A ministra da Saúde desvaloriza os dados que dão conta de menos consultas, menos cirurgias e mais tempo de espera nos primeiros dois meses do ano.
Ana Paula Martins justifica a menor resposta do Serviço Nacional de Saúde (SNS) com o pico da gripe e os internamentos sociais.
“Não é só o pico da gripe, é o inverno, é o frio e o aumento dos internamentos sociais. Tudo isto retira capacidade durante este período”, disse a ministra, em declarações à CNN Portugal nesta quarta-feira (6).
Outra questão a pressionar as listas de espera no SNS, segundo Ana Paula Martins, é o aumento de pessoas que recorrem ao Serviço Nacional de Saúde.
“Também temos mais gente inscrita no sistema, temos gente que também está a regularizar a sua situação com o sistema, mas através da urgência entra para cuidados urgentes e inadiáveis. Isto também cria pressão adicional”, sublinha.
Antes destas explicações, o Partido socialista acusou o Governo de estar a deteriorar o SNS. A deputada Mariana Vieira da Silva pegou nos dados dos primeiros meses do ano para perguntar como é que Ana Paula Martins se mantém no cargo.
“A ministra da Saúde já desistiu do SNS, é isso que podemos concluir com estes dados. A única coisa que o país não compreende é como Luís Montenegro continua a confiar numa ministra que não só não cumpriu aquilo com que se tinha comprometido, como os resultados se deterioram de mês para mês”, disse a vice-presidente do PS, em declarações aos jornalistas no Parlamento.
A deputada do PS diz que há mais meios e mais dinheiro no SNS, por isso o problema está na falta de organização.
“Há agravamento brutal das condições financeiras do SNS” e, em vez dos cidadãos estarem a ter uma melhor resposta, há “dados gravíssimos de deterioração da resposta”.
“Os dados conhecidos no dia de ontem [terça-feira] sobre o Serviço Nacional de Saúde são muito preocupantes. Em praticamente todos os indicadores de produção de capacidade de resposta do SNS ao país, nós temos nos primeiros dois meses deste ano de 2026 uma deterioração muito significativa. Falamos de quebras de 6% das consultas nos cuidados de saúde primários. São menos de 400 mil consultas”, condenou.
Mariana Vieira da Silva apontou ainda “uma quebra de mais de 3,8% nas consultas hospitalares, um valor que se torna muito significativo nas primeiras consultas hospitalares”.
Fonte: www.rr.pt
Crédito da imagem Manuel de Almeida / Lusa