Em um movimento que promete redesenhar o mapa geopolítico e económico do mercado energético mundial, os Emirados Árabes Unidos (EAU) anunciaram oficialmente a sua decisão de abandonar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). A saída entrará em vigor já no próximo dia 1 de maio.
A decisão marca o fim de uma era para um dos membros mais influentes e antigos do cartel, sinalizando uma mudança drástica na estratégia nacional do país, que procura agora maior autonomia sobre as suas quotas de produção e políticas de exportação.
A saída do cartel da OPEP após 59 anos como membro, foi noticiado em exclusivo pela agência noticiosa estatal WAM.
O ministro da Energia dos Emirados Árabes Unidos, Suhail Mohamed al-Mazrouei, disse à Reuters que a decisão foi tomada após uma análise cuidadosa das estratégias energéticas da potência regional. Questionado sobre se os EAU consultaram a Arábia Saudita, disse que os EAU não levantaram a questão com mais nenhum país.
“Esta é uma decisão política, tomada após uma análise cuidadosa das políticas atuais e futuras relacionadas com o nível de produção”, disse o ministro da Energia.
Os produtores do Golfo Pérsico, membros da OPEP, já enfrentam dificuldades para enviar exportações através do Estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento entre o Irão e Omã, por onde passa normalmente um quinto do crude e do gás natural liquefeito do mundo, devido às ameaças e ataques iranianos contra embarcações.
Os Motivos da Rutura
Embora a OPEP tenha sido o pilar da estabilidade dos preços do petróleo durante décadas, fontes oficiais indicam que os EAU sentem que as atuais restrições de produção travam o seu potencial de crescimento económico. No que toca à expansão da capacidade o país investiu milhares de milhões de dólares para aumentar a sua capacidade de produção e deseja rentabilizar esse investimento sem as amarras das quotas impostas pelo grupo.
A saída permite também aos EAU alinhar a produção de petróleo com a sua estratégia de transição energética e investimentos em hidrogénio e energias renováveis.
Depois os Emirados consideram que a saída da OPEP reforça a sua soberania energética, já que lhe dá a liberdade para negociar contratos bilaterais sem a necessidade de consenso com outros grandes produtores, como a Arábia Saudita.
O anúncio causou ondas de choque imediatas nos mercados financeiros. Analistas preveem um período de volatilidade nos preços do barril de Brent, uma vez que a coesão do grupo “OPEP+” fica agora em causa.
“Esta é talvez a maior crise de identidade da OPEP desde a sua criação. Sem os EAU, o cartel perde um dos seus produtores mais eficientes e tecnologicamente avançados”, afirma um analista de energia sénior.
A partir de 1 de maio, os EAU deixam de estar vinculados aos acordos de corte de produção. Espera-se que que o país possa colocar gradualmente mais barris no mercado.
É também esperado que a relação com Riade seja posta à prova, dado que a Arábia Saudita tem sido a principal defensora da disciplina de produção.
Outros membros menores poderão questionar a sua permanência caso vejam os EAU a prosperar de forma independente.
A saída dos Emirados Árabes Unidos é um lembrete de que a paisagem energética global está a mudar rapidamente, privilegiando a agilidade nacional em detrimento do coletivismo tradicional.
A saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP representa ainda uma vitória para o presidente norte-americano, Donald Trump, que acusou a organização de “explorar o resto do mundo” ao inflacionar os preços do petróleo.
Trump também relacionou o apoio militar dos EUA ao Golfo com os preços do petróleo, dizendo que, enquanto os EUA defendem os membros da OPEP, “exploram isso impondo preços elevados do petróleo”.
Estes eram até agora os membros fixos da organização principal:
-
África: Argélia, Congo, Gabão, Líbia, Nigéria e Guiné Equatorial.
-
Médio Oriente: Arábia Saudita, Irão, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos.
-
América do Sul: Venezuela.
Aliados Não-OPEP (O “+” da Aliança), países que colaboram com o cartel mas mantêm a sua independência formal:
Rússia (o líder deste subgrupo)
Cazaquistão
México
Azerbaijão
Malásia
Omã
Bahrein
Brunei
Sudão
Sudão do Sul
Brasil: Em 2024, o Brasil aderiu à “Carta de Cooperação” da OPEP+, mas numa categoria especial de observador/colaborador, sem participar nas quotas de corte de produção.
Dinâmica: A composição pode variar, uma vez que países como Angola abandonaram a organização recentemente (dezembro de 2023) por discordâncias em relação às metas de produção.
Fonte e crédito da imagem: O Jornal Económico / Portugal