A Comissão dos Transportes e do Turismo (TRAN) adotou esta quarta-feira (18), uma série de propostas sobre formas de melhorar a conectividade, preservar o património cultural e promover a excelência local no turismo europeu, como forma de combater o overtourism.
Este relatório visa promover a conectividade para reequilibrar os fluxos para além dos destinos turísticos mais populares, reforçar a cultura como pedra angular do turismo de qualidade, promover a ação ambiental, impulsionar as competências e a mobilidade e garantir que os alugueres de curta duração sirvam as comunidades, em vez de as explorarem.
Os eurodeputados, que salientaram que 80% dos viajantes visitam apenas 10% dos destinos globais, defendem a necessidade de aliviar a pressão sobre os locais na Europa que sofrem com o excesso de turismo e redirecionar os visitantes para destinos menos conhecidos, emergentes ou remotos, como zonas rurais isoladas, montanhas ou regiões de interior e de baixa densidade.
Por outro lado, apontam a gastronomia, o vinho, o património, o ciclismo e as experiências de turismo regenerativo como formas para criar novas oportunidades para destinos emergentes, prolongar as viagens para além da época alta e gerar rendimentos adicionais.
Com vista a tornar o turismo europeu mais sustentável, os eurodeputados da Comissão dos Transportes e do Turismo propõem a melhoria das ligações de transportes. Apelam à Comissão para que identifique um mecanismo de apoio específico para reforçar as ligações aéreas, marítimas e terrestres e a acessibilidade aos destinos emergentes na sua próxima estratégia da UE para o turismo sustentável.
Outras medidas recomendadas pelos eurodeputados incluem apoio específico ao leasing de veículos elétricos e à infraestrutura de carregamento, mais comboios noturnos transfronteiriços e a rápida implementação de um sistema integrado de bilhetes que abranja os serviços ferroviários, aéreos e marítimos.
A resolução congratula-se com as novas regras da UE sobre o aluguer de alojamento de curta duração, que se aplica a partir de 20 de maio de 2026, como um passo positivo para uma gestão mais eficaz dos destinos, considerando, no entanto, que é necessário fazer mais para evitar que o crescimento desregulado e a comercialização dos alugueres de curta duração resultem numa perda de autenticidade, problemas de habitação local e no deslocamento de residentes.
Neste sentido, defendem um novo quadro da UE para aluguéis de curta duração que defina padrões de prestação de serviços, esclareça as categorias de anfitriões e permita que os países da União Europeia limitem o número de pernoitas de visitantes ou introduzam regimes de autorização ou sistemas por zonas.
Os eurodeputados observaram que várias cidades e regiões já introduziram impostos ambientais sobre o turismo, considerando que estas taxas poderiam servir como fonte de financiamento para projetos que beneficiem os residentes locais e o meio ambiente, sendo que seria proveitoso partilhar os resultados dessas iniciativas com outros países e regiões da UE que procuram formas de investir no turismo sustentável.
Finalmente, para combater a escassez de mão de obra, melhorar as condições de trabalho e superar as barreiras à mobilidade, os eurodeputados propõem a introdução de um cartão de competências em turismo para documentar a formação acreditada, as competências, as qualificações e a experiência profissional no setor do turismo.
Fonte e crédito da imagem: www.publituris.pt