A comissária europeia Maria Luís Albuquerque defendeu a necessidade urgente de reforçar a integração financeira na União Europeia, sublinhando que o bloco dispõe de poupança, talento e capacidade de inovação, mas continua a falhar na transformação desse potencial em resultados concretos.
No discurso de encerramento no lançamento do IE Competitiveness Hub, nesta terça-feira (5), a responsável destacou que a competitividade europeia depende, cada vez mais, da capacidade de financiar inovação, apoiar o crescimento económico e garantir relevância num contexto global exigente: “A questão não é se a Europa tem potencial para competir, mas se consegue transformá-lo em resultados”, afirmou.
Apesar de considerar o Mercado Único como uma das maiores conquistas da integração europeia, Maria Luís Albuquerque alertou que, no domínio financeiro, a União permanece fragmentada:
“Na prática, continuamos a ser 27 mercados nacionais, com recursos que deveriam estar agregados”, disse, apontando essa fragmentação como um dos principais entraves ao crescimento.
A comissária destacou que grandes volumes de poupança europeia continuam a ser canalizados para fora da União, sobretudo para os Estados Unidos, evidenciando a falta de oportunidades de investimento atrativas dentro do bloco. Segundo referiu, esta tendência compromete a capacidade de financiar empresas europeias, especialmente startups e empresas em fase de expansão.
Como resposta, defendeu o aprofundamento da chamada União de Poupanças e Investimentos, classificando-a como o próximo passo na integração económica europeia.
O objetivo passa por mobilizar capital, reforçar os mercados de capitais e facilitar o acesso das empresas a financiamento, nomeadamente através de capital próprio.
Maria Luís Albuquerque sublinhou ainda a importância de incentivar os cidadãos a investir, reduzindo a dependência de depósitos bancários e aumentando a literacia financeira. “Os mercados de capitais não podem continuar a ser um privilégio de poucos — têm de se tornar uma oportunidade para todos”, afirmou.
A comissária apontou também a necessidade de melhorar infraestruturas, supervisão e enquadramento regulatório, bem como de reforçar o papel do setor bancário, que considera essencial para o bom funcionamento dos mercados de capitais.
“Se queremos que os bancos europeus sejam competitivos a nível global, temos de lhes permitir operar como instituições europeias — e não apenas como campeões nacionais”
“Os bancos não são apenas concedentes de crédito — são também facilitadores essenciais dos mercados de capitais, atuando como intermediários, investidores e fornecedores de liquidez. Um setor bancário europeu forte é, portanto, essencial para mercados de capitais europeus fortes”, defendeu a Comissária para a União de Poupança e Investimento.
No entanto, acrescentou, “os nossos bancos ainda carecem de escala”, pois “a fragmentação regulatória, tanto prudencial como não prudencial, continua a limitá-los, retendo capital dentro das fronteiras nacionais e restringindo a sua capacidade de operar eficientemente em toda a União”.
Maria Luís disse mesmo “se queremos que os bancos europeus sejam competitivos a nível global, temos de lhes permitir operar como instituições europeias — e não apenas como campeões nacionais” acrescentando que “é por isso que reforçar a competitividade do setor bancário continua a ser uma prioridade”.
Este Verão, a Comissão apresentará uma avaliação abrangente das barreiras a um verdadeiro Mercado Único bancário, preparando o terreno para uma agenda de reformas orientada para o futuro no início do próximo ano, anunciou Maria Luís Albuquerque.
Por fim, deixou um apelo à ação conjunta dos Estados-Membros, instituições e agentes de mercado, alertando que a falta de escala da economia europeia não resulta de limitações estruturais, mas de escolhas políticas. “O que nos falta é a capacidade de agir à escala da nossa própria economia. E isso é uma escolha”, concluiu.
O discurso da Comissária Maria Luís Albuquerque no lançamento do IE University Competitiveness Hub teve como título “Financiar o Crescimento e a Inovação da Europa: Desbloquear Capital para a Inovação e Crescimento através da União de Poupança e Investimento”.
Fonte e crédito da imagem: O Jornal Económico / Portugal