A Galp e os acionistas da espanhola Moeve, a antiga Cepsa, estão a negociar uma possível junção dos negócios nos segmentos de postos de combustíveis e de refinação, anunciaram as respectivas empresas nesta quarta-feira (8).
Se as negociações chegarem ao fim serão criadas duas empresas, para já designadas de RetailCo e a IndustrialCo, que serão líderes na Península Ibérica, concorrendo com a Repsol.
A Galp manterá uma participação de 50% na unidade de postos de combustíveis, mas cede a maioria na unidade industrial que inclui a refinaria de Sines, a única do país.
A empresa controlada pela família Amorim irá concentrar-se na exploração e produção de petróleo e gás, nas renováveis e no trading de energia. A Galp fez recentemente uma parceria com a Total para o desenvolvimento do campo petrolífero da Namíbia.
As duas novas empresas serão:
Uma plataforma de retalho com uma das maiores redes de estações de serviço na Península Ibérica, com 3.500 postos em Portugal e Espanha que será “um dos maiores operadores de mobilidade da Península Ibérica”.
A RetailCo será co-controlada pela Galp e pelos acionistas da Moeve, “com participações acionistas equilibradas, assegurando o alinhamento contínuo em matéria de estratégia e decisões de investimento.”
Uma plataforma industrial escalável “que integre as atividades de refinação, trading, petroquímica e moléculas verdes (biocombustíveis e hidrogénio), servindo clientes B2B com maior eficiência e competitividade global.
Na IndustrialCo, a Galp deverá manter uma participação minoritária significativa, superior a 20%, assegurando o alinhamento estratégico de longo prazo, enquanto permitirá à plataforma operar com a escala e o foco necessários para acelerar a transformação industrial.
A Galp tem apenas uma refinaria em Sines. A Moeve tem três refinarias em Espanha, das quas duas são de combustíveis e uma petroquímica.
A IndustrialCo deverá “desempenhar um papel central na atração de talento industrial e investimento de longo prazo para a região, bem como na aceleração da transformação de ativos existentes de refinação e industriais em hubs multi-energia integrados”.
O objetivo é que estes ativos apoiem o desenvolvimento e a implementação de combustíveis e soluções de baixo carbono, contribuindo para a reindustrialização da Península Ibérica, reforçando a segurança energética e suportando os objetivos de descarbonização em setores de difícil abatimento”.
Em comunicado, a petrolífera portuguesa indica que esta junção “permitirá consolidar ativos, capacidades e equipas complementares em Portugal e Espanha, com o objetivo de reforçar escala, eficiência operacional e capacidade de investimento, apoiando simultaneamente a transição energética e fortalecendo a resiliência, fiabilidade e competitividade do sistema energético ibérico”.
O processo tem ainda como objetivo “viabilizar a escala e capacidade de investimento necessárias para acelerar a transição energética europeia e construir a próxima geração de campeões energéticos europeus”.
Não existem um calendário para a sua execução e enquanto durar o processo negocial, as empresas vão manter a operação independente. A operação exige ainda autorizações regulatórias, nomeadamente ao nível da concorrência.
As negociações envolvem os acionistas da Galp, nomeadamente a família Amorim, e os acionistas da Moeve, a Mubadala Investment Company e o Carlyle Group, fundo americano que foi um dos candidatos à compra dos ativos de petróleo da Galp em 2004. A Mubadala Investment Company é o fundo soberano do Abu Dhabi que foi acionista qualificado da EDP até 2020.
A configuração agora anunciada é uma versão atualizada de uma parceria para o retalho entre a Petrogal (antecessora da Galp) e a Cepsa (antigo nome da Moeve) que chegou a ser negociada no final do século passado, mas que não foi viabilizada.
Num comentário difundido esta manhã, a presidente do conselho de administração Paula Amorim mostra-se “extremamente confiante por termos alcançado este acordo preliminar e iniciado uma discussão de enorme relevância estratégica europeia”.
E indica que a “visão de crescimento da Galp sempre se pautou por parcerias com operadores altamente credíveis, que demonstraram consistentemente capacidade na criação de valor”. Explica também que esta operação é uma “oportunidade de criar grandes grupos europeus na Península Ibérica, cada um beneficiando de maior foco, alocação de capital ajustada e flexibilidade essencial para impulsionar um crescimento sustentável e gerador de valor”.
Para o presidente executivo da Moeve, Maarten Wetselaar, “esta potencial junção representa uma oportunidade única para reforçar o papel da Península Ibérica na transição energética, através da criação de plataformas com a escala, resiliência e capacidade de investimento necessárias para concretizar a mudança com rapidez”.
As ações da Galp estavam a valorizar pouco mais de 1% esta manhã na bolsa de Lisboa.