Paramount mais próxima de adquirir Warner Bros depois de Netflix ter recusado aumentar oferta

A Paramount está mais perto de adquirir a Warner Bros Discovery depois da Netflix ter anunciado nesta quinta-feira (26) que recusou aumentar a sua oferta.

A Warner Bros adiantou, na quinta-feira, que a mais recente proposta da Paramount Skydance é superior à apresentada pelo serviço de streaming pelo que terá o direito de rescindir o acordo de fusão estabelecido com a Netflix.

A Warner Bros disse também que o acordo de fusão com a Netflix “mantém-se em vigor” e que o Conselho de Administração “continua a recomendar a conclusão da transação” com a Netflix.

“A Netflix tinha recebido anteriormente um aviso da Warner Bros. Discovery informando que o seu Conselho de Administração determinou que a última proposta da Paramount Skydance constitui uma “Proposta Superior” nos termos do acordo de fusão existente entre a Warner Bros e a Netflix”, disse a empresa de streaming.

Numa resposta assinada pelos co-CEO da Netflix, Ted Sarandos e Greg Peters, foi referido que a transação que foi negociado pelo serviço de streaming e a Warner Bros “teria criado valor” para os acionistas com um “caminho claro” para a aprovação regulatória.

“No entanto, sempre fomos disciplinados e, pelo preço exigido para igualar a última oferta da Paramount Skydance, o negócio deixa de ser financeiramente atrativo, pelo que estamos a recusar igualar a oferta da Paramount Skydance”, confirmaram, na quinta-feira, Ted Sarandos e Greg Peters.

“A Warner Bros. é uma organização de classe mundial e queremos agradecer a David Zaslav, Gunnar Wiedenfels, Bruce Campbell, Brad Singer e ao Conselho da WBD por terem conduzido um processo justo e rigoroso”.

“Acreditamos que teríamos sido excelentes administradores das marcas icónicas da Warner Bros. e que o nosso acordo teria fortalecido a indústria do entretenimento, preservando e criando mais postos de trabalho na área da produção nos Estados Unidos. Mas esta transação sempre foi um “bom diferencial” a um preço justo, não uma “necessidade” a qualquer custo”, assinalaram os co-CEO da Netflix.

Os co-CEO da plataforma de streaming referiram que o negócio “é saudável, forte e está a crescer organicamente”, impulsionado pelo catálogo e pelo serviço de streaming de primeira linha. “Este ano, investiremos aproximadamente 20 mil milhões de dólares em filmes e séries de qualidade e expandiremos a nossa oferta de entretenimento. Em consonância com a nossa política de alocação de capital, retomaremos também o nosso programa de recompra de ações”, salientaram Ted Sarandos e Greg Peters.

“Continuaremos a fazer o que temos feito há mais de 20 anos como empresa de capital aberto: encantar os nossos subscritores, expandir o nosso negócio de forma rentável e gerar valor para os acionistas a longo prazo”, adiantaram Ted Sarandos e Greg Peters.

Warner Bros considera que proposta da Paramount Skydance é superior à da Netflix

Esta resposta da Netflix surge depois da Warner Bros ter anunciado na quinta-feira que o seu Conselho de Administração (o “Conselho”), após consulta com os seus assessores financeiros e jurídicos independentes, determinou que a última proposta apresentada pela Paramount Skydance constitui uma “Proposta Superior da Empresa”, face ao acordo de fusão que já existia entre a Netflix e a Warner Bros.

A mais recente oferta da Paramount Skydance foi de 31 dólares por ação da Warner Bros, em dinheiro, “acrescido de uma taxa diária de negociação equivalente a 0,25 dólares por ação por trimestre, a partir de 30 de setembro de 2026, bem como uma taxa regulatória de rescisão de sete mil milhões de dólares a ser paga pela Paramount Skydance caso a transação não seja concluída devido a questões regulatórias, o pagamento pela Paramount Skydance da taxa de rescisão de 2,8 mil milhões de dólares que a WBD seria obrigada a pagar à Netflix para rescindir o atual acordo de fusão com a Netflix, uma obrigação de Larry J. Ellison e um fundo fiduciário associado de contribuir com financiamento adicional de capital próprio na medida necessária para garantir o certificado de solvência exigido pelos bancos credores da Paramount Skydance, e uma definição de “Efeito Adverso Material da Empresa” que exclui o desempenho do segmento de Redes Lineares Globais da Warner Bros Discovery”, referiu a Warner Bros.

A 5 de dezembro foi anunciado um acordo entre a Netflix, e a Warner Bros Discovery em que ficava definido que o serviço de streaming adquiriria a Warner Bros., incluindo os seus estúdios de cinema e televisão, a HBO Max e a HBO. O negócio envolvia dinheiro e ações, num valor de 27,75 dólares (23,68 euros) por ação da Warner Bros Discovery (sujeita a um mecanismo de proteção), com um valor total da empresa de aproximadamente 82,7 mil milhões de dólares, ou 70,5 mil milhões de euros.

Contudo a Paramount Skydance avançou dias depois com uma oferta hostil de 30 dólares (25,60 euros) por ação, totalizando 108,4 mil milhões de dólares, ou 92,4 mil milhões de euros, para adquirir a totalidade da Warner Bros Discovery.

A Warner Bros disse ainda que notificou a Netflix de que esta proposta da Paramount Skydance é “superior” à da Netflix.

“Nos termos do acordo de fusão com a Netflix, este aviso inicia um período de quatro dias úteis durante o qual a Netflix tem o direito de propor revisões ao acordo de fusão, de modo a que a proposta da Paramount Skydance deixe de constituir uma “Proposta Superior da Empresa”.

Após o termo deste período, se o Conselho de Administração determinar, de boa-fé, após consulta com os seus consultores financeiros e jurídicos independentes, que, após considerar quaisquer revisões aos termos do acordo de fusão com a Netflix propostas pela Netflix, a proposta da Paramount Skydance continua a constituir uma “Proposta Superior da Empresa”, a Warner Bros terá o direito de rescindir o acordo de fusão com a Netflix”, esclareceu a Warner Bros.

A Warner Bros disse ainda que o acordo de fusão com a Netflix “mantém-se em vigor” e que o Conselho de Administração “continua a recomendar a conclusão da transação” com a Netflix, “sem ter retirado ou modificado a sua recomendação”.

Contudo ainda fica pendente a aprovação do negócio pelos reguladores.

Fonte e crédito da imagem: O jornal Económico / Portugal