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Montenegro: “Estivemos sempre ao leme” no combate aos fogos

O Governo esteve sempre ao leme durante o combate aos fogos, defendeu Luís Montenegro, esta quarta-feira à tarde, no Parlamento, rejeitando todas as críticas de que não tenha havido prevenção dos fogos ou coordenação durante o período crítico.

“O Governo, eu próprio e a ministra da Administração Interna estivemos sempre ao leme, a acompanhar a situação no terreno e a coordenar as ações políticas da nossa responsabilidade. Estivemos antes, estivemos durante e estamos depois de cada ocorrência”, acrescentou Montenegro durante a sua intervenção inicial.

O primeiro-ministro falava na Assembleia da República, no debate que decorre em comissão permanente, o órgão que substitui o plenário nas férias parlamentares. Pedido pelo PCP e pelo Chega, foi aprovado por unanimidade, depois de o Governo ter dito que o primeiro-ministro estava disponível para ir ao Parlamento.

Nas palavras de Montenegro, o Governo esteve presente no combate aos fogos “antes”, quando preparava o dispositivo que esteve e está no terreno, “durante”, “coordenando e decidindo” a situação de alerta, e “após” no “apoio rápido” às populações e às empresa afetadas pelos incêndios deste verão.

“É falsa a ideia de que não houve prevenção”

E foi a atuação do Governo a necessária? Montenegro defende que este é o momento de fazer essa avaliação. “É verdade: podemos e devemos avaliar a eficácia e a execução destas ações, não sem antes dizermos de forma muito clara que é falsa a ideia de que não houve prevenção no terreno”, disse o primeiro-ministro, recusando as críticas que têm sido feitas ao Governo pela oposição e por diversos autarcas.

E a prevenção, acrescenta, pode ser avaliada. O dispositivo de combate aos incêndios foi o maior de sempre, disse Montenegro, uma ideia que tem sido repetida várias vezes pelos membros do Governo nas últimas semanas.

Em seguida, falou das condições no terreno: “A força do inimigo foi enorme”, frisou Luís Montenegro, acrescentando que “foram mais de 25 dias ininterruptos de severidade extrema”.

Falando sobre o futuro — e depois de assumir que não foi possível evitar grandes incêndios —, Luís Montenegro garantiu que o Governo está “a trabalhar para que a gravidade não volte em setembro e em outubro, mas assumo que é muito útil que se perceba o que aconteceu”.

PCP: “Reagiram tarde, empurraram com a barriga”

Faltou coordenação no combate aos incêndios — esta é a ideia principal que Paulo Raimundo, o primeiro a responder à intervenção do primeiro-ministro, leva ao Parlamento. E mesmo admitindo que “não é possível erradicar os incêndios”, afirma que “tem de ser possível minimizar o drama que causam”.

Para o líder do PCP, um dos partidos que pediu o debate, no combate aos fogos “faltaram meios aéreos, mas não faltou o negócio em torno dos meios aéreos”.

Já sobre a atuação do Governo, Paulo Raimundo diz que os membros do executivo “reagiram tarde, empurraram com a barriga e procuraram fugir das suas responsabilidades”.

Chega acusa MAI de incompetência

André Ventura acusou a ministra da Administração Interna de incompetência e desafiou o primeiro-ministro a admitir “que falhou” no combate aos fogos. O líder do Chega criticou ainda o Governo pelo tempo que levou a ativar o Mecanismo Europeu de Proteção Civil.

“Como é que nos pode vir aqui dizer que tudo funcionou? Como é que nos pode vir aqui dizer que investiu, que fez, que havia prevenção, quando sabemos, vimos e percebemos que não havia e que estamos nos piores da Europa nesta matéria?”, questionou o líder do Chega.

“Até ao dia 16 arderam 139 mil hectares do território e Portugal teve que pedir apoio. Senhor primeiro-ministro, isto não é só desatenção, isto não é só olhar para o lado. Quando se faz isto, quando uma ministra da Administração Interna faz isto, nós sabemos que isto tem um nome, chama-se incompetência”, acusou.

PS acusa Montenegro de insensibilidade

José Luís Carneiro acusou Montenegro de “grande insensibilidade, uma incapacidade para antecipar e uma impreparação para responder” e quis saber se o primeiro-ministro está “disponível para garantir que a operação dos meios aéreos será feita no futuro pela Força Aérea”.

O primeiro-ministro mostrou, desde logo, “insensibilidade por não ter compreendido que deveria ter feito o mesmo que fez em 2024 quando adiou o Congresso do PSD”, já que, na opinião do líder do PS, a festa no Pontal deveria ter sido. “A população estava a sofrer e a viver momentos muito dramáticos”, disse o socialista.

“O senhor primeiro-ministro tem direito às suas férias e todos os membros do Governo têm direito às suas férias, mas para a população portuguesa foi incompreensível como é que se deu aquele sinal de insensibilidade com quem estava a sofrer no território”, criticou Carneiro.

Fonte: www.rr.pt

Crédito da imagem: António Pedro Santos / Lusa