Luís Neves recusa demissão e diz que responderá no Parlamento

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, garantiu nesta terça-feira (01/09 na Madeira que não está a ponderar demitir-se e afirmou estar disponível para responder a todas as questões que lhe sejam colocadas na audição regimental no Parlamento, marcada para 8 de setembro.

Questionado pelos jornalistas sobre a possibilidade de abandonar o Governo perante uma eventual moção de censura, Luís Neves lembrou que a questão da sua demissão foi inicialmente colocada e afirmou que, não tendo essa saída acontecido, a polémica entrou agora numa nova fase.

“A primeira questão que se colocou era a minha demissão. Agora, como sabem que isso não vai suceder, passamos para outra fase que é uma moção de censura”, afirmou, remetendo para o Governo a resposta a uma eventual iniciativa do Chega.

O governante rejeitou, contudo, comentar informações divulgadas pela comunicação social sobre as conversações entre o Presidente da República, António José Seguro, e o primeiro-ministro, Luís Montenegro, relativamente à situação política.

“Eu tenho uma relação institucional, não falo por aquilo que vem nos jornais”, afirmou, acrescentando que apenas se pronuncia sobre as conversas que mantém com quem o lidera, o primeiro-ministro.

Luís Neves reiterou ainda que continuará a exercer funções e a desenvolver o trabalho que tem realizado desde que assumiu o cargo, há seis meses. “Estou profundamente motivado naquilo que tenho estado a fazer e é essa a minha linha de orientação”, declarou.

Sobre as referências que fez, no discurso desta manhã, a um alegado escrutínio motivado por “inveja” e dirigido contra si e a sua família, o ministro não identificou os responsáveis.

Disse, contudo, que tem assistido a “um determinado tipo de escrutínio, não de todos, portanto de exceção”, que considera atingir a sua personalidade e a própria família, quando, na sua perspetiva, existem atos que podem ser escrutinados sem essa exposição.

“Eu conheço essas pessoas e haverá um tempo próprio para tudo”, afirmou, acrescentando estar atento ao que está a acontecer.

Luís Neves voltou a garantir disponibilidade para ser escrutinado. “Desde o primeiro dia que disse e mantenho. Estou disponível para qualquer escrutínio, seja onde for. Tenho orgulho no meu passado, no meu presente, nada me envergonha.”

A declaração surge no mesmo dia em que o líder do Chega, André Ventura, anunciou que os órgãos do partido irão decidir sobre a apresentação de uma moção de censura ao Governo.

Fonte: Jornal Madeira / Portugal

Crédito da imagem: Joana Sousa