Mundial 2026. Martínez e o duelo com a Espanha: “O importante não é o aspeto técnico-tático, é mais a personalidade”

Roberto Martínez acredita que é a personalidade, mais que os aspetos técnico-táticos, que vai fazer a diferença no Portugal-Espanha dos oitavos de final do Mundial 2026.

“O importante diria que não é o aspeto técnico-tático, que todos conhecemos bem. Amanhã [segunda-feira] é um aspeto mais de personalidade, de poder estar confortável com a importância do jogo e podermos ser nós mesmos. É isso que é importante”, afirma, este domingo, em conferência de imprensa.

Portugal defronta a Espanha, na luta por um lugar nos quartos de final nesta segunda-feira (06), em Dallas (às 20h, horário Lisboa; às 16h, horário de Brasília).

Segundo Mundial

Quando chegamos ao Mundial, era tentar crescer muito, utilizar os jogos para preparar todos os jogadores e fizemos isso. A nossa ideia era ganhar todos os jogos e tentar ganhar o grupo.

Mundial não é assim. O Mundial é tentar melhorar, experimentar aspetos, alinhar conceitos. E o caminho, já falei disso, não consegues escolher. Tens de dar o melhor nível dentro do caminho que chega. E agora estamos focados para os oitavos de final desta competição.

Defrontar a seleção do seu país

O meu caso é diferente, porque eu nunca trabalhei em Espanha. Parece incrível, eu vivi 21 anos no Reino Unido, vivi 21 anos em Espanha, sete anos na Bélgica e três anos e meio em Portugal. Então a minha casa é onde tenho a família e onde tenho a missão.

Para mim é estar muito perto dos jogadores, muito perto do que representa a nossa seleção. Agradecer a força e tudo aquilo que tivemos em Toronto, do povo português, foi incrível. Quase meio milhão de portugueses que estão no Canadá e a força foi incrível. E é isso, é a paixão da seleção, que significa muito.

Respeitamos muito o adversário. A Espanha é uma equipa muito, muito boa, com uma ideia muito clara. Concordo que as duas equipas são melhores com bola. Precisamos de bola, precisamos de defender com bola. Utilizamos a bola para acentuar a qualidade individual dos nossos jogadores.

Mas amanhã (06) é importante ter desempenhos completos. As duas equipas precisam de ser muito boas sem bola, precisam de ajustar, de defender rápido as transições. Já vimos na final da Liga das Nações que as duas equipas com bola conseguem chegar à baliza. Conseguem criar oportunidades. Acho que o 2-2 foi um resultado curto. E acho que o jogo amanhã vai ser igual.

Precisamos de personalidade. Precisamos de personalidade para poder manter o nível, para poder manter o jogo todo uma intensidade alta. E poder utilizar a totalidade do grupo. É um jogo em que a intensidade precisa de frescura, precisa que os jogadores que entram do banco acrescentem. E acho que é um jogo de personalidade, para poder manter a ideia de jogo que as duas seleções têm.

Gonçalo Ramos e Cristiano Ronaldo na frente?

Precisamos de falar do adversário, mas também dos momentos do jogo. A primeira parte foi muito boa contra a Croácia, muito boa. Mas quando és superior e o adversário marca, é um momento em que precisávamos de mudar a dinâmica e era importante ter dois avançados nesse momento para chegar na baliza, para poder condicionar os centrais.

Depois, quando marcamos, é um jogo diferente. A Croácia já é uma equipa que também utiliza a bola muito bem e precisamos ajustar na zona do meio-campo. Não podíamos jogar com inferioridade numérica. É um momento tático que não podíamos jogar com dois avançados.

