Já a partir desta segunda-feira (23), o preço do gasóleo vai subir 15 cêntimos, com valores à venda acima dos dois euros. Já a gasolina sobe mais nove cêntimos em relação ao valor desta semana.
Os dados são fornecidos à Renascença pela ANAREC (Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis). Estes valores ainda não comtemplam o valor do desconto que o Governo tem aplicado todas as semanas a rondar os três cêntimos sempre que o valor dos combustíveis aumentou mais de 10 cêntimos.
O gasóleo deve então passar a ter um preço médio nos postos de combustível de 2,08 euros, sendo que esta semana era vendido a uma média de 1,93 euros. Já a gasolina deverá passar a ter um preço médio de 1,95 euros, quando o anterior preço de 1,86 euros.
Os combustíveis dispararam nas últimas três semanas, desde que a guerra no Médio Oriente começou, acumulando subidas de grande dimensão todas as semanas. A confirmarem-se estes dados da ANAREC, desde o começo da guerra a subida acumulada do gasóleo será de 48 cêntimos. No dia em que começou a guerra o valor médio de venda era de 1,59 euros.
Na gasolina, a subida nas últimas três semanas será de 26 cêntimos. A 28 de fevereiro era de 1,68 euros.
ANAREC prevê que subidas continuem nas próximas semanas
A vice-presidente da ANAREC, Mafalda Trigo, diz à Renascença que a tendência de subida dos preços deve manter-se nas próximas semanas e as consequências serão duras.
“São repercussões gravíssimas, tendo em conta que tudo aquilo que nós precisamos acaba por ser influenciado pelo preço do combustível. Isto irá levar, em primeiro lugar, a um aumento dos bens de primeira necessidade e depois um aumento da inflação de uma forma generalizada”, prognostica.
Mafalda Trigo diz que em relação à procura nos postos de combustíveis nacionais para já “têm-se assistido de uma forma ténue a uma baixa na procura”.
“Ainda não conseguimos visualizar isto com certezas, mas já se nota que estão os postos com bastante menos clientes e uma retração no consumo. Agora isso ir-se-á notar mais daqui por um mês ou dois, efetivamente se os consumidores começarem a ter que pagar mais por todos os produtos que necessitam e isso vai refletir-se ainda mais no consumo”, estima Mafalda Trigo.
Por fim, e em relação às medidas de apoio anunciadas pelo Governo, especialmente a redução de 10 cêntimos no gasóleo profissional, a representante da Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis afirma que o valor é “insuficiente”, tendo em conta “as subidas drásticas que se têm sentido”.
Por outro lado, considera-as também “restritivas”. “Estamos a ver uma grande parte do tecido empresarial em Portugal que não trabalha com veículos pesados, com mais do que 7 toneladas e meia”, aponta.
“Por exemplo, os revendedores de gás e de combustível, muitos deles trabalham com carros ligeiros e portanto desde já pedíamos ao Governo para refletir o gasóleo profissional também nas empresas distribuidoras, sejam ligeiros, sejam pesados”, remata.
Fonte: www.rr.pt
Crédito da imagem: António Pedro Santos / Lusa