A região do Porto e Norte está cansada de falsas promessas sobre o crescimento da TAP no aeroporto Francisco Sá Carneiro, mas está disposta a dar uma derradeira chance à companhia aérea, atualmente liderada por Luís Rodrigues.
“A TAP promete agora um olhar diferente para a região. Julgo que será porventura a última oportunidade de poder acreditar na TAP”, afirmou Luís Pedro Martins, presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP), durante o balanço do ano de 2025 na região feita à imprensa, no último dia 11, à margem do congresso da AHP, que se realizou na Alfândega do Porto.
Luís Pedro Martins relembrou que todas as promessas feitas por anteriores direções da TAP até hoje não foram cumpridas. “Tivemos CEO da companhia que chegaram ao Porto e era tal a informação e as novidades que nos davam sobre o crescimento que queriam da TAP no aeroporto [Francisco Sá Carneiro] que chegamos a temer que fossem fechar [o aeroporto de] Lisboa”, referiu.
Contudo, deixou elogios ao atual CEO, Luís Rodrigues, por ter tido o cuidado de ser “o primeiro a vir falar com as regiões e sem falar em promessas”, salientando que em 2025 não podia ter crescido mais no aeroporto Francisco Sá Carneiro devido aos planos de reestruturação, que impediram novas slots e a aquisição de novas aeronaves.
“Mesmo assim conseguimos a ligação Boston-Porto que passa a ser regular. 2025 foi o início de uma nova realidade, de uma aposta diferente da TAP, a passagem do voo de Boston regular, a ligação a Telavive, que é muito inteligente por parte da TAP, porque tínhamos essa ligação antes da pandemia com uma companhia israelita com quatro voos semanais e a TAP julgo que numa antecipação quer ocupar agora esse espaço”, sublinhou.
O presidente da TPNP destacou ainda o “anúncio muito interessante” de quatro novas rotas da TAP a partir de 2027, para o mercado de longa distância, mencionando apenas as ligações ao Brasil e Estados Unidos, além do investimento em infraestruturas na companhia. “Tudo isto são boas notícias se forem de facto realizadas”, afirmou.
O aeroporto Francisco Sá Carneiro serve uma região da qual saem 40% das exportações do país e que no último ano recebeu 17 milhões de movimentos.
“Há 35 anos o melhor crescimento do aeroporto tinham sido 400 mil movimentos. Agora são 17 milhões. Está com cerca de 130 rotas a operar, obviamente, muito para a Europa, mas também já conseguiu uma operação muito interessante para fora dela. Acho que está tudo dito sobre o crescimento deste aeroporto”, referiu.
No acumulado entre janeiro e dezembro a região do Porto e Norte recebeu um total de 14,7 milhões de dormidas, das quais 5,4 milhões do mercado interno, com um crescimento de 4,5% em relação ao ano anterior e receitas de aposento de 1,1 mil milhões de euros, um aumento de 9% face a 2024.
“Não é que haja aqui alguma guerra de rankings entre as regiões, antes pelo contrário, vivemos um período bastante bom no que diz respeito ao relacionamento entre as regiões do país, mas quando os números são assim tão significativos, acho que também ninguém leva a mal que os possamos assinalar”, sublinhou.
Em relação aos mercados externos, Espanha continua a liderar, com os norte-americanos a ocuparem a segunda posição com uma subida de 6,4% em relação a 2024, com os vizinhos canadianos entrarem no top-10 da região com um crescimento de 9%. Dentro dos mercados europeus, registaram-se crescimentos muito significativos nos Países Baixos (8%) e na Irlanda (9%).
“Deixei para o fim o Reino Unido que ultrapassou um mercado que era sempre muito forte na região, que era o alemão, e está muito próximo do mercado francês. Ou seja, o Reino Unido ocupa hoje a quarta posição com um crescimento de 13,6%”, afirmou Luís Pedro Martins.
Fonte e crédito da imagem: O Jornal Económico / Portugal