Está assinado o acordo de comércio livre entre a União Europeia e o Mercosul, um entendimento histórico que demorou 26 anos a ser negociado e que cria a maior zona de comércio livre do mundo.
O acordo prevê uma redução progressiva de tarifas entre os dois blocos até 90%, chegando mesmo a zero em alguns produtos. Apesar da assinatura, o processo ainda não está concluído: o tratado terá agora de ser ratificado pelo Parlamento Europeu, onde são esperadas resistências, nomeadamente da França.
Na cerimónia de assinatura, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, sublinhou a dimensão estratégica do acordo, defendendo que a União Europeia fez uma escolha clara num momento de tensões globais. Segundo a responsável, a Europa optou por “comércio justo em vez de tarifas” e por “uma parceria produtiva em vez do isolamento”.
Ursula von der Leyen destacou ainda que o objetivo central do tratado é gerar benefícios concretos para os cidadãos e empresas dos dois blocos. “Estamos a criar a maior zona de comércio livre do mundo”, afirmou, acrescentando que se trata de um acordo pensado para “transmitir benefícios reais e tangíveis aos nossos povos e às nossas empresas”.
Do lado sul-americano, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, fez questão de agradecer publicamente o empenho da líder da Comissão Europeia, considerando decisivo o seu papel para evitar o fracasso das negociações.
Santiago Peña apelou ainda a um maior aprofundamento das relações entre a Europa e a América do Sul, defendendo que o atual contexto internacional exige mais cooperação.
“Com coragem e bravura, aprofundemos a nossa união para que ela seja mais perfeita neste mundo complexo, instável e perigoso”, afirmou, sublinhando que as duas regiões “têm de se unir para mostrar um caminho distinto”.
Também o presidente do Conselho Europeu, António Costa, destacou o significado político do acordo, numa altura em que a cooperação internacional é cada vez mais posta em causa.
Para António Costa, o tratado envia “uma mensagem clara ao mundo” de defesa do comércio livre assente em regras, no multilateralismo e no direito internacional.
Segundo o presidente do Conselho Europeu, este acordo representa uma aposta clara “na abertura, no intercâmbio e na cooperação”, em contraste com “o isolamento, o unilateralismo e o uso do comércio como arma geopolítica”.
A ratificação parlamentar será agora o próximo passo decisivo para transformar a assinatura política num novo quadro de relações económicas entre a Europa e a América do Sul.
Fonte: www.rr.pt
Crédito da imagem: Luis Robayo / AFP