Muitos livros já foram publicados sobre o Rei do Futebol e outros tantos ainda serão produzidos, mas nenhum deles, com certeza, terá a cumplicidade e o grau de intimidade que a mais nova obra, escrita por Pepito Fornos – “Pelé, o legado desconhecido”.
Amigo, empresário e braço direito do maior jogador de todos os tempos por décadas, ele decidiu contar algumas passagens inéditas fora de campo e o lançamento não poderia ser em outro lugar que o Museu Pelé, em Santos, em evento realizado nesta quita-feira (26).
Antes mesmo do horário marcado para iniciar, e sob uma forte chuva, o local estava lotado. Entre eles, ex-jogadores amigos de Pelé, como Manoel Maria, Abel e Negreiros, prestigiando o mais novo livro e confirmando o prestígio que Pepito construiu nessas décadas de convivência e amizade com o Rei Pelé.
Acompanhado da filha, a médica Laura Verde, ele não escondia a felicidade de poder apresentar as histórias que vivenciou, como ele mesmo disse, ao lado do Edson Arantes do Nascimento.

Ele contou que o livro foi pedido da família. Material não faltaria. “Eu não queria escrever, mas achei que era uma oportunidade para mostrar o Pelé fora do campo. Porque dentro do campo todo mundo conhece. E o meu objetivo mesmo é mostrar que ele era melhor fora do que dentro do campo”, ressaltou, revelando que a escolha das histórias – de dezenas de anos juntos – foi a que mostravam, principalmente, o lado humano.
“Um cara do bem, um bom filho, bom pai, bom irmão, bom tio, bom primo, bom tudo. E um cara muito caridoso. Fazia o bem para todo mundo e não era mascarado, muito humilde. Tanto que eu o defino como um ator. Edson é um ator que interpreta um personagem chamado Pelé, parte do tempo. Quando acende uma luz e vem um repórter, ele é o Pelé. E por isso que ele sempre se referia ao Pelé na terceira pessoa”, disse.
Pepito não era só o assessor de negócios de Pelé. Virou amigo, virou família. A própria irmã do Rei do Futebol, Maria Lucia Nascimento, atestou isso e fez questão de visitar o lançamento do livro. “Era uma amizade sincera. O Pepito passou mais tempo com ele, do que o Pelé comigo. Foi uma relação muito bacana, muito bonita e ele é da família também”, contou.

O autor do livro reforçou essa relação com o maior jogador, falando que era ele quem falava as verdades necessárias. “Tanto que falei uma frase há muitos e muitos anos, numa das 500 discussões, não brigas, que tivemos. Eu falava para ele: você vai ouvir de mim o que você precisa ouvir, não o que você gosta de ouvir”, revelou.
MUSEU PELÉ
Pepito também ficou feliz em fazer o lançamento no Museu Pelé, que ele ajudou a se tornar realidade. “Além de ser a casa dele, eu trabalhei muito para que o museu viesse para cá. Foi um trabalho longo, complexo, mas no fim acabou dando certo. A memória dele está toda aqui dentro. Aqui se respira o ar da camisa 10, que antes do Pelé era um número, agora virou o símbolo do Pelé”, elogiou.
Das muitas histórias que Pepito conta em seu livro, ele cita um momento em Nova Iorque. “Fomos ao cinema pertinho da casa dele, eu, ele e o filho Joshua, que tinha uns oito anos de idade. Ele com aquele bonezinho e estamos na fila, umas quatro pessoas na frente e aí vem uma senhora em direção a ele e fala, em inglês: eu conheço você. Você é brasileiro. Aí eu virei para ele e falei assim: é o Milton Nascimento e ela falou: exatamente!”.
Fonte: Prefeitura Municipal de Santos
Crédito das imagens: Carlos Nogueira / PMS