Paulo Rangel admite possibilidade de cessar-fogo na Ucrânia ainda este ano

Quatro anos após o início da invasão russa, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, admite que pode haver condições para um cessar-fogo na Ucrânia ainda este ano.

O governante defende que, embora uma solução perfeita pareça distante, o enfraquecimento da economia russa pode abrir portas a negociações de paz mais sólidas.

Em entrevista à Renascença, o ministro português considera que um acordo poderá não resolver definitivamente o conflito, mas pode representar um passo importante para restaurar a estabilidade na Europa. Rangel sublinha também a necessidade de a União Europeia participar diretamente nas futuras conversações de paz.

“Pode não ser uma saída perfeita, mas um passo para a paz

O ministro dos Negócios Estrangeiros no dia em que se assinalam quatro anos desde o início da invasão russa, admitiu que uma solução definitiva ainda parece distante, mas que um acordo parcial pode representar um primeiro passo para novas conversações, “sinceramente, também por causa das sanções, também por causa da asfixia da economia russa, haveria condições para este ano ter uma saída. Pode não ser uma saída perfeita, mas um cessar-fogo que permita avançar para outro tipo de conversações”, afirmou o ministro.

“A Ucrânia tem de estar de igual para igual” nas negociações

Rangel sublinhou que o progresso nas negociações depende de a Ucrânia participar “de igual para igual” com a Rússia e insistiu na necessidade de a União Europeia, bem como outros parceiros europeus, como o Reino Unido e a Noruega, estarem presentes nas futuras conversações.

“É necessário que a Ucrânia esteja exatamente na mesma posição em que está a Rússia. Além disso, quando se tratar das garantias de segurança e do regime futuro do Estado ucraniano, a União Europeia também deve estar à mesa”, referiu.

O ministro criticou a Federação Russa por recorrer, segundo disse, a “pretextos constantes” para evitar avanços diplomáticos, considerando “absolutamente criticável e condenável” a recusa de Moscovo em aceitar negociações.

Paulo Rangel defendeu ainda a necessidade de um “novo acordo de Helsínquia” para redefinir os termos de segurança na Europa e garantir estabilidade duradoura no continente. Na sua perspetiva, a China deverá assumir um papel mais ativo na mediação.

“É preciso renegociar os termos da segurança na Europa. A China tem condições de influenciar a Rússia e é pena que não o faça de um modo mais assertivo”, sublinhou.

Portugal preparado para apoiar a reconstrução da Ucrânia

Questionado sobre o papel de Portugal, o ministro afirmou que o país poderá contribuir para a reconstrução económica da Ucrânia, bem como para missões de segurança, desde que integradas num acordo de paz “robusto e sustentável.

Portugal pode intervir claramente no domínio da reconstrução, mas só no quadro de um acordo de paz com solidez, como os que temos hoje no Báltico ou na Roménia”, declarou.

Rejeição do “Board of Peace” criado por Donald Trump

Rangel descartou, porém, qualquer participação portuguesa no “Board of Peace” criado pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump, argumentando que o órgão não tem legitimidade por não estar enquadrado nas Nações Unidas.

“O Board of Peace só faz sentido ao abrigo de uma resolução das Nações Unidas. É um instrumento que não tem condições para atuar neste conflito ou noutros”, disse.

Fonte: www.rr.pt

Crédito da imagem: Daniel Rocha / Público