Morreu Mário Zambujal aos 90 anos

O escritor e jornalista Mário Zambujal morreu na manhã desta quinta-feira (12).

“Uma das figuras mais queridas e versáteis do jornalismo nacional, morreu esta manhã no Hospital da Luz, em Lisboa, uma semana depois de ter completado 90 anos”, informou o Clube de Jornalistas, que destacou o “legado marcante na imprensa escrita, na rádio, na televisão e na literatura”.

Entre as várias obras que assinou, conta-se Crónica dos Bons Malandros, adaptada ao cinema e televisão, e uma das mais conhecidas do percurso literário do escritor.

“Hoje despedimo-nos de Mário Zambujal – jornalista, escritor e contador de histórias que marcou gerações com o seu talento”, afirmou o primeiro-ministro.

Luís Montenegro salientou a “forma de comunicar” de Mário Zambujal, que “cativava a atenção de quem o via e ouvia”, referindo que “fez escola no jornalismo português”.:

“O seu legado permanecerá na nossa memória coletiva”, considerou o chefe do Governo numa mensagem publicada nas redes sociais. “Deixo em meu nome e em nome do Governo, as mais sentidas condolências à família e amigos”.

O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, também usou as redes sociais para homenagear o jornalista e escritor. “Partiu Mário Zambujal e, com ele, uma dessas raras ironias luminosas que sabiam rir de Portugal sem nunca o trair”, referiu.

“Ficamos mais pobres em graça e elegância, daquelas que não fazem ruído, mas deixam eco, como a palavra bem dita”, lamentou Moedas, que diz despedir-se “de um contador de histórias”. “Amanhã voltaremos a encontrá-lo onde verdadeiramente vivem os escritores: na memória viva dos leitores”, acrescentou.

“Guardo o seu sorriso aberto, a sua gentileza e os livros que fazem parte da minha estante”, escreveu numa mensagem divulgada nas redes sociais, onde recordou o primeiro livro de Mário Zambujal que leu.

Na mesma publicação, Ana Catarina Mendes lembrou a sua participação no programa Quem Conta um Conto, apresentado por Mário Zambujal e Rita Ferro. “Comprovei que a sua amabilidade, inteligência e sensibilidade eram genuínas, tal qual as palavras escritas por si”, referiu.

“O programa consistia na escrita de um conto, em cinquenta minutos (que o meu amigo Bruno Ramos escreveu) e uma prova de gramática que me calhou a mim. Ganhámos o concurso. Ficou-me dessa experiência o gosto de Mário Zambujal pela língua portuguesa e pelo rigor da escrita”, lembra a eurodeputada.

Homenagem junto a mural em São Domingos de Benfica

A junta de freguesia lisboeta de São Domingos de Benfica, onde o escritor e jornalista residia, expressou “profundo pesar” com a morte de Mário Zambujal, “uma figura incontornável da vida cultural portuguesa, com um percurso marcante no jornalismo e na literatura”.

“Ao longo de décadas, conquistou o respeito e a admiração de leitores, colegas e de todos os que acompanharam o seu trabalho”, lê-se na nota divulgada.

Recorda-se ainda que na freguesia de São Domingos de Benfica, a 5 de março de 2022, “foi inaugurado um mural de homenagem em seu nome, celebrando o seu percurso e a sua importância cultural”. Também a Casa da Cidadania tem uma sala com o nome de Mário Zambujal, “símbolo do reconhecimento pelo contributo que deu à cultura e à sociedade”.

“A sua partida deixa um vazio no panorama cultural português, mas a sua obra e o seu legado permanecerão na memória coletiva”, indicou ainda a junta de freguesia, que anunciou para esta tarde, às 15h00, uma homenagem junto ao moral dedicado a Mário Zambujal.

João Malheiro, comentador e conhecido adepto do Benfica, também lamentou a morte de Mário Zambujal. “Perco um enorme e singular Amigo, grande escritor, indefectível benfiquista”, escreveu nas redes sociais, tendo expressado “sentido pesar a familiares, amigos e admiradores”.

Nascido em Moura, Beja, a 5 de março de 1936, Mário Zambujal foi jornalista desportivo na RTP, no jornal A Bola, sub-diretor do Record, tendo sido chefe de redação de O Século e do Diário de Notícias e diretor do Mundo Desportivo, do jornal Se7e e diretor interino do semanário Tal & Qual, tendo sido colunista do diário 24 Horas.

Passou também pela rádio, com destaque para o programa Pão com Manteiga, da Rádio Comercial, e escreveu guiões para televisão e peças de teatro de revista.

Aos 15 anos publicou o primeiro conto no semanário Os Ridículos, mas a estreia literária surgiu em 1980 com Crónica dos Bons Malandros, que foi mais tarde adaptada ao cinema por Fernando Lopes. A obra viria ainda a dar origem a uma série de televisão realizada por Jorge Paixão da Costa e a um musical.

Três anos depois de publicar Crónica dos Bons Malandros, Mário Zambujal lançou Histórias do Fim da Rua e, em 1986, À Noite Logo se Vê. Assinou muitas mais obras como Fora de Mão, uma coletânea de contos e crónicas, Primeiro as Senhoras, Uma Noite Não São Dias, Dama de Espadas, Longe É um Bom Lugar, Cafuné, O Diário Oculto de Nora Rute, Serpentina, Talismã, Romão e Juliana, Já Não se Escrevem Cartas de Amor, Então, Boa Noite, Rodopio, Fabíolo e Pirueta.

Em 2025, foi publicado o seu mais recente livro, intitulado O Último a Sair, e nesse mesmo ano recebeu o Prémio Gazeta de Mérito, atribuído pelo Clube de Jornalistas, em reconhecimento pela “longa carreira jornalística, iniciada na década de 1960”.

Presidente do Clube de Jornalistas entre 2007 e 2021, Mário Zambujal foi distinguido, em 1984, com o grau de Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e, em 2016, com a medalha de Mérito Cultural da Câmara de Lisboa.

Fonte: Diário de Notícias / Portugal

Crédito da imagem: www.pornaldenegocios.pt