Ao fim de dois dias de negociações, a Ucrânia e a Rússia realizaram uma nova troca de prisioneiros e concordaram em retomar as negociações mediadas pelos Estados Unidos da América (EUA), com o objetivo de pôr fim aos quatro anos do conflito na Ucrânia.
Segundo Steve Witkoff, o enviado especial do Presidente norte-americano, as delegações dos EUA, da Ucrânia e da Rússia acordaram a troca de 314 prisioneiros de guerra na fronteira ucraniana.
Desde outubro do ano passado que a Rússia e a Ucrânia não trocavam prisioneiros, sendo que ao todo foram trocados 157 ucranianos, sete destes civis, e 157 soldados russos, confirmou o Ministério da Defesa russo.
Estas conversas trilaterais entre Kiev, Moscovo e Washington vão continuar nas próximas três semanas, avançou o secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional da Ucrânia, Rustem Umerov.
“As delegações concordaram em informar as respetivas capitais e em continuar as conversações a três nas próximas semanas”, disse o enviado de Putin.
Desde outubro do ano passado que a Rússia e a Ucrânia não trocavam prisioneiros.
O Presidente ucraniano celebrou o regresso das tropas do país na rede social Telegram, com a mensagem: “Em casa”.
Volodymyr Zelensky confirmou esta semana que “a conversa continua” e confessou ainda, numa conferência de imprensa com o primeiro-ministro polaco, que as próximas negociações poderão ter lugar nos EUA.
O líder ucraniano reforçou ainda a sua exigência de que a Rússia não pode voltar a atacar a Ucrânia, tal como aconteceu nesta terça-feira em Kiev e outras cidades ucranianas.
Já o enviado da administração Trump revelou na rede social X (antigo Twitter) que as conversações de paz foram “detalhadas e construtivas”, mas insistiu que ainda há trabalho a fazer.
“Este resultado [troca de prisioneiros] foi alcançado através de negociações de paz detalhadas e construtivas. Embora ainda haja muito trabalho a ser feito, passos como este demonstram que o envolvimento diplomático continuo está a produzir resultados tangíveis e a impulsionar os esforços para pôr fim à guerra na Ucrânia”, lê-se.
No mesmo comunicado, o aliado de Donald Trump agradeceu aos Emirados Árabes Unidos pela organização das reuniões em Abu Dhabi, com uma mensagem ainda para o Presidente dos EUA “pela sua liderança no avanço de esforços para pôr fim à guerra”.
O enviado russo Kirill Dmitriev também acredita que as discussões estão a resultar no restauro das relações da Rússia com os EUA.
Calcula-se, segundo os relatórios internacionais, que centenas de milhares de soldados de ambos os lados foram mortos, feridos ou dados como desaparecidos em quase quatro anos de guerra.
Zelensky disse esta semana que cerca de 55 mil soldados ucranianos morreram no campo de batalha, mas não forneceu detalhes sobre o número de feridos ou desaparecidos nas forças ucranianas.
Até ao momento, a Rússia ocupa cerca de 20% do território nacional da Ucrânia, incluindo a Crimeia e partes da região oriental do Donbass, tomadas antes da invasão de 2022.
Fonte: www.rr.pt
Crédito da imagem: Volodymyr Zelensky / Telegram