Governo Regional quer procurar solução em conjunto com empresários para o futuro da Visit Azores

O Presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro compromete-se analisar as conclusões do Manifesto sobre Turismo e Economia, assinado por quase 140 empresários de todas as ilhas açorianas, que acusa o executivo de “asfixia financeira” e de “falta de estratégia” no setor do turismo, ao mesmo tempo que deixa críticas à atuação da Visit Azores, alertando para as consequências económicas do colapso do setor na Região.

“Desconheço o documento, mas estarei sempre disponível para avaliar os pressupostos das conclusões que tiraram. De qualquer modo, se a incidência tiver a ver com o futuro da Visit Azores, sabemos que hoje temos uma situação absolutamente provisória”, afirmou o Presidente do Executivo Regional, em declarações à RTP Açores.

Bolieiro apontou que “existem na Assembleia Geral associados privados e quero estimular a participação e numa solução de administração que seja compatível com os atores do negócio turístico”, para reforçar que “quero construir uma solução da Visit Azores, no futuro, folgada na participação dos privados”.

Estas declarações do Presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro, vêm na sequência de um “Manifesto pelo Turismo e pela Economia dos Açores” que um total de 139 empresários açorianos divulgaram onde alertam que o ano de 2026 “está perdido” e, caso não haja uma alteração de paradigma, ocorrerão “insolvências generalizadas”.

Subscrito por empresários e gestores do setor do turismo das nove ilhas açorianas, o documento denuncia a “paralisia estratégica e a grave falta de liquidez governamental que ameaçam a sustentabilidade da região”.

“O setor do turismo atingiu o seu ‘Dia Zero’ com a saída definitiva da [companhia aérea de baixo custo] Ryanair a 29 de março. O que se segue não é apenas uma crise setorial, mas um risco real de insolvências generalizadas com consequências transversais a todos os setores já a partir do final de 2026”, lê-se no texto do documento enviado à Lusa.

“Se não houver uma mudança imediata, enfrentaremos consequências irreversíveis já no fim de 2026 com insolvências generalizadas, suspensão de investimentos, aumento do desemprego e do colapso da receita fiscal”, apontam os empresários e gestores, salientando que a crise “é transversal e asfixia todos os setores que dependem diretamente ou indiretamente da dinâmica e do fluxo do turismo”, que representa 20% do Produto Interno Bruto (PIB) regional.

Os subscritores dizem que os Açores “acumulam mais de sete meses consecutivos de quebras de passageiros” desembarcados, ao contrário de Portugal continental e da Madeira, e o cenário é o resultado de decisões políticas “que ignoraram alertas claros do setor desde outubro de 2025”, para referirem que a saída da Ryanair da região, “não é apenas uma perda de conectividade, é a destruição sistemática de 400 mil lugares anuais”.

Para o Verão IATA 2026, avançam que “a realidade é uma quebra de 8,1% nos lugares e uma perda de 18,2% nas rotas face a 2025”, lembrando que, “sem concorrência aérea os Açores tornaram-se o destino mais caro de Portugal, isolando o arquipélago do mercado nacional e europeu”, lê-se.

Por outro lado, os empresários propõem uma “reestruturação profunda” da Visit Azores devolvendo a gestão técnica aos profissionais e “retirando-lhe a tutela política direta”.

Por isso propõem, avança a notícia da Lusa, ser “urgente recuperar novos mercados emissores e novas rotas imediatamente através da criação de um Fundo específico para esse fim”, exigindo “soluções imediatas e o apuramento de responsabilidades políticas face ao esgotamento estratégico demonstrado”.

Fonte e crédito da imagem: www.publituris.pt