Morreu Luís Represas, voz e rosto do Trovante

Uma das grandes vozes mais marcantes e reconhecidas da música portuguesa, Luís Represas morreu nesta quarta-feira (22), aos 69 anos.

A informação foi dada pela própria agência do músico, que revela que a causa da sua morte foi de doença prolongada.

Luis Represas ia festejar, em 2027, 50 anos de carreira, com dois concertos nos Coliseus de Lisboa e Porto.

Teve uma carreira a solo e foi fundador e vocalista do grupo Trovante. “125 Azul”, “Feiticeira”, “Neve Sobre a Marginal” ou “Perdidamente” são alguns dos seus êxitos musicais mais emblemáticos.

O velório está marcado para  esta quinta-feira (23), na Basílica da Estrela, em Lisboa, e o funeral realiza-se na sexta-feira (24), adianta a Agência Lusa, citando fonte da agência que o representa.

O velório será público entre as 16h00 e as 22h30 de quinta-feira. O funeral será no dia seguinte, mas reservado à família.

Represas, em 2005, foi distinguido pelo Estado Português com a Ordem de Mérito – grau de Comendador.

Ele foi também um público defensor da independência de Timor, tendo sido agraciado, em 2016, com a Medalha da Ordem, atribuída pelo governo timorense.

A par da sua carreira musical, atualmente Luis Represas apresentava o programa de televisão “Língua Mãe”, na CM TV, um conteúdo dedicado à língua portuguesa e às diferentes formas de expressão artística de autores lusófonos.

Seguro perde “um amigo”, Montenegro lamenta perda de uma das “maiores referências musicais”

O Presidente da República já veio lamentar a morte de Luis Represas. Numa nota publicada no site da Presidência da República, Seguro diz que perdeu “um amigo”.

“Partiu o homem, Ficou a voz”, acrescenta, considerando que a voz de Represas “soube transformar a nostalgia em esperança, a simplicidade em beleza e a música num lugar onde Portugal tantas vezes se reconheceu”.

“Enquanto houver quem cante as suas canções, Luís Represas continuará a regressar. Não como lembrança distante, mas como presença viva, nessa forma discreta e luminosa que só a verdadeira arte conhece”, escreve ainda Seguro.

Ainda no plano político, também o primeiro-ministro Luis Montenegro assinala o desaparecimento do cantor. Numa publicação na rede social X, Montenegro escreve que “Represas é uma das nossas maiores referências musicais”.

“A sua partida é uma perda para o país e para a nossa cultura, mas o seu legado permanecerá tão contagiante como numa vida cheia de ‘sede de infinito… e dizê-lo cantando a toda a gente'”, citando o poema de Florbela Espanca imortalizado na música “Perdidamente”.

Também a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, lamentou a morte do músico que considerou ser “uma das vozes mais icónicas da música portuguesa contemporânea”:

“Desaparece uma das vozes mais icónicas da música portuguesa contemporânea, além de um talentoso compositor. A solo e com os Trovante, deixa uma marca inesquecível na nossa memória coletiva”, escreveu a ministra na rede social X.

“Uma pessoa extraordinária e encantadora”

Já o locutor Paulino Coelho recorda um episódio quando comandava as manhãs da Renascença. “Fizemos uma ação em que levámos o Luís a tocar a casa de uma ouvinte. Foi um mini concerto em direto da sala da senhora. Ela ficou fascinada com o Represas porque não imaginava que ele fosse assim”, recorda.

“O Luís era uma pessoa super afável, uma pessoa que se dava e gostava de dar dar-se bem com as pessoas. Perdemos aqui uma pessoa extraordinária”, acrescentou.

O fadista Ricardo Ribeiro define Represas como “um indivíduo encantador”. “Eu era muito bem mais novo, não é? Já foi há alguns anos e ele tratou-me de uma forma muito digna e muito e muito respeitosa”, lembra.

Relembrou também os concertos que fizeram em conjunto no CCB. “Foi muito giro porque ele tinha um sentido de humor fantástico e era um tipo extraordinário, era uma boa pessoa”, conta o fadista.

O amigo e também músico João Pedro Pais diz que os dois tinham uma relação de grande cumplicidade. Foi uma amizade de 30 anos. Não tem dúvidas de que Represas e a música dos Trovante o marcou pessoal e profissionalmente.

“Nós tínhamos muita confiança um no outro, musicalmente e pessoalmente”, começa por referir.

“Às vezes eu tinha muitas dúvidas em algumas coisas, algumas inseguranças, e eu dizia-lhe: ‘Luís, tu viste eu acompanhar-te na feiticeira ao piano? E ele dizia, João, estás parvo ou o quê? Claro que eu confiei em ti, então… E eu dizia-lhe, mas achas que correu bem? E ele assim, claro que não há dúvidas, porquê é que tens dúvidas? Ele era sempre muito… puxava sempre para cima”, recorda.

“Às vezes, mesmo com algumas dúvidas que eu pudesse ter, para ele está sempre tudo bem”, remata, contando ainda que nos últimos tempos falavam por telefone.

Ligação ao Belenenses

O presidente do Clube de Futebol Os Belenenses, Patrick Morais de Carvalho, recorda Luís Represas, como um adepto que sempre apoiou o clube de forma “generosa” e “desinteressada”, e como um amigo.

“É um momento de grande tristeza. Era um amigo, essencialmente, e um grande belenense. Não esquecerei o contributo que deu ao clube em vários momentos, sempre de forma generosa, voluntária e completamente desinteressada”, conta o presidente do Belenenses, em entrevista a Bola Branca, depois de ser conhecida a morte do cantor.

Fonte: www.rr.pt

Crédito da imagem: José Sena Goulão / Lusa