O selecionador nacional, Roberto Martínez, confirmou a saída do cargo após a eliminação do Mundial 2026.
O treinador assume que chegou “ao fim de ciclo” e que “é legítimo” que o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, queira “escolher o seu treinador.”
“Levo comigo as memórias, espero que o povo também tenha boas memórias destes três anos e meio. Sem ganhar o Mundial, não faz sentido continuar”, disse o treinador.
Saída: “É o meu último jogo pela seleção nacional. Levo comnigo uma memória para toda a vida. Foi incrível, uma palavra de agradecimento ao povo português.”
Sente que tinha condições para continuar? O que lhe disse Pedro Proença? “É o fim do ciclo, é importante ter outra voz. É legítimo que o presidente possa escolher o seu selecionador, é legítimo. Agradeço a esta direção pelo apoio e pelo que fizeram para me dar todas as condições. Agraço essa força, mas é o fim de um ciclo. Levo comigo as memórias, espero que o povo também tenha boas memórias destes três anos e meio.”
Decisão de saída estava acertada com a federação antes do Mundial? “Não estava nada fechado. O foco era o Mundial. Cheguei a Portugal para ganhar o Mundial. Sem ganhar, não faz sentido continuar. Agora, o presidente pode escolher o seu selecionador. Sempre apoiou o meu trabalho, mas o meu contrato termina hoje. Não há muito mais que falar.”
O motivo de manter Ronaldo e não colocar Ramos? “O Cristiano está totalmente capaz fisicamente, é difícil tirá-lo quando precisamos de um golo. A experiência dele é importante, o prolongamento era a altura ideal para usar o Gonçalo Ramos, a sua energia. Não fazia sentido tirar o nosso maior goleador.”
A despedida de Ronaldo: “Foi um capitão exemplar. Cheguei a Portugal num momento de muita confusão e dúvida sobre o papel dele. Foi um exemplo. Não só a nível de golos, a estatística fica aí, mas o seu compromisso, a forma como vive o futebol. É um exemplo que temos de celebrar. É um ícone do futebol, não é há muitos Cristianos Ronaldos. Tinha o sonho de vencer o Mundial, deu um grande exemplo.”
Análise do jogo: “Faltou sorte, o que faz parte. A bola foi na barra. O resultado é o que fica e ficamos muito tristes. Estou muito orgulhoso pelo desempenho, por tudo o que os jogadores fizeram. Fomos de olhos nos olhos frente à Espanha e conseguimos fechar tudo o que a Espanha gosta.”
O Bruno Fernandes apontou alguns erros táticos: “Queremos ser sempre perfeitos, temos muita capacidade com bola. Fizemos isso na primeira parte, queríamos chegar ao último terço, mas o adversário também teve bom desempenho. Tivemos um pouco de azar, merecíamos o prolongamento e aí teríamos outra dinâmica.”
Balanço do Mundial: “Queríamos fazer oito jogos, é normal ter um sentimento de tristeza. Acho que merecíamos outra sorte. Acho que foi o nosso jogo mais completo no Mundial.”
Proença definiu objetivo mínimo chegar às meias-finais: “Não se trata de onde queremos chegar. Queríamos vencer. Posso valorizar o trabalho dos jogadores, todos os dias deram tudo pela seleção. Isto faz parte do futebol, não vale a pena valorizar chegar aos ‘quartos’ ou às ‘meias’, era ganhar ou não ganhar.”
Fonte: www.rr.pt
Crédito da imagem: Christopher Neundorf / EPA