Duas aldeias de Tondela foram evacuadas, uma durante a noite, outra nesta sexta-feira (3), disse à Lusa o comandante dos Bombeiros de Vale de Besteiros, pois o incêndio que deflagrou em Vouzela “está descontrolado” na encosta da serra do Caramulo.
“Estamos a defender as aldeias com os meios que estão lá alocados, mas os meios são poucos, há aldeias sem meios”, afirmou o comandante Miguel Santos, que tem um hangar da corporação em São João do Monte, “uma das freguesias mais expostas” à frente do fogo.
O presidente da Câmara de Águeda disse esta sexta-feira que o incêndio de Vouzela passou durante a madrugada para o concelho, no distrito de Aveiro, e atingiu apenas anexos e casas devolutas, adiantando que não há pessoas desalojadas.
Precisamente em Águeda, a situação é, agora, mais calma, depois de uma madrugada em que as chamas atingiram zonas urbanas da cidade.
O autarca Jorge Almeida fala em uma “noite difícil”, mas em que acabou por não haver feridos.
O incêndio que deflagrou em Vouzela já fez 17 feridos, três dos quais tiveram mesmo de ser hospitalizados. Entre os feridos há três civis e 14 operacionais.
Nesta altura, há dez meios aéreos a apoiar mais de 900 operacionais no combate ao fogo em Vouzela que, esta noite, destruiu uma fábrica de transformação de madeiras na Zona Industrial do concelho, como revela o proprietário Luís Lobo.
Uma fábrica de componentes de madeira ficou totalmente destruída pelo incêndio que iniciou em Cambra, Vouzela, disse à agência Lusa um dos sócios da FTC:
“Somos produtores de biomassa para produção de energia em caldeiras, para substituição de gás, ou seja, temos um produto à base de madeiras e tínhamos um parque com quatro a cinco mil toneladas de madeira, que foi atingido por uma projeção”, contou Luís Lobo.
Luís Lobo disse que “ardeu tudo, é perda total, foi a madeira, o armazém, a oficina, a parte do processo, o escritório, foi tudo, até o chão de cimento está a rebentar com o calor”. “Na realidade, só ficou o terreno”, acrescentou.
De acordo com as informações recolhidas pela Renascença junto do comando subregional de Viseu Dão Lafões, duas aldeias tiveram de ser evacuadas durante a madrugada no distrito de Viseu.
Entretanto, as chamas já progrediram para o distrito de Aveiro, atingindo o concelho de Águeda, informação também confirmada pelo comando subregional daquele distrito.
Ao início da madrugada, José Costa, oficial de operações da Proteção Civil, admitia à Renascença que o vento estava a dificultar as operações e que aguardava pela manhã para que os aviões pudessem voltar a ajudar no combate.
O incêndio florestal que começou na madrugada de quinta-feira em Vouzela, distrito de Viseu, e se estendeu a mais três concelhos, já queimou mais de sete mil hectares de floresta e mato, revelam dados europeus. O valor equivale a cerca de 10 mil relvados de futebol de 11.
Mais de 1.200 operacionais focados em quatro incêndios
“O vento tem sido o principal fator que influencia o incêndio”, assegura, acrescentando que o fogo está a consumir “uma zona muito extensa com floresta”..
O alerta foi dado às 03h00 da madrugada de quinta-feira e a situação agravou-se ao longo do dia, devido às condições climatéricas adversas, nomeadamente o vento forte.
Ainda a norte, um incêndio que deflagrou pelas 14h00, em Monte de Fralães, concelho de Barcelos, está a ser combatido por 124 operacionais e 36 viaturas e dois meios aéreos, sendo o forte vento um dos principais problemas, segundo o comandante da Sub-Região do Cávado da Proteção Civil.
Manuel Moreira referiu que se não houver agravamento das condições meteorológicas “é possível que durante o dia se consiga dominar o fogo”.:
“Vivemos uma situação de imprevisibilidade”, afirmou, referindo-se às elevadas temperaturas e ao vento forte. Não há casas em risco, nem feridos, disse.
Um homem ficou desalojado na sequência de um incêndio que lavra desde quinta-feira no concelho de Cinfães e que está a ser combatido por cerca de uma centena de operacionais, revelou fonte dos Bombeiros de Nespereira.
De acordo com o comandante dos Bombeiros Voluntários de Nespereira, Paulo Soares, um homem, com idade na casa dos 80 anos, ficou desalojado na povoação de Fornelos. “Até ao momento não temos feridos a assinalar”, acrescentou.
Em Rio Maior, no distrito de Santarém, outro incêndio mobiliza perto de 130 operacionais e 39 viaturas. As chamas chegaram a rondar as povoações de Cabeça Gorda e São João da Ribeira, mas o pior já deve deve ter passado, disse à Renascença o comandante Hélder Silva do Comando sub-regional Lezíria do Tejo.
No total, e esta sexta-feira de manhã, os quatro maiores incêndios ativos no pais mobilizam mais de 1200 operacionais, sendo que o de Vouzela é o que levanta maiores preocupações por ameaçar habitações e pelas difíceis condições de combate, reforça a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.
A mesma fonte confirma que, no entretanto, os incêndios de Cinfães, Barcelos, Castelo de Paiva e Vouzela serão reforçados com meios aéreos.
Devido ao risco de incêndios rurais, em plena onda de calor, o Governo decidiu declarar a situação de alerta em todo o território continental, a partir das 00h00 de sexta-feira, até segunda-feira.
A medida implica restrições ao acesso a espaços florestais, proibição de queimadas e reforço dos meios de vigilância, prevenção e combate.
Fonte: www.rr.pt
Crédito da imagem: Paulo Novais / Lusa