Em relação aos momentos do jogo, em relação ao adversário, em relação àquilo de que estamos à procura, o que é importante é que todos os jogadores acrescentem. Todos os jogadores estão preparados para ajudar a equipa, temos muita flexibilidade, a equipa já consegue utilizar padrões de ataque com dois avançados, com um ponta de lança, com três números 10, com jogadores por fora, jogadores por dentro, a pé trocado… É

isso o trabalho que fizemos durante três anos e meio. Seria um ponto fraco para nós limitar o nosso jogo a um padrão ofensivo, a um aspecto tático. A nossa força é a flexibilidade que nós temos, todos os jogadores estão preparados. Os 21 jogadores de campo que já estiveram no campo e o Gonçalo Inácio e o Gonçalo Guedes, que acredito muito neles, se precisarem de ajudar a equipa, estão também preparados.

Diogo Costa

Durante o percurso num Mundial, é importante sempre olhar para a frente e olhar para o próximo adversário. O que fizemos contra a Croácia, contra a Colômbia, contra o Congo, contra o Uzbequistão, foram passos. Isso ajuda muito a crescer.

O Diogo Costa está num momento fantástico, precisamos dele. O que é importante é que a equipa sabe sofrer, a equipa sabe manter o nível até o fim e é isso que é importante e ajuda muito para jogar os oitavos de final. Não estamos aqui para enfrentar a Espanha, estamos aqui para estar ao melhor nível, para que Portugal possa ter o melhor desempenho nos oitavos do Mundial.

Todos os jogos são diferentes, mas sem dúvida que estamos agora mais preparados para estar ao melhor nível que quando chegámos a Houston.

Mudanças no onze

Não é falar da saída de um jogador, isso não é como nós trabalhamos, é ao contrário. O que um jogador pode acrescentar, todos os nossos jogadores, já falei disso, são incríveis com o seu compromisso para a seleção e para a equipa, e precisamos de utilizar isso.

Certamente que jogar contra a Espanha não é o mesmo que jogar contra a Colômbia ou provavelmente a Croácia, que é uma equipa que também gosta de bola, mas nós precisamos de ajustar aquilo que possa ajudar os nossos jogadores a fazer a diferença.

Essa é a ideia com que continuamos e precisamos de fazer isso durante o jogo. Mas posso dizer que todos os jogadores treinaram bem esta manhã, estamos todos preparados e o foco é sempre relembrar que o logro individual do jogador na seleção é estar aqui. E depois, estamos para ajudar o logro coletivo.

Final da Liga das Nações

Estamos mais focados no que fizemos no último jogo e também no que fizemos neste Mundial. É mais o contexto. A Espanha tem a mesma ideia de jogo e isso faz sentido, mas são jogadores diferentes. E o importante diria que não é o aspecto técnico-tático, que todos conhecemos bem. Amanhã é um aspeto mais de personalidade, de poder estar confortável com a importância do jogo e podermos ser nós mesmos.

É isso que é importante. Temos um adversário espetacular, mas acho que o aspeto mais importante de amanhã é relembrar aquilo que nós podemos fazer e ter a personalidade para desfrutar do momento, porque estar nos oitavos de final deste Mundial merece isso.

O que muda na preparação para a Espanha

Quando preparamos o Mundial, preparamos os três jogos da fase de grupos. Agora chega outro Mundial, é uma fase de tudo ou nada, e a equipa prepara-se mais de portas para dentro, sempre com grande respeito em relação ao adversário. Para chegar a este nível é preciso ser competitivo. E neste caso, somos dois países vizinhos, quase irmãos. É uma festa do futebol ibérico. É uma pena que se enfrentem já neste nível, seria uma final fantástica.

Cristiano Ronaldo vs. Lamine Yamal

São jogadores completamente diferentes. Estamos a falar de um jogador muito jovem que mostra que é capaz de carregar com a pressão de uma equipa inteira e fazer as coisas acontecer quando parece mais improvável. E estamos a falar de uma figura icónica do jogo em si, a longevidade que ele tem fala por si mesmo. São jogadores de diferentes posições. Podem compartilhar essa capacidade de afetar os momentos em que ganham jogos. Mas estão em momentos completamente diferentes das suas carreiras.

Fonte: www.rr.pt

Crédito da imagem: Miguel A. Lopes/EPA