Descobrir o charme do Alto Minho no inverno – entre o mar, o rio e a serra

A cidade de Viana do Castelo é um ótimo ponto de partida para um ’tour’ de um dia pela zona litoral do Alto Minho.

Esta viagem tem paragens junto ao mar, mas também incursões pela serra, para conhecer praias fluviais que convidam a um regresso numa época mais quente, passeios urbanos, arte contemporânea, gastronomia entre o regional e a tradição reinventada e vistas de cortar a respiração.

Para aproveitar o dia, o melhor é sair de Viana do Castelo bem cedo. Antes de deixar a capital do Alto Minho, aconselha-se uma subida ao Santuário do Sagrado Coração de Jesus, no Monte de Santa Luzia. É, sem qualquer dúvida, o melhor ponto de observação sobre a cidade e um excelente miradouro sobre o vale do Lima. Dependendo da meteorologia, a vista pode estar mais ou menos desimpedida.

Descobrir o charme do alto minho no inverno - entre o mar, o rio e a serra
Foto: Rui Dias / O MINHO

Por vezes, um nevoeiro vindo do mar envolve todo o vale numa nuvem de algodão branco, mas esse cenário também é digno de ser apreciado. Nessas alturas, o Santuário parece estar construído numa ilha a flutuar no céu. Um dos melhores quadros é quando a cidade, o rio e a costa estão com a vista desimpedida e sobre o mar há um tapete de nuvens.

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Foto: Rui Dias / O MINHO

Se a meteorologia não estiver de feição, reserve um tempo para voltar, até porque nestas zonas costeiras, o tempo muda num instante. Não deixe de visitar o interior do Santuário e de fazer uma fotografia no escadório, obrigatória para quem visita Viana do Castelo.

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Foto: Rui Dias / O MINHO

Deixando a cidade para trás, siga pela EN13 ao longo da costa. Viaje lentamente, aproveite para apreciar a vista de mar, à esquerda, e a serra à direita.

Se quiser conhecer uma praia onde deve voltar no verão, em Carreço, fique atento às placas que indicam o corte à direita para a Praia de Paçô. No inverno é um ‘spot’ para ver as ondas do mar, mas para isso temos uma paragem mais adequada, mais à frente.

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Foto: Rui Dias / O MINHO

Se fosse hora de almoçar era na Mariana

Continuando pela EN13, à passagem por Afife, se já fosse hora de almoçar, era caso para parar na Mariana. Umas zamburinhas de entrada (vieiras pequenas) seguidas do incontornável robalo com algas. Quem voltar no verão, já sabe. Os preços são para salários nórdicos, mas a experiência vale a extravagância.

Para ver o mar agitado a rebentar na costa rochosa e tirar umas fotografias espetaculares (com cuidado), ainda antes de chegar a Vila Praia de Âncora, junto ao parque de campismo Sereia da Gelfa, vire à esquerda para o Forte do Cão.

É uma das quatro fortalezas construídas neste troço de costa, depois da Restauração da Independência, em 1640 (na praia de Paçô, já viu as ruínas de outra, o Forte de Montedor). O forte em si mesmo não tem muito que ver, até porque está fechado e  mal conservado, mas a costa neste local, com muitos afloramentos rochosos é um verdadeiro espetáculo num dia de mar revolto.

Uma praia fluvial para esticar as pernas e assinalar para voltar no verão

Faça o caminho pela A28 até à Praia Fluvial das Azenhas, perto de Vilar de Mouros (outro local para regressar no verão), não é tão turístico, mas ganha tempo para visitar este local maravilhoso, antes da paragem para almoçar. Se escolher fazer a rota por Caminha e levar crianças, elas podem começar a reclamar que é hora de comer e vê-se obrigado a parar. Faça-as esperar um pouco mais. Vale a pena.

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Foto: Rui Dias / O MINHO

Nesta altura, o rio vai cheio e é uma ocasião para apreciar a força da água que antes fazia mover os moinhos que ainda ali estão, junto à margem. Se foi precavido e trouxe um lanche, este é o local para o desembrulhar.

Quem sabe, umas bolas do Natário (compradas em Viana do Castelo, ao fundo da Avenida dos Combatentes da Grande Guerra). Se tem crianças, é o local certo para darem umas corridas e esticarem as pernas na natureza.

Almoçar e demorar-se em Caminha

O almoço é em Caminha e o trajeto aconselhado é pela EN301, o tal caminho que evitou na ida para poupar tempo. As paisagens são muito bonitas, por isso, resista à tentação de voltar à autoestrada. Não vai ter dificuldade em encontrar o restaurante Baptista, é mesmo no centro, a um passo da icónica Torre do Relógio.

