para um sentimento altamente positivo, consolidando o país como o 4.º destino do Sul da Europa mais considerado pelos turistas estrangeiros, a par da Grécia, ficando atrás apenas de Espanha, Itália e França.
Fatores como a segurança, a autenticidade e a valorização da herança cultural e gastronómica continuam a ser determinantes na perceção dos visitantes.
A sessão contou com a participação de Sérgio Guerreiro, do Turismo de Portugall, Konstantinos Triantafillis e Katerina Moschandreou, da MINDHAUS e apresentou uma análise das perceções, intenções e comportamentos dos viajantes nos principais mercados emissores, com foco no mercado português, permitindo compreender melhor o perfil dos visitantes, as suas preferências em termos de destinos, alojamento e transporte, bem como as principais preocupações e expectativas associadas às viagens.

O que leva os viajantes a escolher Portugal em vez de outros destinos do sul da Europa? Quem está a planear visitar Portugal? O que influencia a escolha de destinos no sul da Europa? Como é que as mudanças climáticas estão a remodelar as decisões de viagem? Que destinos, alojamento e transportes preferenciais em Portugal? Qual a duração média da viagem e principais preocupações dos viajantes? Foram estas questões examinadas no encontro via online.
A análise dá conta que 65% dos viajantes planeiam visitar a Europa do Sul nos próximos 12 meses, uma redução de 5%, sendo as intenções de viagem mais elevadas entre os viajantes com idades compreendidas entre os 25 e os 44 anos.
No entanto, mais de três em cada cinco viajantes planeiam viagens com múltiplos destinos, sendo esta tendência mais acentuada entre os visitantes de longa distância provenientes do Canadá e do Brasil.
As experiências preferidas dos viajantes no Sul da Europa são o descanso (17%), a gastronomia autêntica (15%) e as paisagens naturais (14%).
A segurança (16%), os preços acessíveis (15%) e a hospitalidade da população local (15%) continuam a ser os principais fatores considerados na escolha de um destino no Sul da Europa.
Já o aumento dos custos (21%) e a situação financeira pessoal (14%) são as principais preocupações dos visitantes da região analisada, enquanto o impacto do conflito no Médio Oriente (15%) surge como uma fonte adicional e significativa de preocupação.

A incerteza em relação à Guerra no Médio nas decisões de viagem, não foram tão impactantes como se poderia prever, uma vez que 41% dos viajantes indicaram que continuarão a viajar para o estrangeiro, mas evitando destinos próximos da área de conflito, enquanto 19% afirmam que não irão alterar os seus planos.
Em sentido contrário, 14% admitem adiar viagens para mais tarde, 17% referem que poderão viajar apenas dentro do seu próprio país e 10% indicam que não irão viajar até ao fim do conflito. No entanto, o impacto não é homogéneo entre mercados: os viajantes dos EUA (33%), Itália (29%), Espanha (28%), França (28%), Brasil (27%) e Canadá (26%) são os que mais referem a possibilidade de evitar viagens ou privilegiar deslocações domésticas, enquanto esta proporção é menor nos Países Baixos (19%), Alemanha e Irlanda (21% em ambos os casos).
No caso de Portugal, 27% dos viajantes que planeiam viajar para o Sul da Europa indicam intenção de visitar o país, sendo mais elevadas entre os inquiridos do Brasil (46%), França (32%), Canadá (30%) e Espanha (28%). 66% dos viajantes que planeiam visitar o nosso país são recorrentes, dos quais 18% são fiéis que já visitaram Portugal pelo menos três vezes.
Quatro em cada cinco viajantes consideram Portugal um destino socialmente sustentável, com níveis ainda mais elevados entre visitantes anteriores, sendo o lazer a motivação mais forte para quase três em cada quatro viajantes, representando 74% das respostas, atingindo o pico entre os viajantes irlandeses (85%) e espanhóis (85%).
Seguem-se a visita a amigos e familiares (12%), a participação em eventos (9%) e as viagens profissionais (6%). Por outro lado, Cultura e Património (19%) e Sol e Praia (18%) são os principais tipos de viagem ao nosso país. As preferências variam por idade, com maior peso do sol e praia entre os viajantes mais jovens e maior relevância da cultura e património entre os visitantes com 45 ou mais anos.
Os motores de busca (15%) e os websites de viagens (14%) lideram o planeamento de viagens, enquanto as plataformas de inteligência artificial generativa continuam a ganhar relevância (10%). A utilização destas plataformas é mais expressiva entre os viajantes dos 18 aos 44 anos.
Mais viajantes planeiam visitar Portugal em setembro (21%) e outubro (10%). Já 38% das viagens ao destino são em família, sendo mais comuns entre viajantes dos 35 aos 54 anos, enquanto as viagens em casal atingem o pico entre visitantes com mais de 55 anos.

A análise indica ainda que 57% dos viajantes planeiam reservar de forma independente, e 39% já têm a viagem para Portugal total ou parcialmente reservada (+5%), 81% irão fazê-la de avião, enquanto de Espanha (45%) e de França (18%) são mais propensos a viajar de carro.
Em relação aos meios de alojamento, os hotéis continuam a ser a principal opção para metade dos viajantes, seguidos dos alojamentos de curta duração/local (25%). As estadias de 4 a 6 noites são a opção mais popular entre os viajantes (37%), enquanto estadias mais longas são especialmente comuns entre os que procuram férias de Sol e Praia.
No orçamento previsto, 44% dos viajantes indicam uma despesa entre 1.000€ e 2.000€ por pessoa, incluindo alojamento, transporte e atividades.
Refira-se que o Estudo de Análise de Sentimento dos Visitantes a Portugal, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), foi realizado em maio de 2026, em 10 mercados emissores, e abrange o período de viagens entre junho de 2026 e maio de 2027.
No total, foram auscultados cerca de 6.680 viajantes com idades compreendidas entre os 18 e os 64 anos. Esta análise é realizada em duas vagas por ano, ao longo de três anos, assegurando uma monitorização regular e atualizada da evolução do sentimento dos visitantes.
Fonte e crédito da imagem: www.publituris.pt