O Autódromo Internacional do Algarve vai continuar a receber o Grande Prémio de Portugal de MotoGP até 2029. O circuito de Portimão e o MotoGP Group renovaram por mais três anos o contrato que mantém no Algarve a principal competição mundial de motociclismo, garantindo à região a continuidade de um dos seus eventos desportivos com maior projeção internacional.
O acordo, anunciado esta quinta-feira, 24 de setembro, prolonga uma relação que começou em 2020, quando o Autódromo Internacional do Algarve (AIA) recebeu pela primeira vez uma prova do Mundial de MotoGP.
Seis anos depois, a chamada «montanha-russa» de Portimão conquistou um lugar próprio no campeonato e tem agora assegurada a permanência no calendário até ao final de 2029.
«Esta renovação representa um voto de confiança de todos no trabalho desenvolvido pelo Autódromo Internacional do Algarve e por todas as pessoas e entidades que contribuem para a realização do Grande Prémio de Portugal», afirma Jaime Costa, CEO do AIA.
Para o responsável, a extensão do contrato «garante que Portugal e o Algarve reforçam o seu lugar no mapa dos grandes eventos desportivos mundiais» e constitui também uma confirmação «da excelência do nosso Circuito e dos nossos eventos».
O MotoGP chegou ao Autódromo do Algarve em circunstâncias muito particulares. Em 2020, em plena pandemia, Portimão recebeu o regresso do Grande Prémio de Portugal ao calendário e assistiu a um momento que entrou para a história do motociclismo nacional: Miguel Oliveira venceu a corrida, tornando-se o primeiro português a triunfar numa prova da categoria principal em solo nacional.
Desde então, o AIA foi consolidando a sua posição no campeonato. Em 2021 recebeu também o Grande Prémio do Algarve e, a partir de 2023, a prova portuguesa ganhou presença regular no Mundial.
O próprio MotoGP destaca as características pouco comuns do traçado algarvio. O circuito tem 4,59 quilómetros, 15 curvas — nove à direita e seis à esquerda — e uma reta máxima de 970 metros, mas são sobretudo os acentuados desníveis que lhe valeram a designação de «montanha-russa» do campeonato.
Carlos Ezpeleta, CEO-adjunto do MotoGP Group, considera que a entrada do Autódromo Internacional do Algarve trouxe «uma nova dimensão ao campeonato».
«O seu traçado exigente tem proporcionado corridas inesquecíveis e rapidamente se tornou um dos favoritos de pilotos e aficionados», salienta.
A intenção, acrescenta, é continuar a desenvolver o evento: «Estamos muito satisfeitos por continuar a aproveitar este momento, fazendo crescer o evento para que se torne uma celebração ainda maior do MotoGP e proporcionando experiências inesquecíveis aos fãs em todo o país».

Mais de 166 mil entradas em 2025
A renovação acontece depois de a prova ter atingido, em 2025, o seu melhor resultado em termos de público. Segundo os dados divulgados pelo AIA, foram contabilizadas mais de 166 mil entradas ao longo do fim de semana.
Foi também uma edição particularmente simbólica para os adeptos portugueses, por ter marcado a despedida de Miguel Oliveira da categoria de MotoGP.
A dimensão do Grande Prémio ultrapassa, porém, aquilo que acontece dentro do circuito. Durante o fim de semana da prova, milhares de visitantes deslocam-se ao Algarve, com reflexos na procura de alojamento, restauração, transportes e outros serviços, num período fora da tradicional época alta turística.
É precisamente esse aspeto que André Gomes, presidente do Turismo do Algarve, destaca ao comentar a renovação.
«Garantir o MotoGP no Algarve até 2029 é uma excelente notícia para a região. É um evento com enorme projeção internacional, que traz milhares de visitantes, gera negócio e reforça a notoriedade do destino», afirma.
O facto de a corrida decorrer fora dos meses de maior procura turística é, para o responsável, particularmente importante.
«Tem ainda a vantagem de acontecer fora da época alta, num período em que queremos continuar a crescer. É exatamente este tipo de grandes eventos que ajuda o Algarve a afirmar-se durante todo o ano e a consolidar a sua posição entre os principais destinos turísticos internacionais», acrescenta André Gomes.
Também o Governo e o Turismo de Portugal enquadram a permanência da prova no Algarve numa estratégia de promoção turística e internacionalização do país.
Para Pedro Machado, secretário de Estado do Turismo, assegurar o MotoGP até 2029 representa «mais do que a continuidade de uma grande competição internacional».
«É um sinal de confiança no futuro do país e na capacidade do turismo português de gerar valor, projetar territórios e afirmar Portugal no mundo», considera.
Segundo o governante, a estratégia passa por «transformar grandes eventos em catalisadores de notoriedade, desenvolvimento sustentável e novas oportunidades para o setor».
Carlos Abade, presidente do Turismo de Portugal, sublinha, por sua vez, a audiência internacional associada à competição.
«O MotoGP é uma importante plataforma de promoção externa para Portugal e tem contribuído para projetar o país como destino junto de milhões de adeptos em todo o mundo», afirma, considerando que o novo acordo «reforça a capacidade e o interesse de Portugal em acolher eventos de dimensão global».

Mundial regressa ao Algarve em novembro
Antes de começar o novo ciclo agora garantido até 2029, o Autódromo Internacional do Algarve tem ainda pela frente a edição deste ano.
O MotoGP Repsol Grande Prémio de Portugal está marcado para 20 a 22 de novembro, reunindo no AIA as três categorias do Campeonato Mundial de Motociclismo: MotoGP, Moto2 e Moto3. As datas estão confirmadas no calendário oficial atualmente publicado pelo campeonato.
Na categoria principal, a corrida terá 25 voltas e 114,8 quilómetros. A prova de Moto2 contará com 21 voltas e 96,43 quilómetros, enquanto os pilotos de Moto3 terão pela frente 19 voltas e 87,25 quilómetros.
A edição de 2026 levará novamente ao Algarve alguns dos principais nomes do motociclismo mundial e será uma das últimas etapas de uma temporada que termina na Península Ibérica. O calendário oficial coloca Portugal imediatamente antes do Grande Prémio de Valência.
A confirmação até 2029 dá agora outra dimensão a esse regresso anual. O Grande Prémio deixa de estar apenas garantido no curto prazo e assegura ao Autódromo Internacional do Algarve e a Portimão pelo menos mais três anos no mapa do MotoGP, prolongando uma história que começou em 2020 com uma vitória portuguesa e que se transformou, entretanto, numa das grandes montras desportivas internacionais da região.
O MotoGP Repsol Grande Prémio de Portugal 2026 conta com o apoio do Turismo de Portugal, do Turismo do Algarve, do Município de Portimão e da Federação de Motociclismo de Portugal com o IPDJ.
O Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão, é o principal circuito de desporto motorizado em Portugal e um dos mais modernos e desafiantes da Europa.
Inaugurado em 2008 e gerido pela Parkalgar, o circuito é homologado com o grau máximo pela FIA e pela FIM, tem 4,653 km e 15 curvas, e integra um complexo mais alargado que inclui kartódromo, pista todo-o-terreno, parque tecnológico e resort turístico.
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