Christine Lagarde estará a preparar a sua saída mais cedo do Banco Central Europeu (BCE), revelou o “Financial Times” na quarta-feira.
A ideia é sair a tempo para que o presidente francês ainda tenha um papel na nomeação do próximo líder do BCE, antes das eleições presidenciais em França. Desta forma, os países europeus evitam ter de negociar com o próximo presidente francês, que poderá sair do partido de extrema-direita Reunião Nacional: ou Marine Le Pen ou Jordan Bardella.
Os analistas apontam que há vários sucessores para o cargo, mas que vai depender de um complexo xadrez político europeu.
Para a Allianz GI, os principais candidatos vêm de duas grandes economias europeias que nunca ocuparam a presidência do BCE: Espanha e Alemanha.
Pela ‘roja’, Hernandez de Cos que “pode dar ênfase ao equilíbrio económico em detrimento das expetativas de inflação. Isto pode significar um BCE mais intervencionista”, segundo a Allianz GI. Pablo Hernandez de Cos liderou o banco central de Espanha entre 2018 a 2024 e lidera atualmente o Bank for International Settlements (BIS).
Pela ‘mannschaft’, os nomes são Joachim Nagel, presidente do banco central alemão Bundesbank; Jorg Kukies, ex-ministro das Finanças do ex-chanceler Olaf Scholz. Estes dois “podem representar a continuidade com uma postura mais restritiva (hawkish)”.
Outro nome é Isabel Schnabel, que integra o comité do BCE, que “tem mostrado uma postura muito restritiva; as suas hipóteses são consideradas limitadas, em parte porque o seu mandato não é renovável”.
Mas há mais nomes em cima da mesa. Pela laranja mecânica, entra em campo Klaas Knot, ex-banqueiro central dos Países Baixos, nação que já teve um líder do BCE: Wim Duisenberg. “Historicamente cético quanto às ferramentas não convencionais e à expansão do balanço, ainda que mais moderado no período pós-pandemia”, segundo a Allianz GI.
Mas há mais peças a mexer no xadrez. Philip Lane pode sair do cargo de economista-chefe por imposição de França que tem vários nomes na calha, se a Alemanha vier a ocupar o cargo de líder do BCE, o que também prejudica a continuação da ultra-falcão Isabel Schnabel.
“A eleição do sucessor pode influenciar a valorização dos mercados a curto prazo. A confirmar-se a saída antecipada de Lagarde, o nível para introduzir alterações à política monetária em qualquer direção pode aumentar ainda mais”.
“Uma presidência de Hernández de Cos pode aumentar as expetativas de cortes nas taxas de juro; com os outros candidatos, os cortes podem tornar-se menos prováveis — e com Schnabel, podem até surgir especulações sobre os aumentos nas taxas de juro”, disse esta quarta-feira Christian Schulz, Economista-Chefe da Allianz GI.
Já os analistas do ING apontam que o BCE já teve dois presidentes franceses na sua história, e que as hipóteses de um terceiro ficam “próximas de zero”, o que abre as portas à Alemanha e a Espanha na dianteira, com o neerlandês Klaas Knot a surgir como possibilidade.
Mas o xadrez europeu de cargos de topo está complicado para a Alemanha, destaca o banco neerlandês pelo facto que a líder da Comissão Europeia também ser alemã, Ursula von der Leyen, o que torna muito improvável dois alemães a liderar dois dos cargos mais importantes da Europa.
Com o mandato de von der Leyen a terminar em 2029, quanto mais cedo a decisão do BCE for tomada, o menos provável é que seja um alemão a assumir a liderança do BCE.
Mas há mais vagas a preencher na cúpula do BCE, com o fim dos mandatos do economista-chefe, o irlandês Phillip Lane e da alemã Isabel Schnabel. Alemanha, França e Espanha vão exigir o seu direito informal a terem membros na comissão executiva do BCE.
Sobre o avançado neerlandês, o ING duvida como é que Klaas Knot pode chegar à liderança do BCE com Alemanha, França e Espanha a exigirem membros na comissão executiva. Uma possibilidade seria o membro atual dos Países Baixos no BCE, Frank Elderson, sair para entrar Knot. Uma substituição semelhante a outras do passado.
Com a política monetária em modo “pouco excitante”, escreve Carsten Brezski do ING, “a dança das cadeiras promete” ser excitante, especialmente se Christine Lagarde quiser deixar o seu “bom lugar” mais cedo do que o previsto.
Por sua vez, o economista-chefe do UBS GWM Paul Donovan, aponta que a saída precoce de Lagarde “faz pouca diferença para a política [monetária] no curto prazo, já que o BCE tem adotado uma postura de inatividade deliberada. Poderá, no entanto, ter impacto no horizonte mais longo. O sucessor de Lagarde poderá até ser um economista (o que seria, naturalmente, uma excelente escolha) — e a natureza pesada e complexa do conselho de política monetária atribui ainda maior relevância à liderança”.
Lagarde prepara-se para deixar o BCE mais cedo… por causa de Marine Le Pen
A presidente do Banco Central Europeu (BCE) deverá abandonar o seu cargo antes do final do mandato de oito anos em outubro de 2027, revela hoje o “Financial Times”.
Christine Lagarde quer sair do cargo antes das eleições presidenciais franceses em abril de 2027. A ideia é que Emmanuel Macron ainda consiga ser o responsável pela nomeação para o BCE, em conjunto com o chanceler alemão, antes das presidenciais que podem vir a ser ganhas pelo partido Reunião Nacional de Marine le Pen.
Desta forma, a decisão seria tomada sem os governos europeus terem de lidar com os mais altos responsáveis pelo partido de extrema-direita francês: Marine Le Pen ou Jordan Bardella.
Na sede do BCE em Frankfurt, oficialmente o tema ainda é tabu, com um porta-voz a dizer que a líder do BCE “está totalmente focada na sua missão e ainda não tomou nenhuma decisão sobre o fim do seu mandato”.
Em 2025, rejeitou notícias que a davam como certa na liderança do Fórum Económico Mundial.
Para o cargo de Frankfurt já há vários possíveis nomes para o cargo.
François Villeroy de Galhau deixou mais cedo o seu cargo para que Macron consiga nomear novo governador do Banco de França antes das eleições que podem vir a ser ganhas pela direita.
Espanha já garantiu que está pronta para acelerar a nomeação, garantiu o Governo de Pedro Sanchez esta semana, assumindo o desejo de ter um nome na comissão executiva do BCE, como o de Pablo Hernandez de Cos, que lidera atualmente o Bank For International Settlements.
O espanhol está entre os favoritos para liderar o BCE, a par do neerlandês Klaas Knot, segundo um inquérito realizado pela “Bloomberg”.
Pela equipa alemã, o presidente do Bundesbank Joachim Nagel e o membro da comissão do BCE Isabel Schnabel também já expressaram o seu interesse no cargo.
Mas os governos da Áustria e da Alemanha já defenderam que os devidos prazos de nomeação devem ser mantidos, com França a rejeitar responder ao tema.
Fonte e crédito da imagem: O Jornal Económico / Portugal