Ao longo do ano, a expansão da atividade económica foi sustentada pela resiliência do mercado de trabalho, pela desaceleração da inflação e pela melhoria gradual das condições financeiras, com o investimento público a afirmar-se como um dos principais vetores de tração da economia, refere uma análise macro da responsabilidade da AICCOPN, a associação nacional da construção e obras públicas.
“Neste contexto, o setor da construção teve um papel central na dinâmica económica em 2025, assegurando a execução dos fundos europeus, com destaque para os investimentos do plano de Recuperação e Resiliência (PRR)”.
“O segmento da engenharia civil afirmou-se, assim, como o principal motor de crescimento do setor, registando um acréscimo estimado de 5,5% no Valor Bruto da Produção (VBP), sustentado por um volume historicamente elevado de contratos celebrados, que totalizaram 7.186 milhões de euros até novembro”.
Em paralelo, refere a associação em comunicado, a atividade no segmento dos edifícios habitacionais deverá ter encerrado o ano com um crescimento de cerca de 4% do VBP, refletindo o reforço da procura e a retoma gradual da produção.
Já no que respeita aos edifícios não residenciais, os indicadores disponíveis apontam para uma evolução mais moderada, com o VBP a crescer aproximadamente 1% face a 2024, num contexto de menor dinamismo do investimento privado.
“No seu conjunto, a evolução diferenciada dos vários segmentos da construção traduziu-se num crescimento global estimado de 4,1% do VBP em 2025, confirmando a relevância económica do setor e o seu papel determinante no suporte à atividade económica e à execução dos investimentos em curso.
“Para 2026, antecipa-se um enquadramento macroeconómico mais favorável, com o PIB a acelerar para 2,2% e o investimento público a atingir 3,8% do PIB. Neste contexto, 2026 configura-se como um ano determinante para a atividade das empresas do Setor da Construção e do Imobiliário, num quadro de forte intensidade de execução dos projetos previstos no PRR e de reforço do investimento em habitação”.
No domínio da edificação habitacional, a associação antecipa a consolidação de um desempenho sólido, com o VBP a registar uma variação homóloga entre 3,2% e 5,6%.
Esta evolução resulta do dinamismo observado no licenciamento ao longo de 2025, traduzido num aumento de 6,3% no número de licenças emitidas e de 22,2% no número de fogos licenciados em construções novas até outubro.
“Em paralelo, a estabilização das taxas diretoras do Banco Central Europeu deverá continuar a assegurar condições de financiamento favoráveis, compatíveis com a manutenção dos níveis de procura neste segmento.”
O segmento de edifícios não residenciais deverá apresentar uma progressão mais contida, situada entre 1% e 3%, refletindo a estagnação do investimento privado num contexto económico ainda marcado por incerteza, parcialmente compensada pelo reforço do investimento público.
Já a engenharia civil deverá manter-se como o principal motor de crescimento setorial em 2026, projetando-se um aumento do Valor Bruto da Produção (VBP) entre 4,3% e 6,7%.
Esta evolução assenta na carteira de obras acumulada em 2025, resultante do elevado volume de concursos de empreitada de obras públicas lançados no âmbito do PRR, em fase final de execução, e do Portugal 2030.
“Com efeito, até novembro de 2025, os concursos promovidos totalizaram 9.668 milhões de euros, correspondendo a um crescimento homólogo de 28%, o que sustenta a dinâmica de atividade projetada para 2026”.
Em termos globais, diz a AICCOPN, estima-se que o Valor Bruto da Produção da Construção registe um crescimento médio de 4,4% em 2026, superando o ritmo de expansão do PIB e elevando o valor da produção setorial para cerca de 25.500 milhões de euros, refletindo o contributo determinante do investimento público e a consolidação da carteira de obras em execução.
Fonte e crédito da imagem: O Jornal Económico / Portugal