Bruxelas corta crescimento português este ano para 1,7% e antecipa défice de 0,1%

A Comissão Europeia está mais pessimista quanto ao crescimento português este ano, tendo cortado as previsões de 2,2% este ano para 1,7% e de 2,1% para 1,8% no próximo.

Mais, Bruxelas antecipa também um regresso aos défices este ano, apontando a 0,1% do PIB e 0,4% em 2027, fruto do choque energético que assola a Europa e das fortes tempestades que atingiram o país no início de 2026.

Nas previsões macroeconómicas divulgadas esta quinta-feira (21), a Comissão cita precisamente os “choques inesperados no início de 2026, começando pelas fortes tempestades de janeiro e fevereiro, seguidas de uma escalada nos preços da energia em março e abril” como motivos da revisão em baixa.

Ainda assim, Portugal deverá crescer, segundo a análise de Bruxelas, acima da média da zona euro e da UE, cifradas respetivamente em 0,9% e 1,1% este ano.

Comparando com as restantes instituições de referência nacionais e internacionais, apenas o Conselho de Finanças Públicas (CFP) antecipa um resultado menos favorável para a economia portuguesa este ano, com 1,6%.

Para 2027, mantém a expectativa de um crescimento acima da média europeia, embora com menor diferença para os 1,2% antevistos para a zona euro.

Ainda assim, vários países deverão conseguir crescer acima de Portugal em ambos os anos, com destaque para Espanha, que solidifica a sua posição como grande economia europeia com melhor prestação, esperando-se um avanço de 2,4% no PIB este ano e 1,9% no próximo.

Também na vertente orçamental haverá uma deterioração dos resultados macro portugueses, com Bruxelas a antever uma passagem de superavit para défice já este ano.

Contudo, até houve lugar a uma revisão em alta: se no anterior exercício a Comissão apontava a 0,3% de défice, agora antecipa 0,1%.

Para 2027, igual cenário, com Bruxelas a prever um défice de 0,4%, ou seja, menos pronunciado do que os 0,5% anteriormente previstos.

Recorde-se que para este ano o Governo espera atingir um saldo nulo, embora o ministro das Finanças já tenha admitido que o défice é, de facto, um cenário plausível.

Já do lado dos preços, a inflação deve acelerar até 3%, embora esta previsão diga respeito ao indicador harmonizado – ou seja, a referência para as instituições europeias. Para 2027, o indicador deve desacelerar para 2,3%.

Para a dívida, a Comissão vê a continuação de uma descida sustentada do indicador, em linha com o Governo e as restantes instituições.

Este ano, o rácio deve cair para 87,6% do PIB, o que compara com 87,8% previsto pelo Ministério das Finanças no final do ano passado, e 2027 deverá fechar com 86%.

Fonte e crédito da imagem: O Jornal Económico / Portugal