Gás natural representa 25% do fornecimento global de energia primária e gera 1,3 biliões de dólares de receitas anuais

O mercado global de gás natural, responsável por cerca de 25% do fornecimento mundial de energia primária, está a entrar numa nova fase marcada por maior volatilidade e crescente relevância geopolítica.

A conclusão é de um novo relatório da consultora Roland Berger, que aponta para um setor em transformação estrutural profunda, apesar do avanço da transição energética.

De acordo com o estudo “The Global Gas Game”, o mercado gera atualmente cerca de 1,3 biliões de dólares em receitas anuais e deverá continuar a desempenhar um papel central nas próximas décadas, nomeadamente na produção de eletricidade, na indústria, no aquecimento e no transporte marítimo.

No mais recente relatório sobre o mercado global de gás a Roland Berger destaca a rápida evolução do setor para um modelo mais dinâmico e flexível, onde a capacidade de adaptação às condições do mercado será determinante para o sucesso de países e de empresas.

A análise destaca mudanças significativas nas rotas comerciais, uma maior interligação entre mercados e o crescimento do gás natural liquefeito (LNG) como elemento-chave na dinâmica global. Este novo contexto, mais complexo, exige maior capacidade de adaptação por parte de países e empresas.

Pedro Galhardas, partner da Roland Berger Portugal, diz que “num cenário cada vez mais complexo e em rápida evolução, aqueles que agirem rapidamente para aumentar a flexibilidade e integrar gases renováveis estarão em melhor posição para garantir um fornecimento sustentável de gás às indústrias dependentes do gás natural, incluindo setores de difícil descarbonização.

“O gás natural continuará a ser uma fonte de energia vital e indispensável no futuro”, afirma Pedro Galhardas, senior partner da Roland Berger em Portugal. O responsável sublinha que Espanha e Portugal devem definir claramente o seu posicionamento estratégico, acrescentando que os países que investirem em flexibilidade e integração de gases renováveis estarão melhor preparados para assegurar um fornecimento sustentável.

O relatório destaca ainda o peso crescente dos fatores geopolíticos. O gás natural tem vindo a afirmar-se como instrumento estratégico nas relações internacionais, influenciando decisões políticas e estratégias de segurança energética.

redução das importações europeias de gás russo e o papel crescente da China como grande comprador e potencial regulador do mercado de LNG são apontados como fatores que poderão intensificar a volatilidade global.

Ao mesmo tempo, a Ásia surge como o principal motor da procura mundial. Países do Sul e Sudeste Asiático deverão liderar o crescimento do consumo, impulsionados pela substituição do carvão na produção de energia e pelo desenvolvimento industrial.

Apesar da expansão das energias renováveis, o gás natural mantém vantagens competitivas, nomeadamente pela sua capacidade de complementar fontes intermitentes como a solar e a eólica. Ainda assim, a eletrificação crescente e a evolução tecnológica estão a alterar os padrões de consumo, contribuindo para um mercado mais instável.

Perante este cenário, a Roland Berger conclui que a flexibilidade será determinante. Entre as estratégias recomendadas estão a diversificação de fontes, o investimento em infraestruturas como terminais de LNG e armazenamento, e o desenvolvimento de capacidades avançadas de trading.

Num mercado cada vez mais interligado, a gestão dinâmica de portfólios de gás — incluindo a capacidade de aproveitar oportunidades de arbitragem e responder rapidamente a mudanças geopolíticas — será essencial para garantir competitividade e segurança energética nas próximas décadas.

Fonte e crédito da imagem: O Jornal Económico / Portugal