À primeira vista, parece faltar muito por fazer. Na contagem decrescente para mais uma edição da Feira do Livro do Porto, nas bancas instaladas nos jardins do Palácio de Cristal há caixas empilhadas, cheias de livros à espera de ir para a prateleira.
Para quem ali trabalha, porém, a organização é maior do que aparenta.
“Parece um caos à vista de qualquer um, mas já é o nosso normal”, resume à Renascença André, responsável pela banca da Essência do Livro.
Ainda há “muitas horas de trabalho pela frente”, admite o livreiro. “Todos os anos é igual. Chega a altura da abertura e está tudo pronto”, ressalva.
Há oferta para todos os gostos: literatura, clássicos, livros em inglês, títulos infantojuvenis. “Trazemos só mesmo aquilo que as pessoas procuram”, explica o responsável.
Há muitos livros, mas também cada vez mais leitores, nomeadamente entre os jovens.
“A juventude está a voltar aos livros, as próprias redes sociais ajudam. Através das redes sociais, divulgam muito os livros e a leitura, o que é excelente”, considera André, da Essência do Livro.
Interesse pelo livro em segunda mão resiste
Uns passos à frente, o alfarrabista António Caldeira já tem as estantes mais compostas. Está na Feira do Livro há 10 anos, mas há 26 que entrou no negócio.
“Sempre gostei de livros, mas em termos de negócio não percebia rigorosamente nada. Entrei porque queria conhecer e fiquei até agora”, recorda.
Ao longo de mais de duas décadas, viu passar tendências, mas garante que o interesse pelo livro usado resistiu. “A tendência da compra do livro usado tem-se mantido ao longo dos anos”, afirma.
Nas feiras de maior dimensão, há géneros que continuam a destacar-se. “O tipo de livro que se vende mais são os romances. Basicamente, romances e policiais”, conta.
Mais perto da saída, ainda se monta outro mosaico, este feito de palavras. Na banca da editora “Mosaico de Palavras”, Elvira e Vítor continuam a distribuir livros pelas estantes. Nem todos cabem à primeira.
“Já temos duas estantes sempre de reserva”, conta Elvira. Os títulos vão sendo divididos por romance, poesia, literatura infantil e outros géneros, enquanto se escolhe o que pode chamar mais à atenção dos leitores.
A editora nasceu há cerca de duas décadas com o objetivo de abrir espaço a escritores menos conhecidos.
“Às vezes, temos autores que publicam pela primeira vez. É a editora Mosaico de Palavras que lhes abre a porta da literatura pela primeira vez e da publicação”, explica Vítor.
As feiras continuam, por isso, a ser um lugar privilegiado para apresentar essas obras.
“Ainda é um dos melhores espaços onde as pessoas gostam de vir e de contactar com os livros”, diz o livreiro.
Para Elvira, a ligação aos livros começou muito antes das feiras. Cresceu em Trás-os-Montes, numa altura em que o acesso às obras era mais difícil.
“Lá não havia bibliotecas, não é como agora. Ainda bem que naquela altura havia a carrinha da Gulbenkian que nos levava livros ao interior”, relembra.
Vítor também começou como leitor, passou pela escrita e acabou na edição. Entre os últimos preparativos, deixa um apelo aos leitores.
“Se continuar a gostar de livros, os livros sobreviverão, se as pessoas abandonarem os livros, o livro morre, deixa de existir”, termina.
A prova de vida começa esta sexta-feira. A Feira do Livro do Porto decorre até 6 de setembro.
Fonte: www.rr.pt
Crédito da imagem: Jaime Dantas / Renascença