A urgência de vitória neste primeiro “mata-mata” para garantir a sobrevivência no Mundial pode levar o selecionador de Portugal, Roberto Martínez, a dar um outro retoque no onze para o confronto com a Croácia, a ser disputado nesta quinta-feira (02), em Toronto, no Canadá (às 00h00 da madrugada de quinta para sexta-feira, hora Lisboa; às 20h de quinta-feira, hora Brasília).
Perspectivando um onze provável, Diogo Costa, Rúben Dias e Renato Veiga são absolutos indiscutíveis, assim como o lateral-esquerdo Nuno Mendes.
À direita, João Cancelo parte novamente como favorito, apesar da gestão feita nas segundas partes – e da boa entrada de Diogo Dalot face à Colômbia.
Será fundamental que os laterais tenham outra liberdade para exercer movimentos de aproximação ao ataque (na criação, combinação e cruzamento no último terço) para que a equipa não fique tão amarrada quanto vimos no primeiro tempo com a seleção “cafetera”.
A seu lado, Vitinha também se deve manter como titular, com Bruno Fernandes a buscar as entrelinhas e movimentos nos meios-espaços mais adiantados.
Ainda assim, não é totalmente descartável que Bernardo Silva seja aposta neste jogo, mais por dentro ou atuando a partir da direita.
E daí surgem as dúvidas na constituição dos flancos, ainda que a exposição que a Croácia costuma ter nas costas da linha defensiva (em particular, dos laterais), possa pedir uma aliança entre criatividade e vertigem.
Veremos se se mantém a aposta em perfis assimétricos (com um extremo mais puro como Pedro Neto e outro mais próximo da definição de segundo avançado, como João Félix) ou se teremos um jogador mais associativo a partir da direita (Bernardo, Trincão…) e outro de explosão à esquerda (com Rafael Leão ou a passagem de Neto para esse flanco).
Francisco Conceição não é hipótese a descartar, mas tudo leva a crer que Pedro Neto parte na pole position à direita e o lado oposto será ocupado por Félix ou Leão.
Cristiano é sagrado como titular na mente e prática de Martínez, por mais incentivos que dê a Gonçalo Ramos nos treinos.
O que esperar da Croácia?
Partindo de uma base em 4-2-3-1, mas com variações pontuais para um 3-4-2-1 e podendo definir linha de 5 mesmo usando o sistema mais comum, a Croácia já não tem o mesmo registo imponente a partir do meio-campo e com ligação fluida entre setores de outras grandes campanhas (vice-campeão mundial em 2018 e medalha de bronze em 2022), mas continua a saber desenvolver jogo, sobretudo a partir da capacidade de passe de Modrić e Kovačić, que se mantêm como titulares indiscutíveis.
Em organização defensiva, e independentemente do ajuste tático escolhido (ou com três centrais de raiz ou fechando com um dos alas), é uma equipa que procura estar compacta, ainda que a tentação dos laterais saltarem na pressão leve a que o espaço nas costas possa ser explorado em saídas rápidas da turma portuguesa.
A transição defensiva tem, portanto, algumas deficiências, também por via da menor capacidade de recuperação atempada dos elementos da linha intermediária.
Os médios de base são os mesmos de sempre, com a provável presença do mais vertical Petar Sučić (belo golo de meia-distância ao Gana) uns metros mais adiante e com Nikola Vlašić a poder partir da direita para fazer movimentos de trás para a frente.
Do lado esquerdo do ataque, dúvida entre o talentoso e criativo Baturina e o veterano, mas ainda cheio de resistência física, Perišić, sendo que no centro do ataque deve continuar o possante Ante Budimir, autor de um golo decisivo com o Panamá, tendo ele boas alternativas como Musa, Matanović ou Kramarić.
Portugal tem de procurar ser uma equipa mais junta, quer nos momentos com bola, quer sem o esférico.
Terá de saber ter mais paciência a elaborar, trabalhando dinâmicas mais associativas a partir da esquerda (se se confirmar parceria Nuno Mendes-Félix), soltando Cancelo ofensivamente, deixando Vitinha de frente para o jogo, sempre com apoios próximos e fazendo avançar João Neves para o assalto à área adversária.
Jogadores como Francisco Conceição, Trincão, Gonçalo Ramos ou até Gonçalo Guedes não podem continuar condenados a um ostracismo futebolístico que não beneficia ninguém.
A equipa portuguesa, por outro lado, não pode ser permissiva para com o futebol de toque dos médios croatas, não pode manter as distâncias entre setores difíceis de remediar, até pela qualidade a ligar jogo da Croácia.
Não esquecendo que se exige um controlo exímio da bola parada defensiva, de forma a contrariar uma das armas de maior potencial da seleção balcânica – com Modrić na marcação.
Fonte: www.rr.pt
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