Uma mostra coletiva de 78 fotografias de personalidades de diferentes áreas profissionais, inspiradas no legado do artista Fernando Lemos, abre ao público a partir de 26 de setembro, na Fundação Cupertino de Miranda, em Vila Nova de Famalicão.
Cadavre Exquis. Fotografar em Continuidade vai estar patente até 28 de fevereiro de 2027 e tem curadoria de Marlene Oliveira, Jorge Barbosa e Perfecto Cuadrado, anunciou a organização.
Trata-se de uma iniciativa que nasceu de um desafio lançado em 2024 por Jorge Barbosa a fotógrafos, artistas, designers, jornalistas, escritores, músicos e outras personalidades, incluindo participantes que não desenvolvem atividade profissional na fotografia, mas que mantêm com a imagem uma relação de interesse ou proximidade.
A proposta consistia na partilha de uma fotografia acompanhada por uma legenda, e responderam 78 participantes, contribuindo para um conjunto de imagens marcado pela diversidade de olhares, experiências e contextos.
Segundo a organização, as fotografias apresentadas não obedecem a um tema comum nem procuram representar uma visão profissional da prática fotográfica, evidenciando, antes, “diferentes modos de olhar, de escolher, de aproximar ou de se afastar do mundo”.
O resultado é um “retrato coletivo” construído a partir de perspetivas distintas, “não apenas das pessoas que fotografam, mas também de uma comunidade de olhares”, acrescentam os promotores da iniciativa, em comunicado.
As imagens reunidas abrangem diferentes locais, incluindo cidades como Lisboa, Porto, Sintra, Aveiro, Bruxelas, Dublin, Roma, Londres, Macau, Bordéus e Nova Iorque, compondo uma “geografia afetiva e visual” que ultrapassa fronteiras territoriais.
A exposição integra trabalhos de fotógrafos, fotojornalistas, escritores, músicos, artistas visuais, designers, jornalistas, professores, produtores, gestores, ilustradores e investigadores, entre outros participantes provenientes de diferentes áreas de atividade, reforçando a “ideia essencial” de que “a fotografia pertence a todos os que olham”.
De acordo com os curadores, Cadavre Exquis. Fotografar em Continuidade estabelece um diálogo livre e contemporâneo com a obra de Fernando Lemos, procurando evocar a sua forma de “experimentar o mundo e de revelar aquilo que, por vezes, permanece invisível”.
Mais do que uma exposição dedicada ao artista, a mostra propõe-se partir da sua memória fotográfica para convocar novos olhares e novas narrativas, reunindo histórias de natureza pessoal, profissional, documental, poética ou ocasional.
A organização sublinha ainda que a iniciativa pretende não só promover um encontro entre gerações, geografias e sensibilidades distintas, mas também “entre quem fotografa todos os dias e quem fotografa apenas quando algo o interpela” e “entre a memória de um artista e a vitalidade dos olhares de hoje”.
Fonte: www.observador.pt