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Foto: Rui Dias / O MINHO
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Foto: Rui Dias / O MINHO

Trata-se de uma mercearia dos anos 40 do século passado, reconvertida em restaurante, com gosto. Se a casa não estiver à pinha (às vezes os Espanhóis enchem o espaço e é conveniente marcar) converse com o proprietário, ele tem belas histórias familiares para contar sobre aquele lugar.

O pedido é quase obrigatório, na medida em que venceu o prémio “7 Maravilhas da Nova Gastronomia”: Tábua de Polvo. Para beber, se também quiser dar um twist, sem abandonar a Região dos Vinhos Verdes, vá para um espumante Casa dos Boralhais, vinificado com as castas Loureiro e Avesso.

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Foto: Rui Dias / O MINHO
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Foto: Rui Dias / O MINHO

O teor de álcool no sangue depois do almoço não convida a voltar à estrada. Aproveite para visitar Núcleo Museológico do Centro Histórico de Caminha, na Torre do Relógio (os miúdos vão adorar passar por baixo), onde pode conhecer a história de Caminha desde a sua origem até aos nossos dias e, ao mesmo tempo, ver a vila e o Rio Minho de uma perspetiva única. Dê um passeio pelas muralhas, agora o Monte de Santa Tecla fica “mesmo ali do outro lado do rio”.  Visite a igreja matriz da vila e percorra a Rua Direita, se um dia voltar à noite, este é o local para vir beber um copo.

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Foto: Rui Dias / O MINHO

Cerveira é um museu a céu aberto onde vai fazer as fotos desta viagem

De volta ao carro, suba o rio Minho pela margem portuguesa, com terras galegas sempre nas janelas do lado esquerdo, até Vila Nova de Cerveira. Pode lançar um concurso para os ocupantes da viatura, com um prémio para o primeiro a identificar o Cervo no cimo dos montes. Diz-se que é possível vê-lo a dez quilómetros.

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Foto: Rui Dias / O MINHO

Há muito para ver em Cerveira, como de resto em Caminha, mas como este é um percurso de um dia, vá direto ao Museu da Bienal de Cerveira (não é possível ver tudo).

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Foto: Rui Dias / O MINHO

Certifique-se dos horários na internet antes de visitar este museu, não é por acaso que aconselhamos a ir de tarde. Atualmente, está patente uma exposição dedicada aos artistas que fundaram a Bienal de Arte Contemporânea.

Note que a vila de Cerveira é toda ela um museu de arte a céu aberto, não deixe de dar uma volta. Para ver uma das obras mais marcantes deste museu, antes de regressar a Viana do Castelo, tem de se dirigir ao Miradouro do Cervo (3,2 quilómetros). Por esta altura o sol deve estar a pôr-se e visto dali é deslumbrante. O olhar abarca os últimos quilómetros do leito do rio Minho, as margens portuguesa e galega e, ao fundo, o mar assinalado pelo Forte da Ínsua. Demore-se até ao último raio de luz e tire fotografias para fazer inveja a quem nunca ali esteve.

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Foto: Rui Dias / O MINHO

Está perto do Porto e de Vigo, mas depois de um Alvarinho é melhor passar a mais uma noite em Viana

Agora sim, adopte a A28 com convicção para regressar mais rapidamente a Viana do Castelo. Pertinho do sítio do Zé Natário (onde comprou aquelas bolas deliciosas), fica a Casa de Pasto Maria de Perre, com comida tradicional portuguesa a preço justo e com serviço muito simpático.

À beira mar, um arroz de tamboril é uma excelente opção, nesta casa, vem “malandro” a fugir pelo prato, como se exige. Para continuar, sem sair da região, Muros Antigos, Alvarinho 2024, é uma excelente opção para empurrar o arroz caldoso. Mas tenha cuidado, se ainda pensa regressar a casa, lembre-se que está a 70 quilómetros do Porto e a 100 de Vigo, portanto, beba com moderação ao jantar.

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Foto: Rui Dias / O MINHO
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Foto: Rui Dias / O MINHO

O melhor será ficar no Hotel Rali, que, por um preço honesto, oferece o conforto necessário para uma noite confortável. O espaço não tem o ‘glamour’ que se percebe que terá tido noutras épocas, mas retém um ar “Mid-Century Modern”, visível na arquitetura e em algumas peças de mobiliário, muito interessante.

No dia seguinte pela manhã, depois do agradável pequeno-almoço no Rali, pode fazer uma segunda tentativa no Monte de Santa Luzia, caso no dia anterior o tempo não tenha estado de feição, antes de se fazer à estrada.

Fonte: www.ominho.pt

Texto e créditos das imagens: Rui Minho