A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, acredita num bom funcionamento da primeira urgência regional de obstetrícia e ginecologia que vai arrancar no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, na próxima segunda-feira (16).
Em declarações aos jornalistas esta quinta-feira (12), a governante disse estarem reunidas “todas as condições” para que esse arranque aconteça com tranquilidade e admitiu a possibilidade de recurso a médicos tarefeiros, à semelhança de outras áreas da medicina hospitalar.
“Nós funcionamos com médicos que prestam serviços em regime de tarefa, no país inteiro, em todas as urgências, desde as urgências básicas às urgências polivalentes ou terciárias e em todas as áreas de especialidade”.
“É do conhecimento do país e dos senhores jornalistas que o Governo já apresentou um regime para regular os contratos de prestação de serviços por parte das equipas médicas e as condições em que esses serviços podem ser contratados”, apontou.
A urgência regional de obstetrícia e ginecologia de Loures vai passar a receber os casos urgentes do Hospital de Vila Franca de Xira, num regime de partilha de serviços.
Quanto às informações que dão conta de uma alegada indisponibilidade do único médico obstetra de Vila Franca para integrar esta urgência regional, Ana Paula Martins remeteu para a Direção Executiva (do SNS) e para os hospitais.
“Não me compete a mim estar a comentar. São situações que as próprias unidades de saúde e a Direção Executiva têm de gerir e avaliar. Há circunstâncias em que os médicos não estarão disponíveis porque já não têm de fazer urgência, como sabem, por limite de idade. Há outras situações, de outra natureza e que se têm de analisar, sob o ponto de vista contratual”, referiu.
“Temos de ir ao encontro das mães estrangeiras”
Questionada ainda sobre os dados da Direção-Geral da Saúde (DGS) que revelam que Portugal registou em 2024 aumentos nos óbitos de fetos com mais de 22 semanas de gestação e nos óbitos de crianças nascidas vivas que faleceram com menos de um ano, a governante reconheceu que há algumas zonas do país onde se verificam maiores índices de mortalidade infantil e onde a “preocupação é maior”.
“Existem concelhos e distritos deste país que merecem uma vigilância adicional”, afirmou.
Os dados oficiais também indicam que as taxas de mortalidade fetal e da componente neonatal foram mais elevadas, em 2024, entre mães de nacionalidade estrangeira.
A governante considera que as entidades locais, como juntas de freguesia, podem desempenhar um papel importante na identificação destes casos.
“As mães estrangeiras estão dentro das mães que hoje são mais vulneráveis e nós temos de ir ao encontro delas. Acredito, sinceramente, com a ajuda das juntas de freguesia, que sabem onde estas pessoas moram. Nós precisamos que elas venham até aos serviços de saúde porque esperamos por elas e estamos lá para as podermos acompanhar”, declarou
Ana Paula Martins adiantou que não há nada que aponte para uma eventual relação entre o aumento da taxa de mortalidade infantil e a falta de profissionais nas urgências.
A ministra da Saúde falava aos jornalistas após a inauguração formal da Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, e que já tinha entrado em funcionamento. Trata-se de uma valência que assegura 10 vagas e que beneficiou de trabalhos de remodelação, aquando das obras para a nova maternidade e serviço de neonatologia do mesmo hospital.
Fonte: www.rr.pt
Crédito da imagem: José Sena Goulão / Lusa