Enquanto milhões de viajantes evitam os países direta ou indiretamente afetados pela guerra no Médio Oriente, Portugal regista um aumento nas reservas de voos e de hotéis para o final da primavera e para o verão.
Dados avançados pela agência Reuters, esta quarta-feira (15), apontam para uma subida na ordem dos 20%, em comparação com 2025.
Em declarações à Renascença, Miguel Quintas, presidente da Associação Nacional de Agências de Viagens (ANAV), confirma a maior afluência de turistas.
“Quando nós falamos com os nossos parceiros internacionais e com as agências de viagens nacionais, percebemos que o mercado português tem beneficiado e tem crescido após a Guerra no Golfo. Em particular em março e face ao que prevemos para o verão, é que há, de facto, uma tendência de crescimento do turismo internacional”, refere.
Miguel Quintas sublinha que esses turistas são oriundos, essencialmente, de países como Reino Unido, Alemanha, Brasil e Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, o presidente da ANAV não esconde a preocupação com o impacto que os preços dos combustíveis e os custos da energia têm neste setor económico.
“Por um lado, o preço da aviação está a aumentar e, como consequência da crise energética, na hotelaria os preços também vão aumentar. Portanto, há um impacto direto nas viagens e no orçamento das pessoas. A inflação toma o seu tempo a ajustar-se, assim como o poder de compra, portanto, este é um tema que é claramente relevante para nós”, aponta.
Com o aproximar do verão, Miguel Quintas aponta outros condicionamentos, manifestando o receio de novas dificuldades na entrada de turistas nos aeroportos nacionais, em especial por causa do novo sistema europeu de controlo fronteiriço para cidadãos extracomunitários, o denominado Sistema Europeu de Entrada/Saída (EES, na sigla em inglês), mas também quanto aos serviços prestados em terra.
“Mesmo que nós queiramos, por exemplo, durante o Verão aumentar ou receber este adicional de turistas que poderão vir para Portugal, nós vamos ter um Aeroporto de Lisboa completamente congestionado. Será verdadeiramente difícil para o verão fazer uma gestão de um crescimento abrupto de turistas. Algarve terá os seus problemas, particularmente também com a entrada do EES em funcionamento e veremos também como será com o Handling. Mas nós temos de ser capazes de ter as infraestruturas completamente montadas e oleadas para que, no verão, possamos receber turistas tala como devem ser recebidos”, declara.
Miguel Quintas avisa que o pico das reservas para o Verão vai começar a crescer em maio e diz que o setor “ainda está a navegar à vista”.
No início deste mês, o Governo anunciou iria voltar a prolongar as licenças de handling atualmente detidas pela Menzies nos aeroportos portugueses, garantindo a continuidade do serviço.
A decisão surgiu já depois de ter sido apresentada uma providência cautelar da Menzies a contestar o concurso das licenças para operar em Lisboa, Porto e Faro, que deu a vitória à espanhola Clece/South.
Fonte: www.rr.pt
Crédito da imagem: Maria João Cunha / Renascença