Com oito pontos destinados à restauração e petiscos, a praça surge como estrutura de apoio a vários eventos, nomeadamente o concerto solidário ‘Concertamos Juntos’, marcado para 23 de maio, e o jogo da Seleção Nacional frente à Nigéria, a 10 de junho.
A proposta, discutida na reunião do executivo de segunda-feira, gerou críticas por parte da oposição, que apontou incoerência na decisão.
Para os vereadores do PSD, a criação desta praça demonstra que poderia ter sido equacionada uma versão mais reduzida da Feira de Leiria, adaptada ao contexto pós depressão Kristin. “Aquilo que veio dizer [presidente] relativamente à Feira de Maio com este ponto retira todo o sentido”, afirmou o vereador Nuno Serrano, que ainda assim votou a favor da deliberação.
O vereador do Chega, Luís Paulo Fernandes, que votou contra a deliberação, contestou os critérios de seleção das associações e clubes participantes, em particular o facto de o desempate entre candidaturas ser feito com base na data e hora de entrega. “Eu retirava este ponto”, afirmou, defendendo também que o número de associações deveria ser superior.
Do lado do executivo, o vereador com o pelouro dos Eventos, Luís Lopes, adiantou que aquando da decisão de não realizar a Feira de Leiria, o município reuniu com os operadores para explicar os fundamentos da opção.
Luís Lopes explicou ainda que a coincidência com o Festival da Sardinha, que se vai realizar na Praia do Pedrógão, condiciona a participação simultânea de muitas coletividades nos dois eventos. “O número de restaurantes do Festival da Sardinha e nesta Praça da Gastronomia foi concertado e as associações e clubes foram auscultados”, afirmou.
Quanto ao processo de candidaturas, o autarca adiantou que “todas as associações e clubes têm consciência” do “critério de desempate”, havendo também a “possibilidade de candidaturas conjuntas”.
À margem da reunião do executivo, Luís Lopes explicou que o espaço dedicado à Praça da Gastronomia vai ser inferior ao da Feira de Leiria, sendo que o “layout do espaço também ainda está a ser fechado”, incluindo a eventual instalação de tenda.
Na mesma reunião, foi ainda formalizada a revogação da deliberação relativa à realização da Feira de Leiria de 2026, uma decisão já anteriormente assumida pelo executivo, mas que voltou a merecer críticas e os votos contra dos vereadores do PSD e Chega, por considerarem que o evento se poderia ter realizado noutros moldes.
Já o presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, reiterou que a decisão foi tomada “em consciência” e numa fase precoce, tendo em conta a dimensão do evento e a necessidade de mobilização de recursos municipais para a resposta à Kristin.
O autarca reconheceu impactos negativos da não realização da feira, sublinhando, contudo, que a prioridade é a recuperação do território.
Foi também aprovada a redução em 50% do valor das taxas e a suspensão do Mercado do Levante, nos dias 19, 23 e 26 de maio, no âmbito da realização do evento solidário ‘Concertamos Juntos’.
Na opinião do vereador do Chega, deveria ter sido ponderada uma isenção total das taxas, face à falta de previsibilidade e às dificuldades que os feirantes continuam a enfrentar após a depressão Kristin.
Fonte e crédito da imagem: Diário de Leiria / Portugal