O músico Jorge Palma, um dos cantores e compositores mais marcantes da música portuguesa contemporânea, morreu nesta segunda-feira (21) aos 76 anos, anunciou a família esta terça-feira.
Conhecido por grandes clássicos da música portuguesa como “Encosta-te a Mim” (2007), “Deixa-me Rir” (1985) e “A Gente Vai Continuar” (1991), o artista começou a cancelar concertos a partir do verão do ano passado por motivos de saúde.
O artista, com mais de 50 anos de carreira, morreu na sequência de uma paragem cardiorrespiratória, segundo o comunicado dos familiares.
Nascido em Lisboa, em 1950, Jorge Palma começou aos seis anos a tocar piano em casa e a ter aulas de música, tendo ingressado no Conservatório de Música de Lisboa aos 10.
Em 1963, ficou em segundo lugar num concurso internacional de piano, no Festival Juventudes Musicais, em Palma de Maiorca, Espanha, onde foi também distinguido com uma Menção Honrosa. Aos 14 anos, começou a interessar-se pelo rock, principalmente pelos The Beatles e The Rolling Stones.
Os anos 1970 marcaram o início da fama, como cantor pop-rock, no grupo “Sindicato”, que tocou na primeira edição do festival de Vilar de Mouros, em 1971, e dos Black Boys.
Pouco depois, em 1973, foi convocado para o serviço militar, mas decidiu abandonar o país e instalar-se na Dinamarca.
Em 1974, após o 25 de Abril, regressou a Portugal e começou a trabalhar como orquestrador e, no ano seguinte, editou o primeiro álbum, “Como uma viagem na palma da mão”, criado numa altura em que o músico estava “muito influenciado pelo rock sinfónico.
Ainda na década de 1970, trocou Lisboa por Paris, onde toca nas ruas e no metro, cantando sobretudo Bob Dylan, Paul Simon, James Taylor, Crosby, Stills and Nash e “bluegrass”. Já em 1980 dedicou-se aos estudos e, em 1991, gravou “Só”, a primeira coletânea da carreira com canções das décadas anteriores.
Do alinhamento fazem parte, por exemplo, “Bairro do amor” (1977), “Na terra dos sonhos” (1980), “O meu amor existe” (1982), “Estrela do mar” (1984), “Deixa-me rir” (1985) e “Frágil” (1989).
Seguiram-se “Norte” (2004), “Voo nocturno” (2007) e “Com todo o respeito” (2011). O álbum mais recente, o derradeiro, “Vida”, foi editado em 2023.
“O meu público foi crescendo devagarinho. Não fui aquele gajo que teve um êxito estrondo”, disse à Renascença Jorge Palma, no programa “Musica.pt” de Carlos Bastos.
Ainda em 2020, Jorge Palma recebeu a medalha de mérito cultural da Câmara Municipal de Lisboa, no final de um concerto de celebração dos seus 70 anos, e foi condecorado pelo então Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, como comendador da Ordem do Infante D. Henrique.
Em abril deste ano, foi distinguido com o Prémio Carreira dos 8.º PLAY – Prémios da Música Portuguesa, decidido pela direção da Audiogest, que gere e representa os direitos das editoras multinacionais, nacionais e independentes.
Na cerimónia dos prémios, visivelmente surpreendido, de cravo vermelho ao peito, Jorge Palma apelou a que não se deixe que o 25 de Abril de 1974 “se torne uma memória distante, uma imagem a desvanecer-se lá longe”.
“Temos de reinventar o espírito de Abril, sempre. Liberdade, justiça, democracia. Malta, mãos à obra, vamos fazer deste país uma coisa que merece ser, melhor. Viva o 25 de Abril, viva a Liberdade, viva a Democracia!”, afirmou.
Em reação, a família do músico disse que “é com profundo pesar e consternação que a família e agência de Jorge Palma informam a sua morte, ocorrida na segunda-feira à noite, aos 76 anos, vítima de uma paragem cardiorrespiratória”, numa mensagem partilhada nas redes sociais.
A família recorda que Jorge Palma, com uma carreira com mais de meio século, “deixa uma obra assinalável que faz parte da história” portuguesa, nem como “muitos amigos pelo mundo, pessoas que conquistou com a sua generosidade e genialidade”.
Já o primeiro-ministro, Luís Montenegro, recordou o legado do artista que ficará “nas palavras, nas melodias e na memória de várias gerações” e deixou condolências à família.
“Jorge Palma parte, mas a sua música fica. Fica, sobretudo, na cultura portuguesa, que ajudou a transformar com a sua voz única e música intemporais”, lê-se na publicação do chefe do Governo na rede social X (antigo Twitter).
Para o ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE), Paulo Rangel, este é “um dia muito triste para música portuguesa e para todos os que o amavam”.
“O que ele já não vai viver, vamos nós agora inventar com ele”.
Por seu lado, o Presidente da República reage com “enorme tristeza e consternação” à morte de Jorge Palma. Numa nota no site da Presidência, António José Seguro sublinha que Portugal “despede-se de um dos seus ícones e de um dos grandes poetas da nossa música e da nossa sensibilidade”.
“As suas canções hão de ficar como uma recordação intensa e profunda da nossa melancolia; elas marcaram a vida portuguesa durante décadas e, por muito tempo, hão de iluminar a memória de várias gerações”, lê-se.
“Aos seus filhos Vicente e Francisco, à sua mulher Rita, bem como à sua família e colaboradores, e a todos os artistas que estiveram ligados à sua música e à sua carreira, o Presidente da República apresenta as suas condolências”, manifesta, ainda, o chefe de Estado português.
Os familiares deixaram ainda a nota de que serão partilhados detalhes sobre as cerimónias fúnebres.
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