EDP quer fornecer energia verde a centro de dados de Sines

A EDP quer fornecer energia verde ao centro de dados de Sines. O projeto da Start Campus já tem a primeira fase concluída e vai agora avançar para a construção da segunda fase.

Ali ao lado a sul de Sines, jaz a antiga central a carvão da EDP. Encerrada desde janeiro de 2021, a central já foi demolida, mas o terreno continua lá por utilizar com potencial para a produção de energia renovável ou até para instalar centros de dados.

Agora, a anglo-americana Start Campus fecha um acordo com a sua vizinha EDP com vista a explorar oportunidades em várias áreas.

Ainda não há nada fechado, mas a ideia futura é fornecer eletricidade, mas também pode passar pela partilha de infraestruturas ou pela cedência de terrenos, apurou o JE.

Na imagem que acompanha esta notícia é possível ver a antiga central da EDP no lado direito, entretanto demolida, e uma projeção do centro de dados concluído, do lado esquerdo. Neste momento, apenas o primeiro pavilhão foi concluído.

A Start Campus é um consórcio formado pelos britânicos da Pioneer Point Partners e o fundo norte-americano Davidson Kempner que planeiam investir 8,5 mil milhões de euros para construir 1,2 gigawatts de capacidade em Sines para alimentar a vaga mundial de inteligência artificial (IA).

Oficialmente, as duas empresas anunciaram esta quarta-feira (25) que assinaram um memorando de entendimento (MoU). O objetivo é “acelerar o desenvolvimento de energia renovável para responder ao crescimento da procura digital, reforçando simultaneamente a resiliência da rede elétrica e a estabilidade do sistema a longo prazo”.

Depois, “estabelecer a EDP como parceiro preferencial de longo prazo da Start Campus para soluções de energia verde”.

Por último, “explorar sinergias e oportunidades de cooperação em Sines e em futuros desenvolvimentos de centros de dados em Portugal e, potencialmente, noutros mercados”, segundo o comunicado.

Arrancam agora as discussões “técnicas, comerciais e estratégicas” para “acelerar soluções renováveis competitivas que apoiem o crescimento da procura digital, reforcem a resiliência da rede, assegurem estabilidade de preços a longo prazo e reduzam a dependência de importações transfronteiriças”.

É neste centro de dados na costa alentejana que as duas maiores tecnológicas mundiais juntaram-se: os chips da Nvidia vão alimentar a máquina de inteligência artificial da Microsoft através da Start Campus. A Microsoft estimou o seu investimento em 10 mil milhões de euros.

Em outubro de 2025, foi assinado um acordo com britânica Nscale (que constrói e gere centros de dados para terceiros) para instalar 12.600 unidades de processamento gráfico (GPU) da Nvidia: os Blackwell Ultra GB300, que entram em operação no primeiro trimestre de 2026.

Inicialmente, um GPU era um chip que servia apenas para processar/criar/acelerar imagens num computador ou telemóvel. Mas o seu uso evoluiu e hoje é usado em centros de dados para acelerar o uso de aplicações, mas continua a ser usado para gaming, produção de vídeos ou realidade virtual.

A parceria entre a EDP e a Start Campus pretende “viabilizar o desenvolvimento eficiente de infraestruturas digitais de nova geração em toda a região e contribuir para a adoção de eletricidade renovável”.

“Este enquadramento de parceria reúne duas empresas de referência e foi concebido para alinhar novos desenvolvimentos e investimentos nos setores da energia e do digital em Portugal, tendo como âncora inicial o SINES Data Campus, reforçando a posição do país na linha da frente da transição digital e energética verde na Europa”, pode-se ler no comunicado.

Até 2030, a Europa deverá assistir a um disparo na procura de eletricidade por parte dos centros de dados, com 70 TWh adicionais de consumo.

“A EDP está preparada para apoiar o desenvolvimento de infraestruturas digitais que possam escalar de forma fiável e sustentável, alavancando as suas fortes competências em eletricidade renovável e gestão de energia”, disse Ana Quelhas, diretora da Unidade de Negócio de Hidrogénio e Data Centers da EDP.

“A experiência e histórico da EDP na promoção de energia limpa, combinados com a especialização da Start Campus no desenvolvimento de centros de dados de classe mundial, constituem uma base sólida para disponibilizar, em Portugal, infraestruturas digitais à escala alimentadas por energia renovável”.

A Start Campus garante que só vai utilizar eletricidade 100% renovável para alimentar o sue projeto e que recorre à água do mar para arrefecer os servidores, que depois é devolvida ao oceano Atlântico.

No comunicado, o presidente da Start Campus Robert Dunn disse; “Ao alinhar a visão de plataforma da Start Campus com a liderança energética e a experiência global da EDP no suporte a infraestruturas digitais hyperscale, estamos a lançar as bases para uma abordagem integrada ao crescimento digital — começando em Sines e estendendo‑se a todo o país — que apoia os clientes, reforça o sistema energético e gera valor económico sustentável.”

Já Daniel Bohem da Davidson Kempner afirmou: “A Davidson Kempner tem o prazer de apoiar este alinhamento estratégico como parte do nosso compromisso de longo prazo com a construção de plataformas de infraestruturas digitais resilientes”.

“O enquadramento entre a Start Campus e a EDP reflete o tipo de colaboração visionária necessária para viabilizar infraestruturas digitais escaláveis e alinhadas com a energia, sustentadas pela sustentabilidade e por uma disciplina de investimento de longo prazo.”

Fonte e crédito da imagem: O Jornal Económico / Portugal