Da ocupação portuguesa à Cidade Criativa – Santos conta 480 anos e olha para o futuro

Uma das cidades mais antigas do país, Santos tem a história ligada à ocupação portuguesa no litoral paulista, iniciada em 1532 com a chegada de Martim Afonso de Souza.

O português Braz Cubas, em 1546, decidiu elevar o pequeno povoado de Enguaguaçu — que crescia ao redor do Outeiro de Santa Catarina (foto abaixo) — à categoria de Vila de Santos. O ato ocorreu no dia 26 de janeiro daquele ano, no endereço que hoje corresponde ao número 48 da Rua Visconde do Rio Branco.

Depois de quase três séculos como Vila, Santos foi promovida à categoria de Cidade em 1839. Desde então, nessa data celebra-se o dia da Cidade, marcando uma trajetória que começou modesta, mas que nunca deixou de ser grandiosa.

Historiadores apontam três hipóteses para a origem do nome da Cidade. A mais aceita é a de que seja uma homenagem à Santa Casa de Misericórdia de Todos os Santos (foto abaixo), fundada por Braz Cubas em 1543, cujo nome acabou sendo simplificado para “Santos”.

Outra teoria sugere que a Vila teria sido batizada em referência ao porto de Lisboa, também chamado Santos, e por isso passou a ser conhecida como Vila do Porto de Santos.

Há ainda a hipótese de que o navegador português João Dias de Solis, em 1515, tenha nomeado a região como Rio dos Santos Inocentes, em alusão à data cristã dedicada aos Santos Inocentes.

Fundada por Braz Cubas em 1º de novembro de 1543, a Santa Casa de Santos foi a primeira unidade assistencial a funcionar no Brasil e é a mais antiga em atividade em todo o continente. Inicialmente chamada Hospital de Todos os Santos, tornou-se referência não só no atendimento de saúde, mas também como a primeira escola prática de Medicina do País.

Ao longo de quase cinco séculos, participou de todos os ciclos da história brasileira, consolidando-se como um marco de inovação e solidariedade.

Desde a fundação da Vila de Santos, em 1546, o Porto (foto abaixo – período da construção) já se destacava como elo estratégico entre o litoral paulista e o interior. No século 19, ganhou protagonismo com a exportação de café, tornando-se peça-chave da economia brasileira. E até mesmo o primeiro carro do Brasil chegou pelo cais santista.

A inauguração da ferrovia Santos–Jundiaí, em 1867, ampliou seu alcance e consolidou a Cidade como principal porta de entrada e saída do País. Hoje, o Porto de Santos é o maior da América Latina, responsável por cerca de 30% da balança comercial brasileira, segue quebrando recordes e mantendo viva a tradição que moldou a história e o desenvolvimento de Santos.

Entre o fim do século 19 e início do 20, Santos tornou-se a principal porta de entrada dos imigrantes que chegavam ao Brasil. Pelo Porto desembarcaram milhares de italianos, portugueses, espanhóis, japoneses e pessoas de outras nacionalidades, muitas delas destinadas às lavouras de café no interior paulista.

A Hospedaria dos Imigrantes (foto abaixo), inaugurada em 1912 no bairro do Valongo, foi um dos marcos desse período, acolhendo famílias inteiras em busca de novas oportunidades. Essa diversidade cultural deixou marcas profundas na Cidade, refletidas na gastronomia, nos costumes, na arquitetura e na formação da identidade santista.

No início do século 20, Santos sofria com alagamentos e surtos de doenças. Em 1905, o engenheiro Saturnino de Brito projetou o sistema de canais de drenagem, que revolucionou o saneamento e tornou-se símbolo da Cidade. Além de controlar enchentes e melhorar a saúde pública, os canais foram concebidos como navegáveis, permitindo a circulação de pequenas embarcações em seus primeiros anos.

Décadas depois, a experiência foi expandida para a Zona Noroeste, região de terrenos alagadiços, garantindo mais qualidade de vida. Os canais seguem como marco da engenharia e da identidade urbana de Santos.

Santos ocupa lugar de destaque na história do Brasil. Elevada a Vila em 1546, é terra natal de José Bonifácio, o Patriarca da Independência, e foi contemplada com a primeira ferrovia paulista, inaugurada em 1867 para o escoamento do café. Pelo Porto, chegaram milhares de imigrantes que moldaram a cultura nacional. A Cidade também foi palco de greves portuárias, que marcaram a luta por direitos sociais, e de embates na Revolução Constitucionalista de 1932.

No século 19, destacou-se como uma das primeiras cidades abolicionistas do País, ao proibir o comércio de escravizados em 1886, dois anos antes da Lei Áurea, tornando-se símbolo da defesa da liberdade e dos direitos humanos. Veja mais.

Desde 2015, Santos ostenta o título de Cidade Criativa da Unesco no campo do Cinema, sendo pioneira na América Latina. A conquista reflete a ligação histórica com a sétima arte e o investimento contínuo no audiovisual como motor de desenvolvimento. Com salas de exibição públicas e privadas, apoio às produções (foto) por meio da Santos Film Commission e a realização de festivais, a Cidade consolidou-se como polo de economia criativa.


Outro marco é a criação das Vilas Criativas (foto), em 2014, espaços instalados em áreas vulneráveis que promovem oficinas, cursos e atividades culturais em segmentos como artes, gastronomia e estética, formando profissionais criativos e fortalecendo a inclusão social. Em 2022, Santos recebeu a 14ª Conferência Anual das Cidades Criativas da Rede Unesco, tornando-se a primeira do Continente a sediar tal evento.

Fonte e crédito das imagens: Prefeitura Municipal de Santos